Grande jazida de ouro avaliada em R$ 900 bilhões é descoberta perto do Brasil
A estimativa bilionária chama atenção, mas recursos identificados, custos de extração e valor econômico são medidas muito diferentes.
Uma jazida de ouro nos Andes reúne metais preciosos e cobre em volumes capazes de sustentar um complexo mineral de grande porte. O projeto Vicuña, entre Argentina e Chile, ganhou destaque por uma avaliação divulgada de até R$ 900 bilhões, cifra que não equivale ao seu valor econômico oficial.
Onde fica a jazida de ouro e quem conduz o projeto?
O distrito mineral de Vicuña ocupa uma região de alta montanha na Cordilheira dos Andes, entre a província argentina de San Juan e a região chilena de Atacama. Não fica em território brasileiro e reúne depósitos descobertos e estudados ao longo de vários anos.
O complexo combina Filo del Sol, situado na fronteira, e Josemaría, na Argentina. A empresa responsável é uma associação entre BHP e Lundin Mining, com participação de 50% para cada grupo.

Quanto ouro, cobre e prata já foi estimado?
O levantamento técnico divulgado em fevereiro de 2026 aponta 36 milhões de onças de ouro em recursos medidos e indicados, categorias com maior confiança geológica. Há outras 61 milhões de onças classificadas como inferidas, cujo grau de incerteza é superior.
A mesma avaliação inclui cobre e prata. As quantidades correspondem a metal contido nas rochas, e não a material já extraído, refinado ou pronto para venda. O aproveitamento efetivo depende do processamento e da recuperação de cada metal.
Os recursos de maior confiança ajudam a dimensionar a escala identificada:
Os R$ 900 bilhões representam o valor oficial do depósito?
Os R$ 900 bilhões divulgados em reportagens são uma estimativa de valor associada aos metais existentes no distrito. A cifra não aparece como avaliação econômica oficial do empreendimento e não deve ser confundida com faturamento, reservas comercializáveis ou lucro futuro.
No estudo econômico preliminar divulgado pela Lundin Mining, o valor presente líquido após impostos foi estimado em US$ 9,5 bilhões no cenário-base. Esse cálculo considera preços definidos, custos e décadas de operação, sendo diferente de multiplicar toneladas por cotações.
O que falta para transformar a descoberta em mineração?
O desenvolvimento foi dividido em etapas. O planejamento começa com a mina e o processamento de Josemaría, prossegue com os minérios oxidados de Filo del Sol e prevê uma expansão posterior para outros depósitos. Nenhuma dessas fases significa extração comercial imediata.
Como as jazidas ficam em uma região remota e elevada, o empreendimento exige investimentos expressivos em infraestrutura, energia, água e transporte. Autorizações ambientais, engenharia e viabilidade financeira também condicionam o avanço do cronograma.
O caminho entre recurso identificado e produção envolve decisões distintas:
Essa jazida pode trazer benefícios diretos ao Brasil?
A localização nos Andes coloca o Brasil no mesmo cenário sul-americano de mineração, mas não existe participação brasileira automática no projeto. Investimentos e empregos diretos estarão ligados principalmente aos países que recebem as instalações e aos fornecedores contratados.
Empresas brasileiras poderiam disputar contratos de equipamentos e serviços, caso haja oportunidades comerciais. Esses efeitos são possibilidades, não resultados garantidos pela presença dos depósitos em território argentino e chileno.
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Por que recurso mineral não é sinônimo de riqueza disponível?
Uma estimativa mineral descreve a quantidade provável de metal nas rochas a partir de sondagens e modelos geológicos. Recursos inferidos são menos precisos, enquanto reservas minerais exigem demonstração adicional de viabilidade econômica para a extração.
O porte do complexo Vicuña é expressivo, mas preços, custos, licenças e recuperação metalúrgica ainda influenciam seu resultado. O dado mais relevante é a existência de um grande projeto mineral em desenvolvimento, não a ideia de que centenas de bilhões de reais já estejam disponíveis.
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