Formigas-de-fogo podem receber uma isca que silencia genes e pesquisadores testam ataque mais específico contra a invasora
CSIRO desenvolve iscas de RNA capazes de interromper funções essenciais da invasora antes de futuros testes fora do laboratório
Pesquisadores da CSIRO, na Austrália, estão desenvolvendo uma abordagem que tenta usar a própria genética da formiga-de-fogo contra ela. A estratégia emprega interferência de RNA, ou RNAi, para interromper temporariamente mensagens usadas pelas células na produção de proteínas essenciais. Em laboratório, diferentes sequências já afetaram sobrevivência, alimentação, comunicação, digestão, reprodução e desenvolvimento. A proposta é transformar essas moléculas em iscas específicas para Solenopsis invicta, reduzindo efeitos sobre espécies que não são alvo.
Como a formiga-de-fogo pode ter genes silenciados?
Genes armazenam instruções no DNA, mas a produção de proteínas depende de moléculas intermediárias de RNA mensageiro. Na interferência de RNA, uma sequência complementar de RNA de dupla fita reconhece uma mensagem específica e impede que ela seja utilizada normalmente pela célula.
A técnica não altera permanentemente o DNA da formiga. O objetivo é interromper temporariamente genes cuja atividade seja necessária para funções vitais. A CSIRO procura pequenas regiões genéticas características da espécie para aumentar a precisão e reduzir a possibilidade de atingir outros organismos.
Quais funções os pesquisadores estão tentando interromper?
A equipe trabalha com vários fragmentos genéticos e também testa combinações para verificar se determinados conjuntos geram respostas mais fortes ou consistentes. Entre as funções investigadas estão reprodução, comunicação, alimentação e digestão, todas importantes para a manutenção de uma colônia social.
O efeito de silenciar um gene, porém, não é avaliado apenas pela redução de sua atividade. Os cientistas medem consequências sobre mortalidade, comportamento, desenvolvimento e capacidade reprodutiva. Testes anteriores apresentados ao Parlamento australiano registraram mortalidade superior a 50% em alguns ensaios experimentais.
- Silenciamento de genes essenciais;
- Redução da sobrevivência;
- Alteração da alimentação;
- Interferência na reprodução;
- Impacto sobre o desenvolvimento da colônia.
Este vídeo da ABC mostra o problema das formigas-de-fogo invasoras na Austrália.
Como a isca consegue chegar a uma colônia inteira?
Esse é um dos maiores desafios do projeto. Não basta produzir uma molécula que funcione em uma formiga isolada. O RNA precisa permanecer estável no ambiente, sobreviver à passagem pelo sistema digestivo e continuar funcional enquanto o alimento é carregado para dentro do ninho.
Depois, operárias precisam compartilhar a isca com outros indivíduos da colônia. A equipe utiliza uma molécula de RNAi patenteada pela CSIRO e trabalha em formulações capazes de aumentar estabilidade e eficácia. A meta futura é produzir uma isca barata, distribuível e compatível com programas de controle em larga escala.
Por que a interferência de RNA pode ser mais específica que inseticidas?
Tratamentos convencionais continuam essenciais para o programa australiano de erradicação, mas substâncias de amplo espectro podem afetar organismos além das formigas-alvo. A RNAi permite selecionar sequências presentes em genes específicos de S. invicta, tornando possível desenhar um controle molecular mais direcionado.
O National Fire Ant Eradication Program participa dos experimentos e destaca que a tecnologia poderá complementar os métodos existentes, não necessariamente substituí-los. Antes de qualquer aplicação ampla, será preciso demonstrar eficácia, estabilidade, segurança ambiental e atender às exigências regulatórias australianas.

Em que estágio está essa nova estratégia contra a formiga-de-fogo?
Os testes continuam em laboratório. A CSIRO informou que os resultados vêm melhorando conforme novos fragmentos e combinações são avaliados, mas a tecnologia ainda não chegou aos testes externos necessários para validar seu funcionamento em ambientes reais e colônias naturais.
Isso significa que ainda não existe uma isca de RNAi disponível comercialmente contra a espécie. Mesmo resultados promissores em laboratório precisam superar dificuldades como degradação do RNA, quantidade ingerida, distribuição entre castas e diferenças de comportamento das colônias.
| Etapa | Situação |
|---|---|
| Escolha dos genes | Vários alvos já testados |
| Ensaios laboratoriais | Resultados promissores |
| Distribuição por isca | Formulação em desenvolvimento |
| Uso em campo | Ainda não autorizado |
Por que controlar essa formiga virou prioridade na Austrália?
A formiga-de-fogo-vermelha importada pode formar colônias densas, atacar pessoas e animais e alterar comunidades ecológicas. Autoridades australianas estimam que sua disseminação sem controle teria impactos econômicos, agrícolas, sanitários e ambientais muito elevados.
A interferência de RNA amplia o conjunto de ferramentas disponíveis, mas ainda precisa provar que consegue derrubar colônias inteiras fora do laboratório. Se isso ocorrer com alta especificidade, a formiga-de-fogo poderá se tornar um dos primeiros grandes alvos de uma nova geração de controles de pragas baseados em silenciamento genético.
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