Esse mundo gelado acabou com Plutão e ninguém esperava
Após encontrar mundos como Quaoar, Orcus e Sedna, Brown revisou manualmente imagens antigas ignoradas pelo programa
A descoberta de Éris mudou para sempre a definição de planeta e revelou que o sistema solar é muito mais complexo do que imaginávamos, com milhares de mundos gelados além de Netuno.
Como Éris foi encontrada tão longe no sistema solar?
O canal Astrum Brasil, com 402 mil inscritos, explica que a descoberta aconteceu no Observatório Palomar, na Califórnia, quando Mike Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz caçavam objetos transnetunianos usando o telescópio Samuel Oschin. Eles tiravam fotos de grandes regiões do céu e deixavam um software procurar pontos que se movessem lentamente entre as estrelas.
Após encontrar mundos como Quaoar, Orcus e Sedna, Brown revisou manualmente imagens antigas ignoradas pelo programa. Em dados de 2003 analisados em 5 de janeiro de 2005, surgiu um ponto de luz muito tênue, se movendo devagar demais para estar perto do Sol, indicando um objeto extremamente distante e provavelmente bem grande.
Por que Éris fez a astronomia brigar sobre o que é um planeta?
A equipe descobriu que o novo corpo, inicialmente chamado 2003 UB313, possuía características impressionantes que desafiaram o conceito tradicional de planeta. Estimativas indicaram que ele era mais massivo que Plutão, criando um problema direto: se Plutão era planeta, Éris também deveria ser.
A discussão chegou à União Astronômica Internacional em 2006, durante uma assembleia em Praga. Por votação, adotou-se uma definição baseada em três critérios essenciais:
- Orbitar o Sol
- Ter forma quase esférica
- “Limpar a vizinhança” de sua órbita
O que torna Éris tão diferente de Plutão?
Por anos imaginou-se que Éris fosse maior que Plutão, até uma ocultação estelar em 2010 permitir medir seu diâmetro com precisão. O resultado mostrou que Éris tem cerca de 2.326 quilômetros de diâmetro, praticamente o mesmo tamanho de Plutão, porém com 27% mais massa.
A superfície de Éris é uma das mais brilhantes conhecidas, com albedo próximo de 0,99, refletindo quase toda a luz solar que recebe. Esse brilho é explicado por um ciclo extremo: quando se afasta até quase 98 unidades astronômicas, sua atmosfera de nitrogênio e metano congela e cai como neve fresca.
Quais são as maiores curiosidades sobre Éris?
Éris não vive no Cinturão de Kuiper “clássico”, mas no chamado Disco Disperso, uma região caótica de objetos lançados para longe pela gravidade de Netuno há bilhões de anos. Sua órbita é altamente excêntrica e inclinada cerca de 44 graus em relação ao plano dos planetas.
Uma das descobertas mais marcantes foi a lua Disnomia, detectada com óptica adaptativa no telescópio Keck em 2005. A origem dessa lua provavelmente envolve um impacto gigante, deixando Disnomia com superfície escura e pobre em gelos, em contraste direto com o brilho extremo de Éris.

Quais segredos Éris ainda guarda?
Observações recentes com o Telescópio Espacial James Webb sugerem que o metano presente na superfície pode ter origem em processos geotérmicos internos, levantando a possibilidade de um núcleo ainda quente. Mesmo assim, Éris continua sendo apenas um ponto de luz para os telescópios, já que nenhuma espaçonave a visitou até hoje.
A descoberta de Éris não tirou apenas o rótulo de planeta de Plutão; ela ajudou a revelar uma terceira grande região do sistema solar, formada por milhares de planetas anões gelados além dos gigantes gasosos, convidando a explorar mais curiosidades cósmicas sobre astronomia e mundos extremos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)