Homem constrói sozinho casa com sacos de batata e terra e transforma terreno em obra bio sustentável em Santa Catarina
A estrutura parcialmente enterrada tem teto verde, drenagem e até um espaço subterrâneo para armazenar alimentos e sementes.
Sandro Gilberto Jankoski levou cerca de um ano para transformar terra do próprio terreno e longos sacos de polipropileno em uma construção bioclimática surpreendente em São Bento do Sul, em Santa Catarina.
A estrutura parcialmente enterrada tem teto verde, drenagem e até um espaço subterrâneo para armazenar alimentos e sementes.
A técnica do superadobe transformou terra em paredes resistentes?
Em vez de depender de tijolos convencionais, Sandro utilizou o superadobe, técnica que emprega tubos contínuos de polipropileno preenchidos com terra compactada. O material é colocado em camadas e moldado progressivamente até formar as paredes.
O processo chamou atenção pela simplicidade e pelo trabalho manual. Segundo o construtor, os tubos podiam chegar a 400 metros, mas foram divididos em trechos de aproximadamente 15 metros para facilitar a execução.
A construção bioclimática aproveitou materiais e recursos do próprio terreno?
A escolha dos materiais ajudou a reduzir a necessidade de transporte e integrou a estrutura ao ambiente. A terra utilizada nas paredes veio do próprio terreno, enquanto o posicionamento junto a um barranco contribuiu para o isolamento natural.
Para entender os principais elementos usados no projeto, vale destacar:
O resultado combina técnicas de bioconstrução com soluções voltadas ao conforto térmico e ao aproveitamento dos recursos disponíveis no local.
O teto verde da construção bioclimática ajuda a proteger a estrutura?
A cobertura recebeu uma camada de terra, gramado e plantas de videira, criando um teto verde que reforça a integração da construção com a paisagem. A solução também contribui para o isolamento térmico e acústico.
As paredes de terra compactada funcionam como uma grande massa térmica. Na prática, a temperatura interna tende a sofrer variações menores em relação ao ambiente externo, ajudando a manter o espaço mais fresco em períodos quentes e a conservar o calor quando as temperaturas caem.
A construção bioclimática levou um ano e ganhou uma função inesperada
Construir praticamente sozinho tornou o projeto fisicamente exigente. Sandro precisou transportar baldes de terra, subir escadas e compactar manualmente as camadas, enquanto a estrutura aumentava de tamanho.
Além da edificação principal, ele criou um ambiente subterrâneo para conservar alimentos, guardar sementes e servir como espaço de proteção em situações de emergência. A construção, porém, não se tornou uma residência particular.
O local passou a ser utilizado pelo grupo Medicinas da Floresta para encontros e cerimônias espirituais relacionadas à ayahuasca. O projeto acabou unindo arquitetura alternativa, sustentabilidade e uso comunitário em uma construção pouco convencional no sul do Brasil.
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