Ele vive há 18 anos em uma ilha distante e ainda constrói sozinho a casa que começou ao trocar a cidade pelo isolamento
Energia solar, água da chuva e materiais retirados do terreno sustentam uma rotina construída lentamente longe dos serviços públicos
Durante 18 anos, um homem transformou um terreno isolado em uma propriedade capaz de produzir energia, água, alimentos e abrigo. O que começou como uma busca por distância e silêncio acabou se tornando uma construção sem prazo para terminar.
Por que ele decidiu trocar a vida convencional por uma ilha isolada?
A decisão de Tim Coertze começou muito antes de ele colocar os primeiros materiais no terreno. Quando trabalhava no mar, ainda na década de 1980, ele afirma ter visto grandes concentrações de lixo flutuando no oceano, uma experiência que mudou sua maneira de enxergar o consumo, o desperdício e a dependência das cidades.
Depois disso, Tim passou a buscar uma vida mais próxima da natureza e com maior controle sobre aquilo que consumia. Ele cultivou alimentos e processou a própria lenha durante décadas, até se estabelecer em uma ilha canadense acessível apenas por uma balsa para passageiros, sem transporte regular de automóveis.
Como começou a vida fora da rede construída por Tim Coertze?
Tim vive há cerca de 18 anos em uma ilha remota no Estreito da Geórgia, na costa oeste do Canadá. Nesse período, iniciou praticamente sozinho a construção da casa onde pretende passar a aposentadoria, aproveitando pedra, areia e madeira retiradas de sua propriedade sempre que isso é possível.
- Pedra recolhida no próprio terreno para partes das paredes
- Areia local usada na preparação de materiais de construção
- Madeira da propriedade empregada na casa e no aquecimento
- Concreto utilizado principalmente na fundação
- Lã de rocha instalada para melhorar o isolamento
- Chapas metálicas aplicadas na cobertura
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Para complementar o tema, o canal Exploring Alternatives apresenta o vídeo “18 Years Living Off-Grid on a Remote Island in a Solo-Built House & Homestead”. O material acompanha Tim Coertze em sua propriedade e mostra a casa, os sistemas de energia, o cultivo de alimentos e as soluções desenvolvidas ao longo dos anos:
A obra avança conforme o tempo, os recursos disponíveis e a capacidade física do próprio morador. Embora algumas áreas já sejam habitáveis, ainda existem acabamentos, pinturas e detalhes de madeira a serem concluídos, mostrando que o projeto não segue o ritmo acelerado de uma construção urbana convencional.
Como ele consegue manter água, energia e calor sem serviços públicos?
A eletricidade vem de painéis solares instalados na propriedade. A energia produzida durante o dia alimenta equipamentos básicos e reduz a necessidade de combustíveis transportados do continente, algo importante em uma ilha onde materiais pesados só podem chegar por embarcação particular ou por uma balsa contratada.
A água da chuva é recolhida pelo telhado e direcionada para armazenamento. Para enfrentar o frio, Tim corta a própria lenha e utiliza diferentes sistemas, incluindo um fogão de ferro fundido, um aquecedor de alvenaria e até um fogão-foguete instalado sob a banheira para aquecer a água.
O que sustenta a vida fora da rede durante o ano inteiro?
A rotina depende de vários sistemas pequenos funcionando em conjunto. Conforme apresentado pelo canal Exploring Alternatives, Tim combina geração solar, coleta de chuva, cultivo de alimentos, aquecimento a lenha e trocas com outros moradores para diminuir sua dependência de serviços externos.
| Necessidade | Solução utilizada | Limitação principal |
|---|---|---|
| Eletricidade | Painéis solares | Produção varia conforme a luz disponível |
| Água | Captação pelo telhado | Depende das chuvas e do armazenamento |
| Aquecimento | Lenha retirada da propriedade | Exige corte, secagem e armazenamento |
| Alimentação | Horta, frutas, brotos e pão caseiro | Não elimina totalmente as compras externas |
| Transporte | Balsa para passageiros | Cargas grandes precisam de barcaça |
Tim também cultiva frutas, verduras e sementes germinadas, além de preparar o próprio pão. A propriedade possui dois búfalos-d’água tailandeses, criados com a intenção de produzir leite, mas ele ainda visita a cidade a cada dois ou três meses para comprar produtos que não consegue obter localmente, como café.
Quais dificuldades aparecem quando quase tudo precisa ser feito sozinho?
O isolamento aumenta o custo e a complexidade de qualquer obra. Como não existe uma balsa capaz de transportar carros e caminhões regularmente, grandes quantidades de concreto, chapas, ferramentas ou equipamentos precisam chegar por barcaça, uma alternativa cara que obriga Tim a planejar cuidadosamente cada etapa.
Além da construção, a rotina envolve cortar lenha, cuidar da horta, manter os painéis solares, recolher água, consertar equipamentos e administrar os resíduos. Ele ainda trabalha como telhadista e pretende reduzir gradualmente o serviço pesado, concentrando-se mais na supervisão de equipes e na conclusão de sua casa.

Por que a vida fora da rede continua sendo um projeto inacabado?
Para Tim, terminar a casa rapidamente nunca pareceu ser o único objetivo. Cada parte foi construída conforme uma necessidade surgia, permitindo testar materiais e pesquisar técnicas utilizadas em diferentes regiões do mundo. Esse ritmo lento também tornou possível modificar os planos e aproveitar melhor os recursos encontrados na propriedade.
Mesmo depois de 18 anos, ainda há acabamentos a fazer e sistemas a aperfeiçoar. A casa continua crescendo junto com a rotina de seu morador, mostrando que viver isolado não significa alcançar independência completa, mas aprender diariamente a depender menos, desperdiçar menos e resolver problemas com aquilo que está ao alcance.
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