Filhotes órfãos de coruja recebem comida de fantoches para não aprender que mãos humanas significam alimento
Quatro corujas resgatadas no Pará são alimentadas por fantoches que imitam aves adultas para preservar seus comportamentos naturais antes da soltura
Quatro filhotes de coruja-suindara (Tyto furcata) encontrados dentro de uma sacola plástica em Benevides, no Pará, estão recebendo cuidados especiais em Belém. Para alimentá-los, profissionais utilizam fantoches com aparência de coruja adulta e escondem o próprio rosto. A estratégia, conhecida como manejo anti-imprinting, busca impedir que as aves associem seres humanos à alimentação e comprometam sua futura sobrevivência na natureza.
Como quatro filhotes de coruja-suindara chegaram ao centro de reabilitação?
As aves foram encontradas em um terreno baldio de Benevides, município da Região Metropolitana de Belém. Segundo as informações divulgadas em outubro de 2026, os filhotes estavam dentro de uma sacola plástica, sem a presença dos pais, quando foram resgatados e encaminhados para atendimento especializado.
O grupo passou a ser acompanhado pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (Cetras/UFRA). A médica-veterinária residente Rayanne Silveira explicou que os animais apresentam diferentes estágios de desenvolvimento, exigindo cuidados individualizados durante alimentação, crescimento e recuperação.
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Por que a coruja-suindara precisa ser alimentada por um fantoche?
Durante a alimentação, os cuidadores cobrem o corpo com roupas e utilizam máscaras para esconder a aparência humana. Uma das mãos fica protegida por um fantoche que reproduz a cabeça de uma coruja adulta, simulando o momento em que os pais oferecem alimento aos filhotes.
A técnica reúne medidas destinadas a reduzir associações inadequadas:
- O fantoche representa visualmente uma coruja adulta;
- A máscara impede a identificação do rosto humano;
- As roupas escondem características do corpo do cuidador;
- O alimento é oferecido com mínimo contato desnecessário;
- O acompanhamento permite avaliar o desenvolvimento individual.

Como o imprinting pode prejudicar o comportamento de uma coruja criada por humanos?
O imprinting, também chamado de estampagem ou cunhagem, é um processo de aprendizagem que ocorre em períodos sensíveis do desenvolvimento. Dependendo da espécie, filhotes podem estabelecer preferências duradouras por determinados estímulos, incluindo características dos animais responsáveis por seus cuidados.
A habituação é um fenômeno diferente: corresponde à redução da resposta diante de estímulos repetidos, como a presença humana. Ambos podem comprometer a reabilitação quando a ave perde comportamentos de defesa ou procura pessoas para obter alimento. O fantoche reduz esses riscos, mas não substitui outras etapas do manejo.
Quais pesquisas científicas explicam o uso de fantoches na reabilitação de corujas?
Um trabalho apresentado nos anais científicos da Universidade Federal Rural da Amazônia, publicado em janeiro de 2025, aborda a utilização de um crânio de Megascops choliba na confecção de fantoche destinado à alimentação de filhotes órfãos.
A técnica também aparece em manuais internacionais de reabilitação de aves. Essas orientações recomendam reduzir a exposição visual aos humanos e, sempre que possível, utilizar pais adotivos da mesma espécie. Entretanto, ainda faltam resultados comparativos sobre a eficácia específica dos fantoches utilizados nos quatro filhotes resgatados no Pará.
Quais cuidados determinam quando a coruja-suindara poderá voltar à natureza?
Os quatro filhotes devem permanecer sob acompanhamento durante várias semanas. Nesse período, precisam desenvolver penas, musculatura, coordenação de voo e capacidade de capturar presas. A equipe também acompanha alimentação, estado clínico e respostas comportamentais diante de situações desconhecidas.
A soltura não possui data confirmada. O manejo procura garantir que as aves reconheçam estímulos naturais e mantenham comportamentos de defesa, especialmente porque a coruja-suindara desempenha importante função ecológica no controle de populações de pequenos animais.
| Etapa do cuidado | Objetivo da reabilitação |
|---|---|
| Resgate | Proteção dos quatro filhotes encontrados em Benevides |
| Alimentação com fantoche | Reduzir associação entre humanos e alimento |
| Crescimento | Acompanhar saúde e desenvolvimento das penas |
| Preparação comportamental | Desenvolver voo, caça e respostas de defesa |
| Avaliação para soltura | Verificar condições de sobrevivência independente |
Por que evitar o contato humano é importante para a sobrevivência das corujas?
A coruja-suindara, conhecida regionalmente como rasga-mortalha, caça principalmente pequenos mamíferos e outros animais. Sua sobrevivência depende de localizar presas, voar silenciosamente e evitar ameaças. Uma ave excessivamente habituada às pessoas pode apresentar comportamentos inadequados em ambientes naturais.
O uso dos fantoches não garante uma reintrodução bem-sucedida, mas integra medidas preventivas reconhecidas na reabilitação de aves. Nenhuma soltura dos quatro filhotes havia sido confirmada nas informações consultadas. O resultado dependerá de avaliações veterinárias e comportamentais, realizadas antes de qualquer decisão sobre o retorno à natureza.
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