Esse relógio custa o mesmo que um apartamento inteiro e o motivo vai te deixar irritado
Escassez calculada e filas de espera transformam compra em conquista emocional valiosa
Relógio de luxo costuma ser apresentado como obra de arte no pulso, mas o bastidor é bem diferente. Mais do que marcar as horas, essa indústria vende status, escassez calculada e um jogo psicológico que transforma um objeto minúsculo em algo mais caro que um apartamento.
Como um simples relógio virou símbolo de poder?
No começo, relógio era ferramenta de navegação e guerra, guardado no bolso de navegadores e aristocratas como Luís XIV. Medir o tempo era privilégio e sinal de controle sobre recursos e território.
Com a Primeira Guerra Mundial, o relógio saiu do bolso para o pulso dos soldados, virou item prático no campo de batalha e, no pós-guerra, foi adotado pelos civis. Aos poucos, ganhou status de joia que expressa personalidade e prestígio.

Por que relógios de luxo custam mais que um apartamento?
Modelos como o Patek Philippe Nautilus 5740 em ouro branco chegam a valores próximos de R$ 1,17 milhão, diferença de “mil reais” para um imóvel completo na Vila Mariana, em São Paulo. Essa comparação escancara como boa parte do preço está ligada ao desejo.
Além de materiais nobres e movimentos mecânicos complexos que podem levar até um ano, o preço carrega o chamado efeito Veblen: quanto mais caro o relógio, mais ele se torna desejado como símbolo de exclusividade e pertencimento a um clube fechado.
Como as marcas manipulam o desejo por relógios de luxo?
Casos como o de Thiago Nigro, que teve dificuldade para comprar um Patek na Suíça mesmo com dinheiro na mão, ilustram a estratégia de escassez. Poucos modelos, listas de espera com “50 famílias na frente” e a mensagem de que aquele produto não é para qualquer um.
Essa lógica transforma a compra em conquista emocional e cria um ciclo em que o consumidor implora para ter acesso. As principais estratégias incluem:
- Escassez controlada com produção limitada e filas de espera;
- Marketing pesado em esportes, música e cinema para associar a marca a sucesso;
- Narrativa de herança com tradição de séculos e ideia de peça que atravessa gerações.
Quer entender melhor essa indústria? Veja o vídeo com bastidores que vão te surpreender:
Relógios de luxo são realmente caros de produzir?
Ao analisar um Omega Seamaster de cerca de R$ 6.000, especialistas apontam que algo em torno de R$ 1.500 vai para produção, R$ 800 seria lucro e o restante, aproximadamente R$ 3.700, sustenta marketing, boutiques e toda a estrutura de luxo.
A divisão média fica em 25% para produção e materiais, 62% para operação e campanhas e 13% de lucro. Enquanto marcas tradicionais apostam em escassez e aumentos sem grandes melhorias, microbrands digitais vendem direto pela internet com valores mais baixos que as grifes clássicas.
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