Enfermeiras andam na neve com leopardos por perto para vacinar em regiões remotas
Jornadas pela neve em território de conflito revelam bastidores brutais da imunização
Levar vacinas para os cantos mais isolados do mundo não é cena de filme. Em regiões remotas da Índia, enfermeiras caminham na neve, sob frio intenso e com risco de cruzar o caminho de animais selvagens, só para garantir que pequenas aldeias recebam suas doses contra a COVID-19.
Como é a rotina das enfermeiras que atravessam montanhas?
A jornada costuma começar em um centro de saúde em Kunzar, a cerca de 30 quilômetros da capital da região, onde a equipe se organiza e carrega as vacinas em um veículo simples que também funciona como ambulância, com sirene e cilindro de oxigênio. No caminho, moradores às margens da estrada às vezes acenam pedindo a vacinação ali mesmo, transformando o trajeto em um plantão móvel.
Em Malwah, os profissionais são deixados em um pequeno posto de saúde e, sem botas adequadas, levam mais de meia hora para caminhar apenas 1,5 quilômetro na neve até chegar às casas. Quando finalmente alcançam o vilarejo, encontram famílias tomando a primeira dose de vacina em pleno frio abaixo de zero, muitas vezes ao ar livre, porque há medo de contágio em ambientes fechados.

Como funcionam as campanhas de vacinação porta a porta?
Nessas visitas, as enfermeiras passam de porta em porta, batendo em dezenas de casas; em um único dia, já chegaram a visitar 25 residências e vacinar apenas sete famílias, por causa da ausência de moradores ou recusa em receber as doses. A estratégia ajudou Jammu e Caxemira a atingir mais de 72% da população elegível vacinada.
Enquanto isso, em todo o país, cerca de 64% dos indianos estão totalmente imunizados, mesmo com a preocupação de que variantes como a Ômicron exijam novas rodadas de reforço. As campanhas de casa em casa se mostraram essenciais para alcançar comunidades que nem aparecem nos mapas oficiais.
Quais desafios extras a Caxemira enfrenta além da pandemia?
A região é um território em disputa entre Índia e Paquistão, o que significa conviver com conflitos, toques de recolher e bloqueios frequentes que dificultam o acesso a hospitais e qualquer tipo de atendimento médico regular. Com uma proporção aproximada de um médico para 2.000 habitantes, bem pior que a recomendação da Organização Mundial da Saúde de um para cada 1.000, as equipes de enfermagem acabam segurando grande parte da linha de frente.
Essas profissionais registram tudo à mão em cadernos guardados em um pequeno posto de saúde em Malwah, com apenas duas salas e poucos medicamentos básicos para febre e resfriado, que permanece trancado na maior parte do inverno. Apesar de todo o trabalho, muitas enfermeiras ganham em torno de 25.000 rúpias por mês, cerca de 330 dólares, e receberam apenas um pagamento extra de 2.000 rúpias como bônus pelas campanhas de vacinação.
Assista como enfermeiras atravessam neve e animais selvagens por vacinas:
O que essas histórias revelam sobre o acesso à saúde?
Histórias como essa mostram o quanto há por trás de uma simples dose de vacina em regiões remotas, revelando o trabalho silencioso de profissionais que enfrentam neve, longas caminhadas e estradas de risco diariamente. Essas campanhas quase nunca aparecem nos holofotes, mas são essenciais para levar imunização a comunidades isoladas.
O esforço dessas enfermeiras convida o leitor a buscar ainda mais curiosidades sobre o trabalho de profissionais de saúde ao redor do mundo e os bastidores de outras campanhas que enfrentam desafios geográficos, políticos e estruturais para garantir o direito básico à saúde em todos os cantos do planeta.
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