Ele invadiu o “inviolável” e se tornou o primeiro hacker da história
No fim do século XIX e início do século XX, pesquisadores buscavam transmitir mensagens sem fios, explorando ondas eletromagnéticas
Ao longo do tempo, o termo hacker passou a ser associado quase automaticamente a criminosos virtuais, mas sua origem está ligada à curiosidade técnica e ao desejo de entender sistemas.
Um episódio marcante nesse contexto envolve o que muitos consideram o primeiro hacker da história, bem antes de computadores pessoais, internet ou redes sociais, nas primeiras experiências com comunicação sem fio.
Como surgiu a ideia de hackear muito antes da era digital?
No fim do século XIX e início do século XX, pesquisadores buscavam transmitir mensagens sem fios, explorando ondas eletromagnéticas recém-estudadas.
Nesse cenário destacou-se Guglielmo Marconi, pioneiro do telégrafo sem fio, cujo sistema prometia comunicação a longas distâncias com alta confiabilidade.
Paralelamente, surgiram questionamentos sobre sigilo e interferência nessas transmissões. A crença de que o telégrafo sem fio seria “impossível de interceptar” alimentou debates que anteciparam a discussão moderna sobre vulnerabilidades em tecnologias de comunicação.
Quem foi John Nevil Maskelyne e qual era sua relação com a tecnologia?
John Nevil Maskelyne nasceu em uma família de ilusionistas e inventores na Inglaterra. Atuando em truques de palco e dispositivos mecânicos, desenvolveu domínio sobre mecanismos, eletricidade e formas de enganar a percepção humana.
Com o avanço das pesquisas em rádio, Maskelyne passou a explorar comunicação à distância em seus espetáculos, simulando telepatia com base em sinais e códigos. Essa combinação de ciência, show e engenharia preparou o terreno para seu ataque ao sistema de Marconi.
1896
— Pre Cinema History 📷🎞️🇨🇦 🏴 (@RealPreCinema) October 14, 2025
JOHN NEVIL MASKELYNE
This video was created by John Helvin. Its origin is photographs taken of the great British magician J. N. Maskelyne in 1896. The photos in sequential order, were photographed on celluloid from the book ‘The Modern Conjurer.’ This is why it looks like a… pic.twitter.com/XaMhndvLoD
O que ocorreu na famosa demonstração de 1903?
Em 1903, Marconi organizou uma demonstração pública na Royal Institution, em Londres, coordenada por John Ambrose Fleming. A meta era receber, em Londres, mensagens em código Morse enviadas a cerca de 500 quilômetros, reforçando a segurança do telégrafo sem fio.
Antes da mensagem oficial, o receptor registrou palavras como “RATOS” e frases sarcásticas sobre o sistema. Investigou-se a origem e descobriu-se que Maskelyne usara um transmissor próximo para sobrepor o sinal, provando que a transmissão podia ser interceptada e manipulada.
Por que esse caso é visto como um marco na cultura hacker?
Maskelyne é frequentemente descrito como o primeiro hacker por ter identificado uma vulnerabilidade e demonstrado sua exploração em público. Não destruiu a infraestrutura, mas expôs limitações técnicas que contrariavam as promessas de inviolabilidade.
- Revelou que terceiros podiam enviar sinais não autorizados ao mesmo receptor.
- Transformou uma falha teórica em prova prática diante de autoridades científicas.
- Iniciou debate sobre ética, responsabilidade e “vandalismo científico”.

Que lições esse episódio traz para a segurança digital contemporânea?
O caso mostra que, desde o início das telecomunicações, confidencialidade e integridade das mensagens eram preocupações centrais. A máxima “nenhum sistema é totalmente seguro” continua válida em redes sem fio, internet das coisas e serviços em nuvem.
Hoje, hackers éticos realizam testes de intrusão para localizar brechas antes que criminosos as explorem. A história de Maskelyne ajuda a distinguir curiosidade técnica de crime digital e reforça a importância de questionar promessas de segurança absoluta em qualquer inovação.
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