Homem passa meses em completo isolamento cuidando sozinho de 750 ovelhas onde não existem estradas nem vizinhos
No alto das montanhas ucranianas, Vasyl enfrenta nevoeiro, frio e longos dias de trabalho para manter o enorme rebanho seguro
Durante o verão, quando os pastos mais altos finalmente ficam livres da neve, um homem sobe até uma área remota das montanhas ucranianas levando centenas de animais. Ali, sem ruas, comércio ou casas próximas, sua rotina passa a depender do clima, dos cães e da própria experiência, porque um erro pode espalhar o rebanho por quilômetros.
O que leva alguém a passar meses sozinho no alto das montanhas?
Nas regiões montanhosas dos Cárpatos, levar os rebanhos para pastagens elevadas durante os meses quentes é uma prática antiga. A vegetação abundante dessas áreas oferece alimento aos animais enquanto os terrenos mais baixos descansam. O trabalho, porém, exige que pastores deixem suas casas e acompanhem as ovelhas durante toda a temporada.
A solidão não significa ausência completa de atividade. Desde as primeiras horas da manhã, há animais para contar, áreas de pastagem para escolher, cercas improvisadas para verificar e mudanças no tempo para acompanhar. Um nevoeiro repentino pode esconder o rebanho, enquanto chuvas fortes transformam trilhas estreitas em caminhos escorregadios e perigosos.
Quem é o pastor dos Cárpatos que cuida de 750 ovelhas?
O homem mostrado no vídeo é Vasyl, um agricultor de 38 anos que passa os verões cuidando de mais de 750 ovelhas na remota pastagem de Apetska, nos Cárpatos ucranianos. Ele não mora sozinho naquele ponto durante o ano inteiro. Sua temporada de isolamento acompanha o período em que os animais podem permanecer nas áreas altas, antes da chegada do frio e da neve.
- Reúne o rebanho antes que os animais se espalhem pelas encostas
- Conduz as ovelhas até áreas com capim disponível
- Verifica diariamente animais feridos, fracos ou desaparecidos
- Ordenha parte do rebanho conforme a rotina da pastagem
- Protege as ovelhas durante a noite com a ajuda dos cães
- Mantém fogo, abrigo, comida e equipamentos em condições de uso
Para complementar o tema, o vídeo abaixo acompanha Vasyl durante sua temporada na pastagem de Apetska, mostrando o deslocamento do rebanho, o abrigo e a rotina longe de estradas e vizinhos:
Cuidar de 750 animais não significa vigiar cada ovelha individualmente a todo instante. O pastor aprende a interpretar o comportamento do grupo. Mudanças no som dos sinos, movimentos repentinos e a direção seguida pelos cães ajudam a identificar problemas. Ainda assim, a contagem frequente é indispensável, pois um animal pode ficar preso, adoecer ou se afastar sem chamar atenção.
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Como 750 ovelhas são controladas sem cercas permanentes?
O rebanho se comporta como um conjunto, mas não se move de forma completamente previsível. Algumas ovelhas seguem animais mais experientes, enquanto outras tentam alcançar trechos distantes de vegetação. Vasyl precisa posicionar-se de maneira estratégica, usando comandos e contando com cães treinados para impedir que partes do grupo desçam por encostas erradas.
Durante a noite, os animais são reunidos em uma área mais controlada, onde ficam menos expostos. O abrigo reduz o risco de dispersão e facilita o trabalho da manhã seguinte. Mesmo assim, ruídos, tempestades ou a aproximação de predadores podem agitar o rebanho. Nesses momentos, o pastor precisa agir antes que centenas de ovelhas se movimentem ao mesmo tempo.
Como o pastor dos Cárpatos organiza um dia sem qualquer facilidade por perto?
O horário não é definido por relógios comerciais, trânsito ou compromissos urbanos. Ele acompanha a luz do dia, o clima e as necessidades do rebanho. A manhã começa cedo, com a liberação dos animais e a escolha do pasto. Ao longo do dia, o grupo percorre encostas abertas, enquanto Vasyl observa o céu e procura sinais de cansaço ou doença.
| Período do dia | Atividade principal | Maior dificuldade |
|---|---|---|
| Amanhecer | Contagem e liberação do rebanho | Encontrar animais afastados |
| Manhã | Condução até novas áreas de pastagem | Terreno inclinado e úmido |
| Tarde | Vigilância, ordenha e cuidados básicos | Mudanças rápidas do tempo |
| Anoitecer | Reunião das ovelhas e proteção do abrigo | Escuridão e risco de dispersão |
Sem mercado próximo, água encanada comum ou assistência imediata, os mantimentos precisam ser calculados com antecedência. Ferramentas quebradas são consertadas no próprio local sempre que possível. A alimentação é simples, e o fogo cumpre várias funções, desde aquecer até preparar comida. O isolamento transforma objetos básicos em recursos que não podem ser desperdiçados.
Por que esse tipo de pastoreio ainda sobrevive nos Cárpatos?
A subida sazonal dos animais aproveita áreas montanhosas difíceis de cultivar. Em vez de deixar essas pastagens sem uso, os criadores reúnem ovelhas de diferentes proprietários e confiam o grupo a pastores durante o verão. Esse sistema também permite que as terras próximas às aldeias sejam preservadas para outras etapas da criação.
Um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura descreve como o pastoreio de verão nos Cárpatos ucranianos combina práticas tradicionais, pequenas propriedades e adaptação às condições atuais. A atividade não é uma encenação folclórica. Ela continua ligada à produção de leite, queijo, lã e carne, além de manter paisagens abertas que poderiam ser tomadas pela vegetação.

O que torna a vida do pastor dos Cárpatos tão difícil de substituir?
O serviço exige conhecimentos que dificilmente aparecem em manuais. É preciso reconhecer o clima pelo vento, identificar uma ovelha doente antes que ela fique para trás e saber quanto tempo determinada encosta ainda suporta o pastoreio. Vasyl também precisa entender os cães, avaliar trilhas e decidir quando o rebanho deve retornar ao abrigo.
A paisagem aberta pode transmitir tranquilidade nas imagens, mas a responsabilidade nunca desaparece. São 750 animais dependendo de uma rotina repetida todos os dias, sem domingo, vizinho próximo ou estrada para resolver rapidamente uma emergência. Quando o verão termina, as ovelhas descem para as áreas habitadas, e a montanha volta ao silêncio até a próxima temporada.
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