Qual frase está correta: “Faz 10 anos que moro aqui” ou “Fazem 10 anos que moro aqui”? Teste se você ainda lembra a regra
O segredo está em perceber qual função o verbo fazer exerce na frase
Duas formas muito parecidas circulam na fala, mas a norma-padrão faz uma distinção clara quando o verbo fazer indica tempo decorrido. O detalhe está em perceber que “10 anos” não funciona como sujeito da oração, mesmo aparecendo no plural.
Qual das duas frases está correta?
A forma recomendada pela norma-padrão é “Faz 10 anos que moro aqui”. Nesse uso, o verbo fazer indica tempo transcorrido e funciona como verbo impessoal, por isso permanece na terceira pessoa do singular.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina resume a regra com exemplos como “faz cinco anos” e “fazia dois dias”. O número da expressão de tempo não faz o verbo ir para o plural.

Por que “fazem 10 anos” parece tão natural?
Porque o plural de “10 anos” pode dar a impressão de que o verbo precisa concordar com ele. Mas, nesse caso, a expressão marca apenas a duração transcorrida e não exerce a função de sujeito.
Essa regra muda quando a frase vai para o passado ou para o futuro?
Não. Quando fazer mantém o sentido de tempo decorrido, ele continua impessoal. Por isso, aparecem construções como “fazia dez anos”, “fez dois meses” e, em locuções, “vai fazer três anos”.
O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa também registra o uso de “faz dez anos” como construção típica do português brasileiro.
- Presente: faz dez anos que moro aqui.
- Pretérito imperfeito: fazia dez anos que morava ali.
- Pretérito perfeito: fez dez anos desde a mudança.
- Locução verbal: vai fazer dez anos que cheguei.
Quando “fazem” pode estar correto?
“Fazem” está correto quando o verbo tem sujeito no plural. A palavra não é proibida. O que muda é o sentido da frase: se “fazer” significa realizar, produzir ou executar algo, ele concorda normalmente com o sujeito.
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Qual teste simples ajuda a lembrar?
Troque mentalmente a expressão por uma duração diferente. Se a frase continuar indicando quanto tempo passou, mantenha fazer no singular: “faz uma hora”, “faz duas horas”, “faz dez anos”.
A armadilha está justamente no plural da duração. Ele muda o número do tempo mencionado, mas não cria um sujeito para o verbo. Em textos formais, provas e redações, reconhecer esse uso impessoal evita um erro de concordância muito comum.
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