Há 40 mil anos, um filhote de mamute-lanoso ficou congelado na Sibéria — cientistas descobrem agora detalhes sobre seus últimos momentos de vida
Chamado de Yuka, o animal teve moléculas de RNA preservadas no tecido muscular, permitindo que cientistas identificassem genes ativos nos momentos finais de sua vida
Um filhote de mamute-lanoso encontrado congelado na Sibéria revelou detalhes impressionantes sobre seu estado biológico pouco antes da morte.
Chamado de Yuka, o animal teve moléculas de RNA preservadas no tecido muscular, permitindo que cientistas identificassem genes ativos nos momentos finais de sua vida — algo nunca obtido com tamanha precisão em um animal extinto.
O que aconteceu com o filhote de mamute?
Yuka morreu há quase 40 mil anos e permaneceu preservado no permafrost siberiano. A análise indica que o filhote ainda apresentava intensa atividade muscular antes de morrer, possivelmente enquanto tentava escapar de predadores ou de uma área coberta por lama.
O corpo teria sido atacado por leões-das-cavernas e acabou preso em sedimentos que congelaram rapidamente. Exames anteriores de outros filhotes já haviam apontado que mamutes jovens podem ter morrido após aspirar lama durante acidentes semelhantes.
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Por que a descoberta surpreendeu os cientistas?
O RNA se degrada muito mais facilmente que o DNA depois da morte. A preservação de moléculas tão antigas só foi possível porque o corpo ficou congelado em condições excepcionais no permafrost da Sibéria.
De dez amostras de tecidos de mamutes avaliadas, apenas três apresentaram RNA detectável. Somente o material de Yuka permitiu um sequenciamento detalhado, considerado o mais antigo já realizado.
Veja uma matéria sobe a mamute Yuka no vídeo abaixo do canal do “Renato Silva“.
Como o RNA revelou os últimos instantes?
Diferentemente do DNA, que funciona como um arquivo de informações genéticas, o RNA registra quais genes estavam sendo utilizados pelas células em determinado momento.
Por isso, o material encontrado em Yuka funciona como uma espécie de retrato molecular de sua condição antes da morte. Os pesquisadores identificaram sinais relacionados à contração muscular, à elasticidade dos tecidos e ao metabolismo energético.
O resultado sugere que o filhote estava sob forte esforço físico, embora o RNA não permita reconstruir exatamente cada movimento realizado pelo animal.
A análise dos tecidos preservados revelou informações que ajudam a reconstruir o estado físico de Yuka:
Atividade muscular
Genes associados à atividade e à contração dos músculos estavam ativos.
Energia em ação
Foram encontrados sinais ligados ao metabolismo necessário para produzir energia.
MicroRNAs identificados
A análise também detectou microRNAs reguladores, moléculas envolvidas no controle da atividade genética.
Duas sequências inéditas
Duas sequências genéticas nunca descritas foram encontradas em mamutes e elefantes.
A análise também corrigiu uma identificação
O material analisado indicou que Yuka era macho, embora o animal tivesse sido inicialmente considerado fêmea.
Atividade muscular + metabolismo energético + regulação genética + novas sequências
Esses dados fazem do mamute uma das raras “cápsulas do tempo” capazes de mostrar não apenas a aparência de uma espécie extinta, mas também o funcionamento de suas células pouco antes da morte.
O que a descoberta pode revelar no futuro?
A técnica pode ser usada para investigar doenças, níveis de estresse, metabolismo e infecções em outros animais preservados no gelo. Ela também pode ajudar a entender como espécies extintas reagiam ao ambiente e às ameaças.
O resultado ainda precisa ser interpretado com cautela, porque se baseia em um número limitado de amostras. Mesmo assim, Yuka mostrou que o permafrost pode conservar muito mais do que ossos, pele e pelos: ele também pode guardar uma “gravação” molecular dos últimos momentos de um animal desaparecido.
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