Este dinossauro morreu há cerca de 67 milhões de anos e ainda preservou parte da pele, mas as marcas encontradas nela mostraram que sua carcaça não ficou intacta
Perfurações e marcas de alimentação revelaram que o raro Edmontosaurus foi parcialmente consumido antes de sua pele ser fossilizada
Um Edmontosaurus encontrado na Formação Hell Creek, em Dakota do Norte, preservou extensas áreas de pele mesmo depois de permanecer exposto antes do soterramento. O exemplar, apelidado de Dakota, apresentou perfurações, sulcos e danos compatíveis com a ação de carnívoros. Em vez de destruir qualquer possibilidade de preservação, o consumo parcial da carcaça pode ter contribuído para o processo que permitiu à pele resistente sobreviver até a fossilização.
O que torna Dakota um fóssil tão incomum?
Dakota corresponde ao espécime NDGS 2000, um esqueleto parcial de Edmontosaurus proveniente da Formação Hell Creek, no sudoeste de Dakota do Norte. Essa unidade geológica pertence ao final do Cretáceo, e o animal viveu aproximadamente 67 milhões de anos atrás, portanto um pouco antes da extinção em massa ocorrida há 66 milhões de anos.
O destaque está na preservação tridimensional de grandes áreas da pele, além de estruturas associadas aos membros e à cauda. Análises anteriores também encontraram características microscópicas e compostos associados ao tecido original, embora o fóssil tenha passado por extensa mineralização ao longo de milhões de anos.
Que marcas mostraram que a carcaça foi atacada por outros animais?
A preparação de regiões anteriormente escondidas revelou danos que não haviam cicatrizado. No membro dianteiro direito, parte da pele foi rasgada, virada e puxada para baixo, expondo tecidos e ossos. Os pesquisadores contabilizaram pelo menos 17 perfurações nessa área, além de outras marcas próximas.
A cauda também apresenta sulcos profundos e perfurações, enquanto marcas nos ossos do úmero e do rádio são compatíveis com mordidas de um crocodiliforme. Os autores consideram que pelo menos dois grandes carnívoros podem ter interagido com os restos, embora não seja possível identificar com segurança todos os responsáveis.
- Pelo menos 17 perfurações foram registradas em uma área de pele do membro anterior.
- Parte da pele foi arrancada e deslocada durante a alimentação.
- Ossos também apresentam marcas de mordidas.
- A cauda preservou sulcos e perfurações profundas.
- Os ferimentos não apresentam sinais de cicatrização.
Este vídeo apresenta Dakota e mostra de perto a preservação extraordinária de sua pele no museu de Dakota do Norte.
Como Dakota preservou pele mesmo depois de ser parcialmente consumido?
Durante muito tempo, fósseis desse tipo foram associados principalmente à ideia de soterramento extremamente rápido, que isolaria a carcaça de predadores, microrganismos e decomposição. Dakota apresentou um problema para essa explicação: os danos demonstram que o cadáver permaneceu acessível tempo suficiente para ser manipulado e parcialmente consumido.
A interpretação proposta no estudo é quase o inverso. Ao abrirem a carcaça, os consumidores permitiram que gases, líquidos e microrganismos associados à decomposição escapassem mais facilmente. Partes mais resistentes da pele puderam então secar durante semanas ou meses antes do soterramento definitivo.
As marcas permitem saber exatamente qual animal comeu o dinossauro?
Nem todas. Pele é elástica e pode deformar durante uma mordida, durante a decomposição ou durante processos posteriores de fossilização. Por isso, o formato de uma perfuração em tecido mole não funciona como uma impressão perfeita dos dentes responsáveis pelo dano.
Há evidência mais específica nos ossos. Marcas presentes no úmero e no rádio foram consideradas diagnósticas de crocodiliformes, enquanto outros danos podem ter sido produzidos por animais diferentes. Entre os possíveis carnívoros daquele ecossistema estavam crocodiliformes, grandes deinonicossauros e Tyrannosaurus rex juvenis.

Quais evidências de Dakota sustentam essa reconstrução?
Os pesquisadores combinaram observações da pele, ossos, sedimentos e tomografia computadorizada. O conjunto indica que não havia tecidos internos preservados comparáveis às áreas de pele, enquanto membros e cauda exibiam uma cobertura dérmica desidratada e achatada sobre ossos ainda articulados.
O próprio estudo científico detalha como esses elementos sustentam um modelo de desidratação após consumo incompleto da carcaça. Leia o estudo publicado na PLOS ONE.
| Evidência | Interpretação |
|---|---|
| Pele rasgada | Manipulação da carcaça por carnívoros |
| Pelo menos 17 perfurações | Danos produzidos próximo ou após a morte |
| Marcas no úmero e rádio | Compatíveis com crocodiliforme |
| Pele desidratada | Secagem anterior ao soterramento |
Por que Dakota mudou a explicação sobre as “múmias” de dinossauros?
O fóssil demonstra que pele preservada não exige necessariamente uma carcaça completamente protegida logo após a morte. Dakota foi atacado, parcialmente aberto, sofreu decomposição e permaneceu algum tempo exposto, mas ainda conservou tecidos dérmicos suficientemente resistentes para atravessar as etapas posteriores de fossilização.
Essa descoberta ampliou os cenários nos quais paleontólogos podem esperar encontrar pele fossilizada. Paradoxalmente, os animais que consumiram partes do corpo podem ter ajudado indiretamente na preservação do restante, ao facilitar drenagem e desidratação. Isso não torna a fossilização comum, mas mostra que uma carcaça não precisava permanecer intacta para produzir uma “múmia” de dinossauro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)