Geleiras de Svalbard estão liberando metano antigo escondido nas rochas e algumas águas tinham concentração 425 vezes acima do equilíbrio atmosférico
Amostras em rios glaciais revelam o desprendimento de gás subterrâneo retido sob o solo congelado do arquipélago ártico.
As geleiras de Svalbard abrigam um fenômeno hidrogeológico que expõe grandes reservatórios de gás aprisionados no substrato rochoso. Amostras de degelo revelam que o recuo da cobertura de gelo libera concentrações elevadas de metano geológico para o ecossistema polar.
Como o metano fica retido abaixo do gelo?
O arquipélago de Svalbard possui rochas sedimentares ricas em matéria orgânica acumulada ao longo de eras geológicas. Sob condições normais, o permafrost e a espessa camada de gelo atuam como uma barreira física impermeável, impedindo que o gás retido nas profundezas escape para a atmosfera.
Entretanto, o aquecimento regional altera a dinâmica hidrogeológica local. Quando a base da massa de gelo descongela, a água líquida flui pelo leito rochoso, criando canais subterrâneos que perfuram o selo natural de permafrost e transportam o gás aprisionado diretamente para a superfície.

Quais foram as concentrações de gás encontradas nas amostras?
Pesquisadores coletaram amostras de água de degelo em 19 rios glaciais espalhados pela região polar. As análises laboratoriais demonstraram que o metano de origem geológica é carregado continuamente pelo fluxo hídrico, apresentando níveis elevados em áreas onde o leito rochoso permanece sem congelamento permanente.
Em determinadas fontes de água subterrânea emergente, os níveis registrados chegaram a 425 vezes acima do ponto de equilíbrio atmosférico. Esse valor expressivo indica que o degelo não apenas libera água doce, mas também ativa emissões concentradas de gases de efeito estufa antes isolados.

A tabela abaixo apresenta um resumo comparativo das condições do substrato e seus respectivos impactos na liberação de gás:
Onde estão localizados os principais focos de liberação?
Os pontos mais críticos surgem na frente de recuo das geleiras, onde a perda de massa expõe antigas nascentes de água subterrânea. Nesses locais, a pressão reduzida permite que o gás dissolvido sob alta profundidade seja ejetado rapidamente para o ambiente externo.
Além disso, formações de folhelho preto e rochas ricas em carbono fóssil amplificam a presença do composto. Dados compilados por órgãos como a U.S. Geological Survey reforçam que formações geológicas antigas contêm reservatórios expressivos capazes de responder rapidamente às mudanças térmicas na superfície.
A seguir, os principais fatores que determinam a intensidade desse escape de gás no ecossistema:
- Presença de rochas sedimentares ricas em matéria orgânica fóssil.
- Descongelamento da base do gelo e criação de canais hídricos.
- Ruptura da camada impermeável de permafrost superficial.
- Emergência de nascentes subterrâneas pressurizadas na frente glacial.
Qual é o impacto desse fenômeno para o clima global?
A fuga de gás aprisionado em áreas polares representa uma fonte adicional de emissões que muitas vezes não é contabilizada nos modelos climáticos tradicionais. Por ser um gás de efeito estufa com alto poder de retenção de calor, sua liberação contínua acelera o aquecimento regional.
Consequentemente, cria-se um ciclo de retroalimentação em que o aumento das temperaturas intensifica o degelo, expandindo as áreas de vazamento. O monitoramento dessas nascentes torna-se indispensável para prever a trajetória das emissões em regiões de alta latitude ao longo do século.
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