Isto pode criar um buraco negro na Terra e você nem imagina
Teorias sobre CERN buraco negro assustam muita gente. Veja por que cientistas consideram o cenário improvável
O medo de que o CERN possa criar um buraco negro e engolir a Terra rende manchetes, memes e teorias conspiratórias desde que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) foi ligado. A ideia parece saída de filme, mas a física mostra que, mesmo admitindo a existência teórica de miniburacos negros, o cenário apocalíptico é incompatível com o que se conhece sobre energia, gravidade e interações de partículas.
O que é o CERN e qual o papel do LHC nas pesquisas atuais
O CERN é a maior organização de pesquisa em física de partículas do mundo e abriga o LHC, um anel subterrâneo de 27 km na fronteira entre França e Suíça. Nele, feixes de prótons e íons pesados colidem quase à velocidade da luz, recriando em escala microscópica condições semelhantes às do Universo logo após o Big Bang.
Essas colisões transformam energia em massa, como previsto por Einstein, permitindo detectar novas partículas e testar o Modelo Padrão. Foi assim que o bóson de Higgs foi confirmado, abrindo caminho para investigar matéria escura, energia escura e possíveis simetrias mais profundas no Universo.

O LHC tem energia suficiente para criar um buraco negro clássico
As colisões do LHC chegam à faixa de dezenas de teraelétron-volts (TeV), energia comparável à de um mosquito em voo concentrada em um próton. Apesar de impressionante, isso ainda é ínfimo diante da energia de Planck, escala em que os próprios conceitos atuais de espaço, tempo e gravidade deixam de funcionar como hoje entendemos.
Cálculos indicam que seria necessário algo próximo a um terço da energia de Planck para formar um buraco negro clássico em uma colisão de partículas. Esse valor é cerca de um quintilhão de vezes maior do que o LHC consegue produzir, tornando impossível a criação de um buraco negro macroscópico nessas condições.
Miniburacos negros microscópicos podem existir no CERN
Algumas teorias com dimensões extras minúsculas, como certos modelos de cordas, reduzem a energia necessária para formar buracos negros microscópicos. Nesse cenário exótico, o LHC poderia, em princípio, produzir microburacos negros que durariam um tempo extremamente curto.
Nesse contexto, a própria física prevê que o planeta continuaria intacto. A energia de uma colisão é comparável à de um grão de areia em movimento lento, e mesmo que toda ela virasse um miniburaco negro, o efeito seria ínfimo e dificilmente detectável.
Testes naturais de segurança: o papel dos raios cósmicos
A própria Terra funciona, há bilhões de anos, como um laboratório de colisões muito mais extremas do que as do LHC. Isso acontece por causa dos raios cósmicos, partículas altamente energéticas vindas do espaço que atingem a atmosfera com energias superiores às do colisor em diversas ocasiões. Em muitas colisões atmosféricas, as condições são ainda mais violentas do que as geradas artificialmente, o que oferece um “experimento natural” contínuo para testar efeitos exóticos como a possível formação de miniburacos negros.
Essas observações, somadas a estudos teóricos, são usadas em relatórios de segurança do CERN justamente para demonstrar que, se miniburacos negros pudessem crescer e se tornar perigosos, esse efeito já teria sido detectado em escalas astronômicas. Como isso não ocorre, o funcionamento do LHC é considerado seguro.
O que acontece se um miniburaco negro surgir no laboratório
A radiação Hawking, proposta em 1974, sugere que buracos negros emitem lentamente energia, evaporando ao longo do tempo. Quanto menor o buraco negro, mais rápida é essa evaporação, o que faz com que um miniburaco negro criado em um experimento desapareça quase instantaneamente.
Mesmo em cenários em que a radiação Hawking não atuasse, modelos recentes consideram “átomos de buraco negro”, em que um miniburaco negro carregado poderia interagir de forma semelhante a um átomo comum. A chance de engolir matéria de maneira eficiente continua desprezível, dada a imensa quantidade de espaço vazio nos átomos.
Se a ideia de ciência extrema mexe com a sua curiosidade, este vídeo do canal Astrum Brasil, com 402 mil subscritores, foi escolhido especialmente para você. Ele explica de forma clara se o CERN realmente poderia criar um buraco negro — e o que a ciência diz sobre isso.
Por que a Terra já testa limites de energia maiores que o LHC
A própria Terra funciona, há bilhões de anos, como um laboratório de colisões muito mais extremas do que as do LHC. Isso acontece por causa dos raios cósmicos, partículas altamente energéticas vindas do espaço que atingem a atmosfera com energias superiores às do colisor em diversas ocasiões.
Esses impactos naturais ajudam a entender por que os miniburacos negros não representam risco real. Se colisões desse tipo pudessem gerar buracos negros perigosos, a Terra, o Sol e outros corpos celestes já teriam sofrido consequências observáveis há muito tempo.
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