Ele passou metade de 25 anos sozinho em uma ilha e precisou entregar as chaves do segundo farol mais alto da Austrália
Depois de um quarto de século entre tempestades, pinguins e semanas de isolamento, o cuidador deixou uma rotina que poucos suportariam
Durante um quarto de século, um homem retornou repetidamente a uma pequena ilha australiana onde o mar decide quando alguém pode chegar ou partir. Entre ventos fortes, animais selvagens e semanas sem companhia, ele ajudou a preservar um farol de 47 metros, até o momento em que outra pessoa precisou assumir aquela rotina.
Como é viver semanas isolado em uma ilha cercada por mar revolto?
A Ilha Gabo fica a cerca de 14 quilômetros da costa de Mallacoota, no extremo leste do estado de Victoria, na Austrália. Com apenas 2,4 quilômetros de comprimento e aproximadamente 800 metros em seu ponto mais largo, ela é pequena o bastante para ser percorrida a pé, mas distante o suficiente para transformar uma mudança de tempo em um problema logístico sério.
O acesso regular é feito de barco, e poucos pescadores conhecem bem a travessia. Mesmo em dias aparentemente tranquilos, o vento pode mudar rapidamente e impedir o retorno ao continente. A comunicação por celular é instável, não há lojas por perto e qualquer mantimento esquecido ganha uma importância enorme. É nesse cenário que o cuidador precisa trabalhar, dormir e lidar com imprevistos sem uma equipe ao lado.
Quem cuidou do farol da Ilha Gabo durante 25 anos?
O homem por trás dessa história é Leo op den Brouw, que passou 25 anos trabalhando como cuidador da ilha e de sua estação luminosa. Ele não permaneceu isolado durante todo esse período sem interrupção. A escala funcionava em sistema alternado, com temporadas de aproximadamente um mês na ilha e outro período no continente. Ao todo, Leo calcula ter passado metade desses 25 anos sozinho naquele pedaço de terra.
- Registrava informações meteorológicas em horários determinados
- Inspecionava casas, trilhas e estruturas históricas
- Acompanhava mudanças nas populações de animais
- Controlava plantas invasoras e cuidava do ambiente
- Verificava problemas que poderiam exigir manutenção
- Preparava a ilha para visitantes e equipes de serviço
Para complementar o tema, o canal ABC News apresenta o vídeo “Leo the lighthouse keeper hands over keys to Gabo Island after 25 years”. A reportagem acompanha a despedida de Leo op den Brouw, mostra o farol, os animais e a chegada do novo cuidador:
Em 2024, aos 70 anos, Leo entregou as chaves a Sandy Duthie, um arborista escocês que havia se mudado para a região e já conhecia a ilha por trabalhos de controle de vegetação invasora. A passagem de responsabilidade encerrou uma rotina pessoal de um quarto de século, mas manteve viva uma função iniciada por outros cuidadores muitas gerações antes.
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O trabalho de um cuidador termina quando a luz se acende?
O farol moderno funciona de maneira automatizada, portanto o cuidador não passa a noite inteira operando manualmente uma lâmpada. A rotina atual envolve preservar toda a reserva, observar equipamentos, registrar o clima e identificar problemas antes que se tornem graves. São 154 hectares sob responsabilidade de uma única pessoa durante boa parte da escala.
Há também um patrimônio espalhado pelas construções. Fotografias, livros, ferramentas antigas e equipamentos desativados contam como famílias inteiras viveram ali quando a estação exigia vários funcionários. Em outros tempos, os moradores chegaram a bater panelas durante noites de baixa visibilidade para alertar embarcações, antes que sistemas mais eficientes de iluminação e sinalização fossem instalados.
Por que o farol da Ilha Gabo é tão importante na costa australiana?
Concluído em 1862, o farol da Ilha Gabo foi construído com granito rosado retirado do próprio local. A torre alcança 47 metros e é considerada a segunda mais alta da Austrália. Sua posição próxima a uma rota costeira perigosa ajuda a orientar embarcações em uma região onde correntes, pedras, ventos e mudanças repentinas do tempo exigem atenção constante.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Ano de conclusão | 1862 |
| Altura da torre | 47 metros |
| Material principal | Granito rosado extraído na ilha |
| Distância da costa | Cerca de 14 quilômetros |
| Área da reserva | 154 hectares |
| Posição no país | Segundo farol mais alto da Austrália |
A torre também é o único farol insular ainda em operação no estado de Victoria. Segundo a ABC News, a estação faz parte de uma tradição com cerca de 160 anos. A presença humana mudou, a tecnologia avançou e antigas funções desapareceram, mas a preservação do conjunto continua dependendo de alguém disposto a viver longe das facilidades do continente.
O que Leo testemunhou mudar durante tantos anos de isolamento?
As transformações mais visíveis ocorreram na vida selvagem. A ilha já abrigou uma das maiores colônias conhecidas de pinguins-azuis da Austrália. Leo estimou que a população caiu de aproximadamente 30 mil pares para algo próximo de 10 mil, enquanto o número de focas cresceu. A causa dessa mudança não foi definida com segurança, mesmo após avaliações de especialistas.
O cuidador também percebeu um aumento na presença de baleias. Nos primeiros anos, avistar uma era motivo para correr até a costa; mais tarde, os encontros se tornaram frequentes, com animais alimentando filhotes ou passando a poucos metros das pedras. Águias-marinhas, petréis, pinguins e outras aves completavam uma vizinhança que mudava conforme a estação, sem respeitar horários ou cercas.

Quem recebeu as chaves do farol da Ilha Gabo?
Sandy Duthie assumiu o posto depois de trabalhar quase 20 anos como arborista na Escócia e se estabelecer perto de Mallacoota. Ele visitou a ilha anteriormente para combater plantas invasoras e ficou interessado pela vaga. Ao receber as chaves, herdou muito mais que uma casa temporária: passou a responder por registros, edificações, natureza e fragmentos de uma história que nem sempre foi colocada no papel.
Para Leo, a despedida trouxe alívio e tristeza. Ele retornou definitivamente à família no continente, mas deixou um lugar onde aprendeu a ocupar os dias sem depender de companhia constante. Ao entregar o farol da Ilha Gabo a alguém mais jovem, não abandonou apenas um emprego. Encerrou uma vida dividida entre dois mundos, um deles acessível somente quando o mar permitia.
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