Galáxias mortas estão apagando seus sinais de rádio mais rápido do que os modelos previam: descoberta revela uma fase curta após o desligamento do buraco negro
Estudo confirma 12 galáxias remanescentes e revela que seus sinais de rádio podem desaparecer rapidamente após o desligamento dos jatos
Astrônomos descobriram que galáxias remanescentes podem perder seu brilho em ondas de rádio mais rapidamente do que se imaginava. Um estudo publicado em julho de 2026 confirmou 12 galáxias cujos jatos alimentados por buracos negros supermassivos já haviam cessado. As idades espectrais estimadas, entre 8 e 42 milhões de anos, revelam uma população jovem e pouco detectada pelos levantamentos astronômicos anteriores.
Por que as galáxias mortas continuam emitindo ondas de rádio?
Algumas galáxias possuem buracos negros supermassivos que acumulam matéria e alimentam jatos de partículas energéticas. Esses jatos podem se estender por distâncias enormes, criando estruturas chamadas lóbulos de rádio, que permanecem luminosas enquanto recebem novas partículas aceleradas.
Quando a alimentação dos jatos termina, os lóbulos deixam de receber energia suficiente para sustentar sua emissão. Entretanto, o brilho não desaparece imediatamente. As partículas energéticas continuam produzindo radiação por algum tempo, permitindo que os astrônomos identifiquem uma fase remanescente da atividade do núcleo galáctico.
Como os pesquisadores identificaram as galáxias mortas?
A equipe examinou 14 candidatas a galáxias remanescentes em uma região do céu conhecida como XMM-LSS. Para investigar suas propriedades, combinou observações dos radiotelescópios MeerKAT e uGMRT com registros dos instrumentos LOFAR, GMRT e Jansky Very Large Array.
As medições abrangeram frequências entre 144 megahertz e 1,5 gigahertz. Ao comparar a intensidade das emissões em diferentes frequências, os cientistas conseguiram determinar quais objetos haviam interrompido o fornecimento de partículas aos lóbulos e quais ainda apresentavam atividade.
Entre os principais resultados estão:
- Análise de 14 candidatas a galáxias remanescentes;
- Confirmação de 12 fontes com jatos desligados;
- Reclassificação de duas fontes como ainda ativas;
- Idades espectrais totais entre 8 e 42 milhões de anos;
- Idade espectral mediana próxima de 12 milhões de anos;
- Identificação de remanescentes fracos e rapidamente enfraquecidos.

Por que o brilho das galáxias mortas desaparece tão rapidamente?
A radiação observada é produzida principalmente pelo movimento de elétrons energéticos em campos magnéticos, processo conhecido como emissão síncrotron. Quando os jatos deixam de fornecer novas partículas, os elétrons existentes continuam perdendo energia, provocando mudanças na intensidade e no espectro das ondas de rádio.
Outro mecanismo importante é o espalhamento Compton inverso, no qual elétrons energéticos transferem parte de sua energia para fótons, incluindo aqueles da radiação cósmica de fundo. Esse processo pode acelerar o enfraquecimento das fontes mais distantes, enquanto a expansão dos lóbulos também contribui para reduzir seu brilho.
Quais evidências científicas confirmam o desaparecimento acelerado dos sinais?
O estudo foi liderado por Sushant Dutta, com participação de pesquisadores da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e de instituições internacionais. Publicado em 14 de julho de 2026 no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o artigo científico sobre as idades espectrais das galáxias remanescentes utilizou modelos de envelhecimento das partículas para estimar a evolução dos lóbulos de rádio.
Os resultados indicaram idades espectrais totais entre aproximadamente 8 e 42 milhões de anos, enquanto mapas detalhados revelaram valores locais de 3 a 43 milhões de anos. A proporção estimada da vida das fontes transcorrida após o desligamento dos jatos variou entre 4% e 83%. Esses resultados sugerem uma fase remanescente mais dinâmica do que se reconhecia anteriormente, embora não estabeleçam um único tempo de desaparecimento para todas as galáxias.
Quais diferenças existem entre galáxias ativas e galáxias remanescentes?
As galáxias com núcleos ativos capazes de produzir jatos continuam transferindo energia para seus lóbulos. Essa alimentação mantém populações de elétrons energéticos e pode sustentar grandes estruturas luminosas por milhões de anos. Nas fontes remanescentes, a emissão continua existindo, mas deixa de receber partículas novas do mecanismo central.
A análise também mostrou que identificar essa diferença exige observações detalhadas. Duas das 14 candidatas inicialmente classificadas como remanescentes apresentaram sinais compatíveis com atividade contínua. Isso demonstra que uma fonte fraca ou sem núcleo claramente detectável não está necessariamente desligada.
| Indicador | Resultado da pesquisa |
|---|---|
| Galáxias analisadas | 14 candidatas |
| Remanescentes confirmadas | 12 galáxias |
| Fontes ainda ativas | 2 galáxias |
| Idades espectrais totais | 8 a 42 milhões de anos |
| Frequências observadas | 144 MHz a 1,5 GHz |
O que a descoberta revela sobre o ciclo de vida dos buracos negros?
Os resultados ajudam a compreender a alternância entre períodos de atividade e repouso dos núcleos galácticos. Quando os jatos estão ativos, podem aquecer o gás ao redor e interferir na formação de novas estrelas. Mesmo depois do desligamento, os lóbulos remanescentes continuam influenciando o ambiente durante algum tempo.
A descoberta também tem consequências para futuros levantamentos realizados pelo Square Kilometre Array (SKA), conjunto internacional de radiotelescópios em desenvolvimento. Instrumentos mais sensíveis poderão identificar fontes cada vez mais fracas e reconstruir melhor os episódios de atividade dos buracos negros. O estudo não significa que as galáxias estejam morrendo por completo, mas que uma fase específica de sua emissão de rádio pode desaparecer rapidamente das observações.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)