Engenheiros retiraram quase 800 mil toneladas de rocha a 1,5 km de profundidade para abrir cavernas que vão abrigar um gigantesco experimento científico
O tamanho das cavernas mostra a escala pouco comum do experimento que será instalado ali
Máquinas enormes tiveram de ser desmontadas, levadas por um poço e montadas novamente quase 1,5 km abaixo da superfície. Foi assim que trabalhadores abriram as cavernas do experimento DUNE, nos Estados Unidos. A escavação terminou em 2024 após a retirada de quase 800 mil toneladas de rocha e criou espaço para alguns dos maiores detectores de partículas já planejados.
Como foi possível abrir cavernas tão grandes debaixo da terra?
A obra aproveitou a estrutura da antiga mina de ouro Homestake, hoje parte do Sanford Underground Research Facility, em Lead, no estado de Dakota do Sul. A área dos detectores fica no nível de 4.850 pés, aproximadamente 1,48 km abaixo da superfície.
Segundo o Fermilab, equipamentos pesados de mineração não cabiam inteiros no acesso existente. As máquinas foram desmontadas, baixadas em partes pelo poço e remontadas no subterrâneo antes do início das grandes escavações.

Para onde foram quase 800 mil toneladas de rocha?
A rocha saiu das cavernas por um sistema que combinava equipamentos subterrâneos, o poço Ross e uma longa esteira na superfície. O material terminou em uma antiga área de mineração a céu aberto chamada Open Cut.
Os trabalhadores usaram perfuração e explosivos para avançar pela rocha. Depois de cada etapa, as paredes e tetos receberam estruturas de suporte para permitir que o trabalho continuasse com segurança.
Os números divulgados pelo projeto LBNF/DUNE dão uma ideia da escala da construção:
Por que os detectores precisam ficar a 1,5 km de profundidade?
A enorme camada de rocha ajuda a bloquear partículas vindas do espaço que poderiam atrapalhar as medições. Isso facilita a identificação das raras interações dos neutrinos dentro dos detectores.
Neutrinos atravessam matéria com enorme facilidade. Por isso, o experimento precisa combinar proteção contra interferências com uma quantidade gigantesca de material capaz de registrar uma pequena fração das partículas que passam pelo local.
- Profundidade: reduz a interferência provocada por partículas cósmicas.
- Argônio líquido: serve como material onde as interações dos neutrinos podem ser registradas.
- Grande volume: aumenta a chance de uma partícula rara deixar um sinal detectável.
- Sensores: permitem reconstruir em 3D o que aconteceu dentro do líquido.
O que será instalado dentro dessas cavernas?
As cavernas vão receber os enormes módulos do detector distante do DUNE. Juntos, os quatro módulos planejados terão capacidade para quase 70 mil toneladas de argônio líquido ultrapuro, segundo a descrição técnica do DUNE.
Quando um neutrino atinge o núcleo de um átomo de argônio, partículas e elétrons são liberados. Os sistemas eletrônicos registram esses sinais e permitem aos cientistas reconstruir o evento.
Por que uma obra subterrânea científica recebeu um prêmio em 2026?
O reconhecimento veio pelo desafio de construir um enorme complexo subterrâneo usando a infraestrutura de uma antiga mina. Em abril de 2026, o Fermilab informou que o projeto recebeu o Project of the Year Award da Underground Construction Association.
A publicação do Fermilab sobre o prêmio destaca a recuperação dos sistemas subterrâneos e a remoção de mais de 800 mil toneladas de rocha ao longo da obra.
As cavernas agora deixaram de ser o objetivo final. Elas se transformaram na estrutura que permitirá ao DUNE estudar algumas das partículas mais difíceis de observar do Universo.
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