Estudo pioneiro descobre que droga reduz o sono excessivo para quem trabalha de manhã cedo
Um avanço científico recente pode mudar a rotina de milhões de pessoas que começam a trabalhar de manhã cedo, antes mesmo do sol nascer.
Um avanço científico recente pode mudar a rotina de milhões de pessoas que começam a trabalhar de manhã cedo, antes mesmo do sol nascer. Um estudo clínico pioneiro identificou que o medicamento solriamfetol, já utilizado em distúrbios do sono, demonstrou eficácia significativa na redução da sonolência excessiva em trabalhadores de turnos matinais.
A pesquisa foi conduzida por especialistas do Mass General Brigham e publicada na revista científica NEJM Evidence, destacando uma abordagem inovadora para um problema frequentemente negligenciado: o impacto biológico de jornadas iniciadas ainda de madrugada.
O desafio invisível dos turnos matinais
Embora o trabalho noturno seja amplamente associado a problemas de sono, especialistas alertam que os turnos iniciados nas primeiras horas da manhã também representam um risco relevante.
Isso ocorre porque o corpo humano segue um ritmo circadiano natural, programado para dormir durante a noite.
Segundo os pesquisadores, muitos profissionais que começam a trabalhar entre 3h e 7h da manhã não se consideram “trabalhadores por turno”, mas enfrentam sintomas semelhantes aos de quem atua à noite — incluindo fadiga intensa, dificuldade de concentração e maior risco de acidentes.
O que mostrou o estudo pioneiro sobre o sono?
O ensaio clínico avaliou trabalhadores diagnosticados com distúrbio do sono relacionado ao trabalho em turnos.
Os participantes receberam o medicamento Solriamfetol, comercializado como Sunosi, ou placebo ao longo de quatro semanas.
Os resultados foram claros:
| 🧪 O que mostrou o estudo |
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RESULTADO PRINCIPAL Redução significativa da sonolência Participantes apresentaram menor sensação de cansaço ao longo do dia, indicando melhora consistente na vigília. |
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DESEMPENHO COGNITIVO Mais alerta e foco Houve aumento relevante na capacidade de atenção e no estado de alerta durante atividades diárias. |
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VALIDAÇÃO CLÍNICA Melhora confirmada por médicos e pacientes Os benefícios foram observados tanto em avaliações clínicas quanto na percepção dos próprios participantes. |
Além disso, o estudo apontou um ganho mensurável na capacidade de permanecer acordado por mais tempo, um fator crucial para funções que exigem atenção contínua.
Por que o solriamfetol chamou atenção
O medicamento já é aprovado para tratar sonolência excessiva em pessoas com narcolepsia e apneia do sono.
Seu diferencial está no mecanismo de ação: ele atua como um inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina, promovendo maior estado de vigília sem comprometer o sono posterior.
Essa característica o torna especialmente promissor para trabalhadores que precisam estar alertas em horários biologicamente desfavoráveis.

Um estudo pioneiro
De acordo com os autores, esta é a primeira pesquisa clínica focada especificamente em trabalhadores de turnos matinais — um grupo que representa uma parcela significativa da força de trabalho global.
“Até agora, nenhum estudo havia investigado tratamentos para esse perfil específico de trabalhadores”, destacou o pesquisador Charles Czeisler, um dos responsáveis pela pesquisa.
A descoberta preenche uma lacuna importante na medicina do sono e abre caminho para novas abordagens terapêuticas.
Impactos na saúde e na produtividade
Especialistas apontam que a sonolência excessiva não afeta apenas o bem-estar individual, mas também a segurança e a produtividade no trabalho. Profissionais que atuam em áreas críticas — como saúde, transporte e indústria — podem ser diretamente beneficiados por soluções eficazes.
Com cerca de 1 em cada 4 trabalhadores atuando fora do horário tradicional, os resultados do estudo têm potencial para impactar milhões de pessoas em todo o mundo.
Próximos passos
Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam a necessidade de novos estudos para avaliar o uso do medicamento em outros tipos de turnos, como o noturno e o rotativo.
Ainda assim, a descoberta já representa um marco importante na busca por soluções para os desafios do trabalho moderno — especialmente em um mundo cada vez mais ativo 24 horas por dia.
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