Esta cidade flutuante consegue produzir quase 2 milhões de litros de água doce por dia no meio do oceano
Uma instalação escondida sob os conveses mantém milhares de torneiras funcionando durante semanas longe da costa
Milhares de passageiros tomam banho, bebem, cozinham, lavam roupas e utilizam áreas de lazer enquanto o navio permanece dias longe de qualquer rede pública. Por trás das torneiras existe uma instalação industrial capaz de transformar continuamente o oceano em uma reserva segura para uma verdadeira cidade flutuante.
Por que um cruzeiro gigante não leva toda a água nos tanques?
Armazenar antes da partida tudo o que será consumido durante uma viagem exigiria tanques enormes. Além de ocupar espaços valiosos, cada milhão de litros acrescentaria aproximadamente mil toneladas à massa embarcada, afetando o consumo de combustível, a estabilidade e a capacidade destinada a alimentos, equipamentos e passageiros.
Os cruzeiros ainda recebem água tratada nos portos, procedimento conhecido como abastecimento ou bunkering. Essa reserva funciona como complemento e segurança operacional. Porém, nos navios modernos, boa parte da demanda é atendida por sistemas instalados abaixo dos conveses, capazes de trabalhar durante a navegação.
Leia também: A sonda lançada nos anos 1970 que já está a mais de 25 bilhões de quilômetros e leva quase dois dias para responder
Como a água em cruzeiros é produzida no meio do oceano?
A solução é dessalinizar a água do mar por dois processos principais: osmose reversa e evaporação a vácuo. Existem navios que combinam os dois métodos, enquanto outros utilizam prioritariamente aquele que melhor se adapta à potência disponível, à rota, ao espaço técnico e ao projeto da embarcação.
Os principais passos realizados a bordo incluem:
- Captação da água do mar longe de áreas contaminadas
- Remoção de partículas por filtros preliminares
- Separação dos sais por membranas ou evaporação
- Monitoramento constante da salinidade produzida
- Correção do pH e adição controlada de minerais
- Desinfecção antes do armazenamento nos tanques
No vídeo “How Ships Convert Sea Water to Fresh Water”, o canal Chief MAKOi apresenta o funcionamento de um gerador marítimo e explica como o calor disponível nas máquinas permite evaporar água do mar sob baixa pressão.
Qual é a diferença entre osmose reversa e evaporação?
Na osmose reversa, bombas de alta pressão empurram a água salgada contra membranas semipermeáveis. As moléculas de água atravessam os pequenos canais, enquanto a maior parte dos sais e de outras impurezas permanece em uma corrente concentrada, chamada salmoura, que recebe destinação controlada.
O evaporador trabalha de maneira diferente. Dentro de uma câmara com pressão reduzida, a água entra em ebulição a uma temperatura muito inferior aos 100 °C exigidos ao nível do mar. Assim, o sistema pode aproveitar calor residual dos motores, transformar parte da água em vapor e condensá-la novamente sem carregar o sal.
Quanto de água em cruzeiros pode ser gerado diariamente?
A capacidade depende do tamanho e do projeto de cada embarcação. Plantas desenvolvidas para grandes navios com cerca de seis mil pessoas podem alcançar aproximadamente 1.980 metros cúbicos por dia, o equivalente a 1,98 milhão de litros. Dessa forma, a referência de dois milhões de litros diários é tecnicamente plausível para determinados cruzeiros, mas não representa todos os navios.
| Etapa do sistema | O que acontece | Função principal | Controle necessário |
|---|---|---|---|
| Captação | Água do mar entra por tomadas no casco | Alimentar a planta de dessalinização | Localização e qualidade da água externa |
| Pré-filtragem | Partículas e sedimentos são removidos | Proteger membranas e equipamentos | Pressão e condição dos filtros |
| Dessalinização | Sais são separados por membranas ou vapor | Produzir água com baixa salinidade | Condutividade e concentração de sais |
| Pós-tratamento | pH, minerais e desinfecção são ajustados | Tornar a água adequada ao uso humano | Parâmetros sanitários e microbiológicos |
| Armazenamento | Água tratada segue para tanques protegidos | Equilibrar produção e consumo | Nível, limpeza e cloro residual |
A Carnival Cruise Line informa que sua água potável pode ser carregada em terra ou produzida a bordo por osmose reversa e evaporadores. A companhia também esclarece que a água destinada a beber, cozinhar, tomar banho e abastecer banheiras passa por tratamento e controle sanitário.
A água produzida pela dessalinização já sai pronta para beber?
Logo após a separação do sal, a água pode apresentar baixa mineralização e características químicas inadequadas para distribuição imediata. Por isso, ela passa por pós-tratamento. Minerais podem ser reincorporados, o pH é corrigido e agentes desinfetantes são aplicados em concentrações controladas.
Sensores verificam continuamente salinidade, pressão, temperatura e qualidade. Caso o produto fique fora dos limites programados, válvulas automáticas impedem que ele siga para os tanques potáveis. Então, somente a água aprovada entra na rede que alimenta cabines, cozinhas, restaurantes e áreas operacionais.

Para onde vão os dois milhões de litros de água em cruzeiros?
Uma parcela abastece torneiras, chuveiros, cozinhas, lavanderias e sistemas de limpeza. Piscinas podem utilizar água doce ou salgada, dependendo do navio e da instalação, enquanto equipamentos técnicos possuem circuitos próprios. Portanto, não é correto imaginar que toda a produção seja destinada apenas ao consumo direto dos passageiros.
A embarcação também controla o gasto com torneiras econômicas, equipamentos de lavanderia eficientes e reaproveitamento de condensado dos sistemas de climatização. Assim, produzir água no oceano não elimina a necessidade de economizar: quanto menor a demanda, menos energia será usada na dessalinização, no tratamento, no bombeamento e no aquecimento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)