Homem usa 150 mil garrafas PET para construir uma ilha flutuante e transforma o lugar em um refúgio no litoral
Uma construção improvável reuniu materiais descartados, vegetação e soluções simples para criar uma moradia sobre a água.
Uma base feita de recipientes descartados conseguiu sustentar madeira, terra, vegetação e até uma casa sobre a água. A ilha flutuante criada pelo britânico Richart “Rishi” Sowa ficou conhecida como Joyxee Island e funcionou por anos perto da costa de Isla Mujeres.
Como milhares de garrafas conseguiam manter a ilha flutuando?
As garrafas vazias e fechadas eram reunidas dentro de redes, formando módulos que retinham ar e forneciam flutuação. Sobre eles, Sowa instalava paletes e peças de madeira para criar uma superfície rígida para novas camadas.
Terra, areia e matéria orgânica cobriam a plataforma. A estimativa de cerca de 150 mil garrafas PET varia entre registros, mas o princípio era sempre o mesmo: distribuir muitos recipientes leves sob uma estrutura maior e ampliá-la gradualmente.
Quatro elementos explicam a lógica básica da construção:

Quem era Richart Sowa e de onde veio a ideia?
Richart “Rishi” Sowa é um artista e construtor britânico que passou décadas desenvolvendo ilhas artificiais com materiais reaproveitados. Sua primeira experiência conhecida, a Spiral Island, surgiu no fim dos anos 1990 em uma lagoa próxima de Puerto Aventuras, no Caribe mexicano.
Depois de perder essa primeira construção no furacão Emily, em 2005, Sowa recomeçou. A nova versão foi montada perto de Isla Mujeres, onde a Joyxee Island começou a tomar forma no fim de 2007 e foi concluída no ano seguinte.
O que existia sobre a Joyxee Island?
A plataforma deixou de ser apenas uma base de garrafas e tornou-se uma moradia. Registros descrevem uma casa de três andares, áreas de cultivo, pequenos lagos, cachoeira, acesso à internet e painéis solares instalados na estrutura.
Também havia uma máquina de lavar acionada pelo movimento das ondas e uma embarcação construída com materiais reaproveitados para transportar visitantes. O projeto chegou a receber passeios, o que mostra que o refúgio ficava próximo da costa e não era completamente isolado.
Alguns elementos mostram como o espaço foi ganhando funções diferentes:
Por que havia mangues crescendo sobre uma base de plástico?
Sowa plantou mangues e outras espécies sobre as camadas de solo. À medida que cresciam, as raízes atravessavam partes da estrutura e se espalhavam entre madeira, redes e garrafas, ajudando a integrar a cobertura vegetal ao conjunto construído.
Isso não transformava plástico em solo natural nem eliminava os impactos potenciais do material. O papel das plantas era dar cobertura, produzir matéria orgânica e ocupar a superfície, enquanto a base continuava dependendo das garrafas, das redes e da manutenção humana.
O projeto já tinha sido destruído antes?
Sim. A Joyxee foi a segunda grande ilha de garrafas de Sowa. A primeira, chamada Spiral Island, teria usado cerca de 250 mil recipientes e serviu de residência até ser destruída em 2005 pelo furacão Emily, que atingiu a região do Caribe mexicano.
O registro histórico da Joyxee Island informa que a segunda ilha ocupava cerca de 8 mil pés quadrados, aproximadamente 743 m², e foi aberta a visitantes depois de ser concluída em 2008.
A Joyxee Island ainda existe?
Não. Uma atualização publicada em janeiro de 2019 registra que a estrutura havia sofrido danos provocados por tempestades e que autoridades locais determinaram sua remoção. A atração passou a ser tratada como um local encerrado, preservado apenas em registros e imagens.
A trajetória mostra também o limite físico do experimento: reaproveitar milhares de garrafas permitiu criar uma plataforma habitável, mas não tornou a construção permanente. Clima, desgaste, manutenção e regras locais continuaram determinando por quanto tempo aquele refúgio poderia permanecer sobre a água.
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