Enquanto a profundidade média dos oceanos da Terra é de aproximadamente 3.682 metros, existe uma região do Pacífico que desce quase três vezes mais e continua sendo um dos ambientes menos acessíveis já explorados pelo ser humano
Sonar multifeixe, sensores de pressão e satélites revelam um relevo submarino que varia por muitos quilômetros abaixo da superfície
A maior parte do fundo oceânico já está muito além do alcance direto de mergulhadores, mas algumas depressões levam essa distância a outro nível. A Fossa das Marianas, no oeste do Pacífico, abriga o Challenger Deep, cuja profundidade medida chega a cerca de 10.935 metros. Isso representa quase três vezes a profundidade média dos oceanos, estimada pela NOAA em 3.682 metros, e ajuda a explicar por que mapear e explorar essas regiões ainda exige navios, sonares e veículos especializados.
Qual é a diferença entre a profundidade média do oceano e a Fossa das Marianas?
A profundidade média global de aproximadamente 3.682 metros é um valor calculado a partir do relevo de todos os oceanos. Isso não significa que a maior parte do fundo esteja exatamente nessa cota: existem plataformas continentais rasas, planícies abissais, montanhas submarinas e fossas que descem muito além da média.
Na Fossa das Marianas, o Challenger Deep alcança cerca de 10.935 metros abaixo do nível médio do mar, com incerteza de aproximadamente seis metros em uma medição moderna baseada em mergulhos e sensores. A diferença mostra como o relevo submarino pode variar por muitos quilômetros verticais em um mesmo planeta.
Como os cientistas descobrem a profundidade de regiões tão inacessíveis?
Atualmente, uma das principais ferramentas é o sonar multifeixe. Instalados em navios, esses sistemas enviam vários pulsos acústicos em diferentes direções e medem quanto tempo o som leva para atingir o fundo e retornar. Com correções para propriedades da água, esses dados permitem construir modelos tridimensionais do relevo submarino.
- Sonar multifeixe: Mede grandes faixas do fundo durante a passagem do navio.
- Satélites: Detectam pequenas alterações na superfície do mar associadas ao relevo submarino.
- Sensores de pressão: Ajudam a determinar profundidades extremas diretamente.
- Altímetros acústicos: Medem a distância entre veículos submersos e o fundo.
- Navegação precisa: Permite reunir diferentes levantamentos em um mesmo mapa.
Um vídeo do Mundo Profundo fala do fundo oceânico, ajuda a visualizar como navios transformam pulsos sonoros em mapas batimétricos detalhados.
Por que a Fossa das Marianas ficou tão mais profunda que a maior parte do oceano?
A Fossa das Marianas está associada a uma zona de subducção. Nessa região, uma placa tectônica oceânica mergulha abaixo de outra, produzindo uma longa depressão no fundo do Pacífico. Esse processo cria fossas estreitas e extremamente profundas, muito diferentes das vastas planícies abissais que ocupam áreas maiores dos oceanos.
O Challenger Deep não deve ser imaginado como um buraco vertical isolado. Ele fica dentro de uma estrutura geológica extensa e irregular, com diferentes depressões e elevações. É justamente essa geometria complexa que exige levantamentos de alta resolução para determinar qual ponto é realmente o mais profundo.
Por que medir o ponto mais profundo não é tão simples quanto lançar uma sonda?
Transformar pressão ou tempo de retorno do sonar em profundidade exige várias correções. Velocidade do som muda conforme temperatura, salinidade e pressão da água. Em medições baseadas em pressão, pesquisadores também consideram gravidade local, pressão atmosférica e variações do nível do mar.
Foi assim que um estudo publicado em 2021 chegou a 10.935 metros para o ponto mais profundo observado do Challenger Deep. Os pesquisadores utilizaram perfis de altímetro acústico combinados com pressão medida diretamente durante mergulhos do submersível Limiting Factor.

Quanto do fundo oceânico já foi realmente mapeado em alta resolução?
Conhecemos a forma geral dos oceanos por dados de satélite e levantamentos acumulados, mas isso é diferente de possuir um mapa detalhado produzido diretamente por sonar. Em abril de 2026, o projeto Seabed 2030 informou que 28,7% do fundo oceânico mundial havia sido mapeado segundo seus padrões modernos
.| Referência | Profundidade ou situação |
|---|---|
| Profundidade média dos oceanos | 3.682 m |
| Challenger Deep | Cerca de 10.935 m |
| Relação aproximada | Quase 3 vezes a média oceânica |
| Fundo mapeado em padrões modernos em 2026 | 28,7% |
O projeto Seabed 2030 pretende ampliar esse levantamento usando dados produzidos por navios, instituições científicas e organizações hidrográficas. Quanto mais profundo o fundo, porém, menor tende a ser a resolução prática alcançada por uma mesma faixa de sonar.
Por que ainda existem áreas do oceano tão pouco conhecidas?
O oceano cobre cerca de 70% da superfície terrestre e possui aproximadamente 360 milhões de quilômetros quadrados. Mapear tudo diretamente exige que embarcações percorram enormes extensões levando sonares apropriados, o que demanda tempo, combustível, equipes e planejamento.
Conhecer a profundidade aproximada por satélite também não equivale a explorar biologicamente ou geologicamente cada região. Um mapa pode revelar montanhas e vales sem mostrar quais organismos vivem ali ou quais rochas formam o fundo. É por isso que, mesmo no século XXI, áreas localizadas a milhares de metros abaixo da superfície continuam entre os ambientes menos observados diretamente da Terra.
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