Ferran Adrià, o chef que revolucionou a gastronomia no elBulli: “estou há 14 anos sem cozinhar e sou mais feliz”
Ferran Adrià, ex-chef do elBulli, diz estar há 14 anos sem cozinhar e ser mais feliz e revela como a fama de "melhor do mundo" quase o destruiu
Ferran Adrià, o chef que revolucionou a gastronomia à frente do elBulli, resumiu a própria reinvenção: “estou há 14 anos sem cozinhar — e sou mais feliz”. A fama de melhor chef do mundo, segundo ele, quase o destruiu antes disso.
Quem é Ferran Adrià e o que ele revolucionou no elBulli?
Adrià chegou ao elBulli em 1984 como chef e virou sócio do restaurante, ao lado de Juli Soler, em 1990 — o início de uma parceria que redefiniria a alta gastronomia mundial.
Em entrevista ao podcast espanhol Talent, da Hostelería, repercutida pelo elmira.es, ele falou sobre pressão, gestão e reinvenção de carreira.
Una delicia ver a Ferran Adrià explicarse y corregir a Sostres en cada respuesta. pic.twitter.com/7VA4FYgsWk
— FrankBascombe (@FrankTornen) June 5, 2022
Por que ele parou de cozinhar há 14 anos?
Na entrevista, a frase é direta: “estou há 14 anos sem cozinhar, e sou mais feliz”. O tempo bate com o fechamento do elBulli como restaurante, em 2011.
Ele não descreve isso como um fim, mas como uma virada de página — trocar o fogão por gestão, pesquisa e formação através da elBulliFoundation.
O que a fama de “melhor do mundo” custou a ele?
Adrià fala abertamente sobre como a pressão de ser tratado como o melhor chef do mundo, ano após ano, quase o destruiu — um relato sóbrio sobre saúde mental sob os holofotes, sem entrar em diagnóstico ou detalhe clínico.
A leitura que ele mesmo propõe não é de queda, mas de reinvenção: sair no auge, antes que a pressão continuasse cobrando um preço cada vez mais alto.
Adrià diz viver de rendas próprias — o dinheiro da fundação tem outro destino.
€ 16 milhões
é o patrimônio da elBulliFoundation, segundo o próprio Adrià
Ele afirma não receber um euro sequer da fundação — o valor é destinado a pesquisa e formação culinária.
No que ele investe o tempo hoje, em vez de cozinhar?
Hoje, Adrià dedica o tempo à elBulliFoundation, focada em pesquisa, inovação e formação de novos profissionais da cozinha — um papel de gestão e curadoria, não mais de execução na cozinha.

Como foi a trajetória do elBulli até o fechamento?
Para situar a carreira dele, vale colocar cinco datas lado a lado:
- 1984: Ferran Adrià chega ao elBulli como chef.
- 1990: torna-se sócio do restaurante, ao lado de Juli Soler.
- 2002 a 2009: o elBulli é eleito cinco vezes o melhor restaurante do mundo pela The World’s 50 Best Restaurants.
- 2011: o restaurante fecha as portas como estabelecimento gastronômico.
- 2013: nasce oficialmente a elBulliFoundation, dedicada a pesquisa e educação culinária.
Essa mesma tensão entre desempenho no topo e saúde mental já apareceu quando exploramos o conceito de sociedade do desempenho, de Byung-Chul Han.

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