Essa cidade mata 15 pessoas por dia no transporte público
Estimativas locais apontam mortes diárias envolvendo ônibus e trens lotados
Dhaka, capital de Bangladesh, é conhecida por muitos como a cidade do trânsito mais mortal do mundo. Cada deslocamento parece mais uma missão de sobrevivência do que uma simples ida ao trabalho, com trens lotados, buzinas ensurdecedoras e crianças viajando penduradas entre vagões.
Como é o trem que corta Dhaka e a rotina no limite?
O transporte mais marcante é o trem que atravessa a cidade carregando milhares de pessoas em condições que desafiam qualquer padrão de segurança. Gente viajando nas portas, pendurada nas laterais e até no teto encara a buzina ensurdecedora e a trepidação constante como parte do dia a dia.
Para muitos moradores, esse trem é simplesmente a forma mais rápida de escapar do trânsito travado nas estradas e chegar ao trabalho ou à escola. Em meio à poeira e ao barulho que parece “bater no cérebro”, o sorriso de quem depende desse percurso mostra que o risco foi normalizado.

Como o trânsito mais mortal do mundo afeta a vida das crianças?
Um dos lados mais impactantes é a quantidade de crianças que vivem praticamente dentro do sistema de transporte. Muitas nem chegam à adolescência e já trabalham em trens e ônibus, vendendo lanches, flores ou recolhendo garrafas plásticas para revenda.
Um exemplo emblemático é o menino de 10 anos que mora na própria plataforma do trem, recolhe plásticos em sacos laranja e volta para a vila apenas a cada dois ou três meses. Para crianças como ele, o transporte público não é apenas um caminho, é o próprio trabalho e o lugar onde mais se corre risco de vida.
Quais são os números e cenas do trânsito de Dhaka?
A cidade é frequentemente descrita como uma das mais caóticas do planeta. Estimativas locais apontam que cerca de 15 pessoas morrem por dia em acidentes envolvendo transporte público, o que dá uma ideia do nível de perigo diário.
Bangladesh tem cerca de 170 milhões de habitantes em uma área comparada ao estado de Iowa, e Dhaka sozinha concentra aproximadamente 25 milhões de pessoas. Os principais dados do trânsito incluem:
- Mais de 1 milhão de riquixás circulam em Dhaka, muitos ainda manuais
- Uma corrida de riquixá custa cerca de 40 centavos de dólar
- Bangladesh perde mais de 3 bilhões de dólares por ano com congestionamentos
- O trânsito é tão pesado que amigos de bairros diferentes só se veem uma vez por mês
Quer entender o caos nas ruas? Assista imagens reais do trânsito:
Quais curiosidades urbanas surgem em meio ao caos?
Apesar do caos nas estradas, Bangladesh é uma das economias que mais cresce no mundo, impulsionada por setores como o têxtil. Esse contraste aparece nas ruas: é possível descer de um ônibus superlotado e minutos depois estar num terraço de luxo às margens de um rio extremamente poluído.
No rio que corta a cidade, pequenos barcos de madeira cobram cerca de 10 takas por pessoa (oito centavos de dólar) para atravessar o fluxo diário de 50 a 100 mil passageiros. Em terra firme, barbearias oferecem barba e massagem por menos de 1 dólar, enquanto famílias aproveitam passeios simples de barco, criando momentos de calma em um dos trânsitos mais perigosos do planeta.
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