Entre hortas, árvores frutíferas e casas de adobe, eles vivem no monte de San Luis e trabalham para formar uma comunidade sustentada pelo bosque nativo
Projeto argentino combina hortas agroecológicas, bioconstrução e manejo do bosque para tentar ampliar uma comunidade rural sustentável
Em Villa de la Quebrada, na província argentina de San Luis, três moradores desenvolvem um projeto que combina produção de alimentos, bioconstrução e conservação ambiental em uma propriedade de cerca de 20 hectares. Alejandro Torres, Lucas Muñoz e Vilma Filippa tentam transformar Rukalaf Natura em uma ecogranja capaz de produzir parte do necessário para seus moradores sem eliminar o bosque que já existia ali.
Como começou a ideia de viver e produzir dentro do bosque nativo?
Alejandro Torres havia comprado a propriedade cerca de duas décadas antes e reformou uma antiga casa de adobe, ampliando-a com técnicas de bioconstrução. Com sua então companheira, Lis Newton, criou inicialmente um espaço dedicado a encontros, yoga, reiki e outras atividades em contato com a natureza.
A proposta mudou de escala em 2019, quando o geólogo Lucas Muñoz e a psicóloga Vilma Filippa se mudaram para o local. A partir daí, o espaço passou a incorporar com maior intensidade hortas, viveiro, árvores frutíferas e outras atividades produtivas, mantendo como princípio reduzir as intervenções sobre a vegetação nativa.
Como Rukalaf Natura adaptou suas hortas ao clima seco de San Luis?
As primeiras tentativas de instalar hortas convencionais enfrentaram dificuldades devido ao ambiente árido. Segundo os moradores, a alternativa encontrada foi distribuir canteiros em pontos protegidos pelo próprio bosque, escolhendo áreas onde árvores fornecem sombra parcial e onde a umidade pode permanecer por mais tempo.
O manejo também procura aproveitar a cobertura de folhas que cai naturalmente das árvores e evitar agroquímicos. O grupo afirma usar plantas aromáticas e florais como parte do manejo das hortas, além de observar previamente o terreno para decidir onde plantar, construir e aproveitar os caminhos naturais da água das chuvas.
- Hortas instaladas em pontos selecionados do bosque.
- Cerca de 100 árvores frutíferas recebidas por meio de um programa provincial.
- Viveiro para produção e proteção de mudas.
- Cultivos como tomate, abóbora, brócolis, repolho, rabanete, melancia e melão.
- Produção complementar de cogumelos, composto orgânico e mel.
Este registro mostra uma experiência de bioconstrução com terra crua realizada também na província de San Luis.
Por que as casas de adobe fazem parte do projeto?
A bioconstrução é uma das bases da proposta. Alejandro trabalha com técnicas que aproveitam materiais disponíveis na região, como terra, areia, palha e outras fibras vegetais, reduzindo a necessidade de transportar determinados insumos por grandes distâncias. Ele reformou sua própria residência e participou da construção da casa de Lucas e Vilma.
Isso não significa simplesmente construir sem critérios técnicos. Edificações de terra precisam ser corretamente projetadas para resistir à umidade, às cargas estruturais e às condições climáticas locais. No projeto, a bioconstrução aparece associada à ideia de ocupar os espaços disponíveis sem abrir grandes áreas do bosque.
Eles já conseguem viver apenas do que produzem no local?
Ainda não. Os próprios participantes reconhecem que várias produções possuem escala suficiente principalmente para consumo próprio. Há viveiro, hortas, frutíferas, colmeias e produção de terra orgânica, mas ampliar essas atividades exige trabalho diário, infraestrutura e mais pessoas participando do projeto.
A experiência, portanto, não deve ser confundida com autossuficiência completa. Os moradores trabalham para aumentar a produção e agregar valor, inclusive planejando utilizar frutas em produtos secos, mas o objetivo de formar uma comunidade economicamente sustentada pelo espaço ainda está em desenvolvimento.

Quais números ajudam a entender o tamanho de Rukalaf Natura?
Em 2023, o empreendimento foi selecionado pelo programa ambiental do governo provincial. O projeto foi descrito oficialmente como voltado ao fortalecimento e à regeneração do bosque nativo por meio de hortas agroecológicas, venda de mudas e capacitações. O aporte solicitado chegou a 1 milhão de pesos argentinos e ajudou na compra de infraestrutura e equipamentos.
O registro oficial do Governo de San Luis confirma Rukalaf entre os empreendimentos ambientais selecionados em 2023.
| Dado | Registro |
|---|---|
| Área da propriedade | Cerca de 20 hectares |
| Mudança de Lucas e Vilma | 2019 |
| Árvores frutíferas | Cerca de 100 |
| Hortas mencionadas | 3 |
O que Rukalaf Natura pretende construir no futuro?
O próximo passo pretendido é incorporar mais pessoas e formar uma pequena comunidade que compartilhe espaços, tarefas, produção e resultados. A ideia é ampliar as atividades sem substituir o bosque por grandes áreas agrícolas, usando os claros existentes e escolhendo cuidadosamente os locais de cultivo e moradia.
O caso chama atenção porque não apresenta o ambiente natural apenas como cenário. Em Rukalaf Natura, os moradores tentam adaptar produção, arquitetura e manejo da água às limitações do terreno. É um projeto ainda em construção, cuja sustentabilidade econômica dependerá justamente de conseguir transformar essas experiências em produção suficiente sem comprometer o ecossistema que pretendem conservar.
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