Essa máquina gigante pode mudar o equilíbrio de poder mundial
Protótipo chinês de litografia EUV compete com tecnologia ocidental restrita
A disputa entre China e Ocidente pela produção de chips avançados virou uma espécie de “guerra dos cérebros” da tecnologia. No centro dessa história estão as máquinas de litografia ultravioleta extrema, os semicondutores de última geração e um projeto secreto chinês que muitos já comparam a um novo Projeto Manhattan.
Por que os chips viraram o novo campo de batalha do século 21?
O canal CORTES – Leon e Nilce, com 838 mil inscritos, explora como os semicondutores estão em praticamente tudo: celulares, computadores, carros, redes 5G, armas e, sobretudo, nos sistemas de inteligência artificial que ganham espaço em 2025. Quanto mais avançado o chip, mais poder de processamento com menos consumo de energia.
Esses chips de ponta dependem de um processo chamado litografia, uma espécie de “fotografia microscópica” que grava milhões de transistores em um pedaço de silício, o famoso wafer. O desafio é encolher esses transistores a escalas de poucos nanômetros, permitindo mais “neurônios” eletrônicos dentro de um chip minúsculo.
Quais são os principais componentes dessa disputa tecnológica?
Para entender o tamanho do desafio, vale separar os elementos da cadeia de semicondutores. Cada etapa exige especialistas, infraestrutura pesada e, muitas vezes, cooperação internacional, algo que a China procura substituir por um modelo mais autossuficiente. Veja os principais componentes:
- Design de chips feito por empresas como Apple, Nvidia, Intel, Qualcomm e Huawei
- Fabricação conduzida por gigantes como TSMC, Samsung e Intel
- Máquina de litografia de responsabilidade quase exclusiva da ASML
- Suprimentos críticos como lentes de altíssima precisão e fontes de luz a laser
- Controle geopolítico dos Estados Unidos restringindo venda de máquinas e GPUs
Como funciona a tecnologia EUV que só um país realmente controla?
Para chegar aos chips mais modernos, a indústria passou por várias fases: primeiro luz visível, depois ultravioleta (UV) e, hoje, o estágio mais avançado é o ultravioleta extremo, o EUV. É essa tecnologia que permite fabricar processadores na casa dos poucos nanômetros.
A curiosidade é que apenas uma empresa no mundo produz as máquinas de litografia EUV: a holandesa ASML. E, por pressão dos Estados Unidos, essas máquinas só podem ser vendidas para um grupo muito restrito de fabricantes: TSMC (Taiwan), Samsung (Coreia do Sul) e Intel (Estados Unidos), deixando a China formalmente fora do jogo.

Como a China e o Ocidente se comparam na corrida dos chips?
Mesmo com restrições, a China montou um projeto altamente sigiloso em um laboratório de alta segurança em Shenzhen e, no início de 2025, chegou a um protótipo de máquina capaz de competir com a litografia EUV ocidental. O equipamento ocupa quase um galpão inteiro e teria sido desenvolvido por ex-engenheiros da própria ASML.
O país já produz chips em tecnologias mais antigas com litografia UV, como os processadores Kirin da Huawei, que operam em faixas como 7 nm. Compare as diferenças entre os dois blocos:
A China consegue mesmo alcançar o bloco ocidental em chips?
O protótipo chinês é visto como um passo grande, mas está longe de encerrar a disputa. A própria ASML levou cerca de duas décadas entre o primeiro protótipo de EUV e a produção em larga escala para a indústria.
Enquanto o projeto chinês ainda depende de peças reaproveitadas e ocupa um galpão inteiro, o bloco ocidental continua avançando, investindo pesado em ciência, matemática, engenharia e novas gerações de chips. A distância pode diminuir, mas tende a se mover constantemente, mantendo essa corrida tecnológica acirrada.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)