Empregada doméstica economizou por 9 anos e recebeu uma casa com paredes de plástico reciclado para viver com o filho
Projeto realizado na Costa Rica transformou toneladas de resíduos em blocos encaixáveis para construir as paredes da moradia
Durante nove anos, Cindy Mora Abarca economizou parte do que ganhava trabalhando como auxiliar de serviços gerais na Costa Rica para conseguir comprar um terreno. Quando finalmente alcançou essa etapa, ainda faltavam recursos para construir. A solução surgiu em 2018, quando um projeto habitacional transformou toneladas de plástico reciclado em blocos para erguer as paredes da casa onde ela viveria com o filho Fabrizio.
Como nove anos de economia levaram Cindy Mora até a casa própria?
Cindy vivia em Alajuelita, na região metropolitana de San José, e tinha o objetivo de garantir uma moradia para ela e o filho. Segundo uma reportagem publicada pela Teletica em maio de 2018, ela havia economizado durante nove anos para adquirir o lote e trabalhava como auxiliar de serviços gerais.
Comprar o terreno, porém, não significou conseguir bancar a construção. A oportunidade apareceu por meio de uma iniciativa envolvendo Hábitat para la Humanidad, Procter & Gamble, Urbarium e Ekojunto. Materiais e mão de obra foram disponibilizados para viabilizar a residência.
Como o plástico reciclado foi transformado nas paredes da residência?
O elemento diferente da obra foi o Bloqueplas, sistema formado por peças produzidas a partir de resíduos plásticos processados. Os componentes possuem encaixes que permitem sua união de maneira semelhante a blocos de montar, reduzindo a necessidade de argamassa entre as peças das paredes.
A residência utilizou aproximadamente 7,5 toneladas de resíduos, segundo a cobertura contemporânea da Teletica. Reportagens posteriores citam cerca de 850 peças empregadas no projeto. É importante notar que o material reciclado não substituiu todos os componentes convencionais da casa.
- Cerca de 7,5 toneladas de resíduos plásticos foram reaproveitadas.
- Aproximadamente 850 blocos foram associados à construção.
- Os blocos foram projetados para encaixe modular.
- Fundação, cobertura e instalações continuaram exigindo outros materiais.
O vídeo da Ekojunto mostra como funciona o sistema construtivo Bloqueplas utilizado em projetos com esse material.
Por que o plástico reciclado pode ser usado como bloco de construção?
Antes de chegar ao canteiro, o resíduo precisa ser selecionado e processado industrialmente. Uma análise acadêmica da Universidade de Valladolid descreve o Bloqueplas como um sistema que utiliza principalmente polipropileno e polietilenos, transformados em componentes de encaixe após etapas de preparação e conformação.
Portanto, não se trata simplesmente de empilhar garrafas descartadas. O produto final é uma peça construtiva projetada, combinada com elementos estruturais e ligações específicas. Essa diferença é fundamental para entender por que a experiência costarriquenha não pode ser reproduzida de forma improvisada.
A casa inteira era realmente feita de lixo?
Não. A expressão “casa feita de lixo” simplifica excessivamente o projeto. O plástico descartado foi convertido principalmente nos blocos utilizados nas paredes, enquanto uma residência habitável continuou dependendo de fundação, cobertura, portas, janelas e sistemas elétricos e hidráulicos convencionais.
Uma reportagem da época publicada pelo Alajuelita Soy explicou que o sistema utilizava blocos de plástico 100% reciclado encaixados entre si. A obra, entretanto, foi executada dentro de um projeto organizado e com acompanhamento técnico.

Quais números mostram a dimensão do projeto com plástico reciclado?
Os registros contemporâneos situam a construção em Lámparas de Alajuelita e a entrega da residência em maio de 2018. Isso também corrige publicações recentes que podem dar a impressão de que o episódio aconteceu em 2026: a história voltou a circular agora, mas a casa é de 2018.
Os principais números conhecidos ajudam a dimensionar a experiência, sem transformar um projeto específico em solução automática para qualquer contexto habitacional.
| Dado | Registro |
|---|---|
| Tempo de economia | 9 anos |
| Resíduos aproveitados | Cerca de 7,5 toneladas |
| Blocos citados | Cerca de 850 peças |
| Entrega da casa | Maio de 2018 |
Por que essa experiência continua chamando atenção anos depois?
O caso une duas questões distintas: acesso à moradia e reaproveitamento de resíduos. Para Cindy, a tecnologia só se tornou uma casa porque houve também terreno, financiamento dos materiais, organizações parceiras, projeto técnico e participação de voluntários.
O principal legado, portanto, não é a ideia de que qualquer plástico possa virar uma casa. A experiência mostrou que resíduos adequadamente processados podem integrar sistemas construtivos planejados e, sob critérios técnicos, ganhar uma aplicação de longa duração em vez de seguir diretamente para o descarte.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)