Escavação no Iraque revela uma taverna intacta de 5.000 anos com geladeira de argila e 150 tigelas de comida
O local preservado mostra que refeições coletivas e formas de conservação já faziam parte da vida nas primeiras cidades
Uma área comum de alimentação, escondida sob o solo do sul do Iraque, revelou detalhes inesperados da vida urbana há cinco milênios. No lugar de um palácio ou templo, os arqueólogos encontraram bancos, forno, recipientes com restos de comida e um sistema de refrigeração feito de argila, preservando o funcionamento de um estabelecimento frequentado por pessoas comuns.
Por que essa escavação no Iraque surpreendeu os arqueólogos?
A equipe investigava um bairro não elitizado da antiga cidade suméria de Lagash, conhecida atualmente como Tell al-Hiba, quando localizou uma estrutura diferente dos grandes monumentos normalmente associados à Mesopotâmia. O espaço possuía áreas destinadas ao preparo, armazenamento e consumo de alimentos, indicando uma atividade comercial ou coletiva organizada.
A descoberta chamou atenção porque aproxima a arqueologia da rotina de trabalhadores, artesãos e moradores comuns. Em vez de mostrar apenas reis, sacerdotes e instituições religiosas, o local permite observar onde parte da população poderia sentar, comer peixe, beber e descansar durante um dia de trabalho.
O que foi encontrado na escavação no Iraque?
Os pesquisadores encontraram uma taverna ou espaço público de alimentação datado de aproximadamente 2700 a.C., com área parcialmente aberta, cozinha, bancos, forno, recipientes de armazenamento, cerca de 150 tigelas e uma geladeira de argila conhecida como “zeer”. A estrutura foi identificada durante a temporada de escavações realizada no segundo semestre de 2022.
Muitos recipientes ainda guardavam vestígios de alimentos, incluindo restos de peixes e ossos de animais. O conjunto foi localizado a apenas cerca de 50 centímetros abaixo da superfície, embora algumas descrições jornalísticas tenham arredondado a profundidade para aproximadamente um metro.
- Cerca de 150 tigelas usadas para servir alimentos
- Um forno de grandes dimensões instalado junto à cozinha
- Bancos destinados às pessoas que frequentavam o espaço
- Uma estrutura de refrigeração construída com recipientes de argila
Para observar o sítio arqueológico e os elementos identificados pelos pesquisadores, o canal AP Archive, que conta com mais de 5,9 milhões de inscritos no YouTube, apresenta uma reportagem gravada em Lagash sobre a descoberta do antigo restaurante. O vídeo mostra as escavações, as tigelas de argila, o sistema de refrigeração e as explicações dos arqueólogos envolvidos, alinhado ao tema tratado acima:
Como a geladeira de argila mantinha alimentos e bebidas resfriados?
O chamado zeer funciona com dois recipientes de cerâmica, normalmente posicionados um dentro do outro. O espaço intermediário recebe areia úmida ou outro material capaz de reter água. Conforme a umidade atravessa os poros da argila e evapora na superfície externa, parte do calor é retirada do recipiente interno.
Esse processo, conhecido como resfriamento evaporativo, pode manter o interior mais fresco que o ambiente ao redor, principalmente em regiões quentes e secas. O equipamento não produzia temperaturas comparáveis às de uma geladeira elétrica moderna, mas poderia ajudar a conservar alimentos e deixar líquidos mais agradáveis para consumo.
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O que os objetos revelam sobre a escavação no Iraque?
A University of Pennsylvania informou que a taverna possuía uma área pública parcialmente aberta e uma parte usada como cozinha. A datação em torno de 2700 a.C., os bancos, o forno e os recipientes com comida sustentam a interpretação de que o local recebia pessoas para refeições, embora sua função exata continue sendo estudada.
O estabelecimento poderia funcionar como uma taverna, um restaurante comunitário ou uma espécie de refeitório ligado às oficinas próximas. A presença de uma área para clientes, porém, indica que o local não era apenas uma cozinha doméstica comum.
Quem frequentava essa antiga taverna de Lagash?
Os pesquisadores ainda não podem identificar individualmente seus frequentadores, mas a posição do espaço oferece pistas importantes. A taverna estava próxima de uma área de produção de cerâmica com vários fornos, o que permite considerar que trabalhadores e artesãos das oficinas vizinhas faziam refeições no local.
A interpretação também reforça a possível existência de uma camada social intermediária em Lagash. Essas pessoas não pertenciam necessariamente à elite dos palácios e templos, mas participavam da economia urbana, produziam mercadorias e consumiam alimentos preparados fora de casa.
- Trabalhadores ligados às oficinas de cerâmica
- Artesãos envolvidos na produção urbana de Lagash
- Moradores que circulavam pelo bairro não elitizado
- Comerciantes ou viajantes que passavam pela região

Por que essa descoberta muda a visão sobre as cidades sumérias?
Grande parte das antigas escavações no Iraque privilegiava templos, palácios, inscrições reais e edifícios administrativos. A nova pesquisa em Lagash usa drones, magnetometria, imagens térmicas e escavação microestratigráfica para localizar bairros e atividades que revelam a experiência das pessoas comuns.
A taverna mostra que uma cidade suméria de cinco mil anos atrás já possuía produção especializada, espaços de convivência e soluções práticas contra o calor. Entre tigelas com restos de peixe e uma geladeira sem eletricidade, a descoberta preservou algo raro: não apenas as estruturas de uma civilização antiga, mas um fragmento reconhecível de sua rotina.
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