Extinta há mais de 100 anos, espécie de mamífero volta aos campos e ambientalistas ficam sem palavras
Apesar de pouco conhecido pelo grande público, ele desempenha funções importantes no equilíbrio dos ecossistemas.
Uma espécie extinta na natureza ganhou uma segunda chance no Uruguai. Após mais de um século sem presença registrada no país, o pecari-de-colar voltou a ocupar seu habitat natural graças a um projeto de reintrodução realizado em 2017.
A iniciativa devolveu à fauna local um mamífero nativo e reacendeu a esperança de recuperar ambientes afetados pela pressão humana e pela perda de áreas naturais.
Qual é o animal que voltou à natureza após um século?
O pecari-de-colar, também conhecido como cateto em partes da América do Sul, é um mamífero silvestre que vive em grupos e ocupa campos, matas e áreas de transição. Apesar de pouco conhecido pelo grande público, ele desempenha funções importantes no equilíbrio dos ecossistemas.
No Uruguai, a espécie desapareceu localmente há mais de 100 anos. A perda foi associada à pressão humana, às mudanças no habitat e à redução de áreas naturais, problemas que ameaçam diversas populações de animais silvestres.
Como quase 100 animais foram devolvidos ao habitat natural?
Em 2017, quase 100 exemplares de Pecari tajacu foram reintroduzidos na natureza, segundo informações do governo uruguaio. A iniciativa contou com manejo dos animais, coordenação ambiental e participação do Bioparque M’Bopicuá.
O processo exigiu planejamento para aumentar as chances de adaptação e sobrevivência. Entre as principais etapas estão:
- Seleção dos animais: escolha de exemplares saudáveis e capazes de viver em grupos.
- Preparação do ambiente: identificação de áreas com alimento, abrigo e menor interferência humana.
- Soltura planejada: realização do procedimento com autorização ambiental e acompanhamento técnico.
- Monitoramento contínuo: observação da adaptação, da sobrevivência e de possíveis sinais de reprodução.

Por que o retorno de uma espécie quase extinta como o pecari-de-colar é importante para o ecossistema?
A volta do mamífero representa uma oportunidade de recuperar funções ecológicas que ficaram comprometidas durante sua ausência. O pecari-de-colar contribui para a movimentação do solo, a dispersão de sementes e a dinâmica da cadeia alimentar.
Sua presença também reforça a diversidade dos campos uruguaios. A recuperação de um ecossistema depende não apenas de grandes predadores ou de espécies famosas, mas também de animais que exercem funções menos perceptíveis no ambiente.
Quais números mostram a dimensão dessa recuperação?
Três dados ajudam a entender a importância da iniciativa e o desafio de restabelecer uma população silvestre no país:
Um século depois, uma nova chance para a natureza
Três números ajudam a dimensionar o esforço para devolver o pecari-de-colar ao ambiente natural no Uruguai.
Período em que a espécie esteve ausente da natureza uruguaia.
Momento em que os animais foram devolvidos ao ambiente natural.
Exemplares envolvidos na iniciativa de recuperação da espécie.
Os marcos da recuperação
A soltura de um grupo relativamente numeroso favorece a formação de bandos, característica importante para uma espécie de comportamento social.
Ainda assim, a reintrodução não garante, por si só, que a população conseguirá se manter a longo prazo.
O que precisa acontecer para uma espécie quase extinta continuar sobrevivendo?
O sucesso da iniciativa depende da proteção do habitat e do acompanhamento da população ao longo dos anos. Sem condições adequadas para alimentação, abrigo e reprodução, a volta dos animais pode representar apenas um episódio isolado, sem garantir uma população estável.
O caso uruguaio demonstra que a extinção local nem sempre precisa ser definitiva. Com planejamento, autorização ambiental, manejo responsável e monitoramento contínuo, projetos de conservação podem abrir caminho para recuperar espécies que desapareceram de determinadas regiões há décadas.
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