Ele fez um pacote de baterias usando vapes descartáveis para alimentar seu carro elétrico
Um engenheiro britânico mostrou, na prática, como resíduos considerados descartáveis ainda carregam grande potencial energético
Um engenheiro britânico mostrou, na prática, como resíduos considerados descartáveis ainda carregam grande potencial energético.
Usando baterias de cigarros eletrônicos de uso único, Chris Doel criou primeiro um banco de energia para sua casa e, depois, adaptou um microcarro elétrico para rodar quilômetros apenas com células reaproveitadas, chamando atenção para o desperdício de recursos e para a economia circular.
Como vapes descartáveis viraram uma bateria residencial?
O engenheiro pediu a uma loja de vape que separasse aparelhos devolvidos ou sem valor comercial. Em pouco tempo, recebeu sacolas com centenas de unidades que normalmente iriam para o lixo.
Em casa, no tempo livre, desmontou cerca de 500 dispositivos para acessar as células de íon-lítio ainda em bom estado. Com peças impressas em 3D, organizou as baterias em blocos em paralelo e em série, criando um grande pacote estacionário capaz de alimentar a residência por aproximadamente oito horas.
Como as baterias de vape foram usadas em um carro elétrico?
Após o sucesso na aplicação residencial, o engenheiro decidiu testar as células em um veículo. Ele escolheu um microcarro elétrico de 48 volts, compatível com a tensão do pack montado a partir dos vapes, o que simplificou a adaptação.
O veículo, um modelo compacto de 2007 com desempenho modesto, recebeu nova fiação, um compartimento específico para o pack e reforços contra impactos e superaquecimento. Com isso, o carro rodou cerca de duas horas, percorrendo quase 20 quilômetros usando apenas baterias reaproveitadas.
Quais cuidados técnicos são essenciais ao reaproveitar baterias?
Projetos com baterias reaproveitadas envolvem riscos de curto-circuito, incêndio e falhas mecânicas. Por isso, além de conhecimento em eletrônica e segurança, é crucial seguir etapas rigorosas de seleção e montagem das células.
- Seleção das células: medir tensão, descartar unidades danificadas ou aquecendo demais.
- Configuração elétrica: definir corretamente grupos em paralelo e em série.
- Sistema de gerenciamento (BMS): monitorar carga, descarga e temperatura.
- Proteção mecânica: usar invólucro rígido, ventilado e bem fixado ao veículo.
- Conformidade legal: verificar regras de trânsito, inspeções e exigências de seguro.
O que mudou ao substituir o pack por módulos de um carro elétrico comercial?
Depois de provar o conceito com baterias de vape, o proprietário decidiu adotar um sistema mais próximo do padrão automotivo. Ele instalou módulos de baterias de um veículo elétrico maior, mantendo o mesmo microcarro.
Confira o vídeo do canal de Chris Doel:
Com software específico, fez os módulos “acreditarem” que ainda estavam no carro original, preservando rotinas de segurança e gerenciamento. Hoje, o microcarro é usado no dia a dia, com maior confiabilidade, enquanto o experimento inicial segue como referência em reaproveitamento.
O que esse projeto revela sobre descarte de vapes e economia circular?
O caso evidencia a quantidade de lítio, metais e componentes eletrônicos descartados em poucos dias de uso. Cada vape carrega uma bateria com vida útil muito maior que o líquido vaporizado, mas quase sempre termina em aterros.
Especialistas defendem políticas que priorizem produtos recarregáveis, facilmente recicláveis e com logística de retorno estruturada.
Experimentos como esse não resolvem o problema global do lixo eletrônico, mas tornam visível o potencial energético desperdiçado e apontam caminhos práticos para uma economia mais circular e eficiente.
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