Entenda os judeus de Hollywood que viraram as costas para Israel
Discurso de Hannah Einbinder no Emmy deste ano gerou críticas a artistas judeus que, de uma distância segura, demonizam Israel
A cerimônia do Emmy 2025, em Los Angeles, terminou em polêmica.
Ao receber o prêmio de melhor atriz coadjuvante em comédia pela série “Hacks”, Hannah Einbinder declarou: “foda-se o ICE e Palestina livre”.
A frase uniu um ataque à agência de imigração dos Estados Unidos e defesa explícita do que a elite de Hollywood entende por “causa palestina”. A repercussão foi imediata, sobretudo dentro da comunidade judaica.
Hannah Einbinder tem 30 anos e cresceu em Beverly Hills, filha da comediante Laraine Newman, integrante do elenco original do “Saturday Night Live”, e do escritor Chad Einbinder.
Estudou em uma escola onde parte expressiva dos colegas eram refugiados judeus persas que fugiram do Irã após a Revolução Islâmica de 1979.
Enquanto essas famílias reconstruíam a vida após perder casas, negócios e até familiares, Einbinder crescia cercada de conforto, conexões e segurança em Hollywood.
Nos bastidores do Emmy, a atriz defendeu seu discurso afirmando que Israel é um “estado etno-nacionalista” e que, como judia, considera obrigação separar religião e política.
Pouco depois, confirmou adesão ao manifesto “Trabalhadores do Cinema pela Palestina”, que já reúne mais de 4 mil profissionais comprometidos em boicotar instituições culturais israelenses.
O discurso de Hannah Einbinder foi elogiado pela Quds News Network, veículo alinhado ao Hamas. Mas, ao divulgar a foto da atriz, o canal apagou digitalmente seu decote.
O gesto escancarou uma ironia: a atriz foi celebrada pelos jihadistas como símbolo de resistência justamente por um meio que reprime a autonomia feminina até na roupa.
Em março de 2024, o diretor britânico Jonathan Glazer usou o palco do Oscar para criticar Israel ao receber a estatueta de Melhor Filme Internacional por “Zona de Interesse”, obra ficcional sobre Auschwitz. Disse que recusava que sua raiz judaica e o Holocausto fossem sequestrados por uma “ocupação”.
A reação foi imediata.
Sobreviventes do Holocausto, organizações judaicas e mais de mil profissionais de Hollywood acusaram Glazer de relativizar o genocídio nazista.
Para os críticos, a fala mostra o distanciamento de um artista que cresceu em segurança no norte de Londres e nunca viveu a realidade da violência no Oriente Médio.
Fauda e a vida real
Lior Raz, criador e protagonista da série “Fauda”, nasceu em Ma’ale Adumim, na Cisjordânia, filho de judeus oriundos do Iraque e da Argélia. Ele serviu em uma unidade antiterrorismo de elite e perdeu a namorada em um ataque palestino.
Quando o Hamas lançou o massacre de 7 de outubro de 2023, Raz voltou à linha de frente.
Participou de missões de resgate em Sderot, ajudando a retirar famílias sob bombardeio. Parte da equipe da produção de “Fauda” morreu no combate.
Para Lior Raz, a guerra não é discurso político, é realidade.
Dennis Prager, radialista fundador da PragerU, afirma que muitos judeus americanos substituíram o judaísmo por ideologias progressistas.
Para ele, “o progressismo secular, não o judaísmo, é a religião [destes judeus]”.
Segundo Prager, a esquerda judaica enfraquece a defesa de Israel e promove narrativas que ignoram perseguições históricas sofridas pelos judeus.
Ben Shapiro, judeu ortodoxo de 39 anos e dono do Daily Wire, vai além.
Ele classifica parte da elite judaica americana como “judeus apenas no nome”.
Em 2023, criticou Bernie Sanders por participar de um ato do Dia da Nakba, organizado pela congressista Rashida Tlaib.
Shapiro afirmou que Sanders é “tão judeu quanto um sanduíche de presunto com camarão”.
As críticas de Prager e Shapiro destacam a diferença entre assimilação e autenticidade.
Hannah Einbinder e Jonathan Glazer falam contra Israel de torres de marfim ocidentais, longe da linha de tiro.
Lior Raz mora em Israel, perdeu a namorada em um ataque, serviu no Exército e voltou ao combate em 2023.
Enquanto celebridades buscam agradar empregadores e plateias progressistas, Raz e milhões de israelenses enfrentam o preço da sobrevivência.
Como disse o escritor israelense Hen Mazzig, coragem real seria usar o palco do Emmy ou do Oscar para pedir a libertação dos reféns em Gaza, e não para reforçar narrativas que apenas alimentam o antissemitismo global.
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