Ele vendeu o apartamento em Londres, comprou 8 hectares em Exmoor e trocou o escritório por uma rotina sem folga
Simon Dawson deixou a carreira de corretor para criar animais, produzir parte da própria comida e descobrir o trabalho real por trás da autossuficiência
Um apartamento moderno, roupas sociais, carro rápido e dinheiro disponível faziam parte da rotina de Simon Dawson. Anos depois, o mesmo homem aparecia coberto de lama, ordenhando uma cabra e tentando controlar porcos, galinhas e ovelhas. A mudança não simplificou o trabalho; ela mudou completamente o motivo pelo qual ele trabalhava.
O que fazia Simon Dawson antes de deixar Londres?
Simon cresceu em Londres e trabalhava como corretor de imóveis. Aos 32 anos, tinha uma carreira urbana, apartamento próprio, carro, ternos e uma rotina organizada em torno de clientes, deslocamentos e consumo. Ele próprio contou que seu contato com o campo era tão pequeno que nunca havia visitado uma fazenda educativa nem visto uma galinha fora do supermercado.
A decisão começou durante uma conversa com Debbie, sua esposa. Simon concordou em abandonar Londres e tentar uma vida rural, embora não tivesse experiência com cultivo, criação de animais ou manutenção de uma propriedade. O compromisso deixou de parecer uma ideia distante quando o casal vendeu o apartamento e começou a procurar terra no sudoeste da Inglaterra.
Como começou a vida no campo em Exmoor?
Em 2000, Simon e Debbie se mudaram com um cavalo e um cão da raça dogue-alemão para North Devon. Reunindo praticamente todos os recursos disponíveis, compraram 20 acres de terra em Exmoor, equivalentes a pouco mais de 8 hectares, e começaram a montar uma pequena propriedade rural quase do zero.
- Profissão anterior: Corretor de imóveis em Londres
- Idade na mudança: 32 anos
- Ano da mudança: 2000
- Área adquirida: 20 acres, cerca de 8 hectares
- Localização: Exmoor, no sudoeste da Inglaterra
- Animais criados: Porcos, ovelhas, cabras, galinhas, patos e gansos
O vídeo acompanha Ben Fogle visitando Simon e Debbie na propriedade e participando do preparo artesanal de alimentos. As cenas mostram que a autossuficiência não termina na criação dos animais: ela envolve técnicas de processamento, organização da produção e tarefas que ocupam várias etapas do dia:
O que mudou quando o salário virou trabalho manual?
Em Londres, Simon trocava horas de trabalho por salário e usava o dinheiro para comprar comida, transporte, roupas e serviços. Em Exmoor, parte dessa relação foi invertida. Legumes precisavam ser plantados, animais alimentados, cercas consertadas e produtos como manteiga, queijo, geleias e conservas preparados dentro da propriedade.
O deslocamento urbano desapareceu, mas foi substituído por tarefas que não respeitavam fins de semana ou horários comerciais. Animais continuavam precisando de água, comida e cuidados durante chuva, frio ou doença. Simon descreveu os primeiros anos não como uma curva de aprendizado, mas como um “penhasco”, porque cada problema exigia uma habilidade que ele ainda não possuía.
Quanto trabalho existe por trás da vida no campo?
A rotina começava com alimentação e inspeção dos animais. Havia cabra para ordenhar, ovos para recolher, vegetais para cuidar e instalações para limpar. Além da produção de alimentos, o casal precisava administrar a terra, controlar gastos, manter equipamentos e aprender regras sanitárias e técnicas de processamento.
A diferença principal estava no resultado visível. Uma manhã de esforço podia terminar com leite, ovos, verduras ou uma cerca novamente segura. Isso não tornava o trabalho leve, mas aproximava a tarefa de sua utilidade imediata. No relato publicado por Simon Dawson no The Guardian, ele descreveu a experiência como divertida, assustadora, dolorosa, frustrante e maravilhosa ao mesmo tempo.
A autossuficiência eliminou a necessidade de dinheiro?
A propriedade passou a fornecer grande parte da alimentação do casal. Eles cultivavam vegetais, criavam animais para consumo, ordenhavam cabras, produziam laticínios, coletavam alimentos silvestres e preparavam conservas. A redução das compras aumentou o controle sobre a origem dos alimentos, mas não transformou a fazenda em um sistema completamente separado da economia.
Ainda existiam despesas com ferramentas, manutenção, alimentação complementar dos animais, combustível, serviços veterinários e estruturas da propriedade. Simon também trabalhou como escritor, radialista, palestrante e instrutor de cursos ligados à criação, ao processamento de alimentos e à vida autossuficiente. A renda monetária continuava necessária, embora já não organizasse sozinha toda a rotina.

Por que Simon permaneceu na vida no campo?
O lado mais difícil não envolvia apenas esforço físico. Simon relatou o conflito emocional de criar animais com cuidado e depois levá-los ao abate. Mesmo após anos, afirmou que nunca se acostumou totalmente com essa etapa. A experiência mostrou que produzir a própria carne não elimina a distância apenas entre consumidor e alimento; também obriga a encarar diretamente decisões que o supermercado costuma esconder.
Apesar das dificuldades, Simon permaneceu em Exmoor, escreveu livros como Pigs in Clover e passou a compartilhar o que aprendeu. A pequena propriedade não ofereceu uma existência sem problemas, mas uma rotina em que comida, trabalho, tempo e consumo estavam ligados de maneira mais visível. Ele não abandonou o trabalho ao deixar Londres: trocou uma carreira previsível por uma vida em que quase todo resultado dependia das próprias mãos.
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