Ele começou aos 12 anos e hoje domina arte de 200 anos sozinho
Saied Hussain mantém processo manual que nasceu na Europa do século XIX vivo
No coração do Cairo, um pequeno ateliê mantém viva uma tradição de mais de 200 anos: a produção artesanal de ladrilhos hidráulicos de cimento, conduzida por Saied Hussain, um artesão que transformou um material comum em verdadeira arte.
Quem é o homem por trás dos ladrilhos de cimento?
Saied Hussain começou a fazer ladrilhos de cimento aos 12 anos, aprendendo o ofício dentro de uma oficina tradicional e mantendo até hoje quase o mesmo processo manual. Filho de um artesão que trabalhou em uma loja de imigrantes gregos, ele cresceu cercado por moldes, cores e histórias de um Egito que ainda construía tudo no ritmo das mãos.
Tudo começa com o cimento branco sendo peneirado até virar um pó bem fino; depois, Saied mistura pigmentos para chegar em tons exatos, e a cor é o grande diferencial do seu trabalho. Em seguida, ele adiciona água e despeja cada cor em compartimentos do molde, usando estênceis metálicos que o acompanham há mais de 35 anos.

Como funciona o processo de produção dos ladrilhos?
Depois das cores, o molde é completado com uma mistura de areia, cimento e calcário, etapa essencial para que o desenho não se desmanche com o uso e com o tempo. Logo após, o ladrilho segue para a prensa hidráulica, onde a forte pressão solidifica o cimento em segundos.
Os ladrilhos de cimento surgiram na Europa em meados do século XIX, quando o cimento virou uma opção barata e eficiente, com fábricas se espalhando por países como Reino Unido, França e Bélgica, especialmente no pós-Primeira Guerra. Com o tempo, novos gostos e materiais empurraram o cimento para o canto: na Europa ele perdeu espaço a partir de meados do século XX.
Por que essa tradição quase desapareceu no Egito?
No Egito, os ladrilhos cerâmicos e de mármore dominaram o mercado nos anos 1990, fazendo com que a produção artesanal de cimento quase desaparecesse. Para continuar no jogo, Saied passou a criar modelos mais baratos, trabalhando com apenas dois funcionários.
Ele produz até 150 ladrilhos por dia, vendidos a cerca de 500 libras egípcias por metro quadrado, algo em torno de 31 dólares. A resistência do material e a beleza dos desenhos únicos mantêm viva uma técnica que poucos ainda dominam no país.
Veja no vídeo como ele transforma cimento em arte usando prensa hidráulica:
Como Saied mantém essa arte viva em 2026?
Saied oferece, há cerca de 40 anos, aprendizados gratuitos a jovens artesãos, defendendo que nem todo mundo consegue dominar essa técnica, mas que o mais importante é que essa arte continue viva. Ele acredita que preservar o ofício vai além da produção: é inspirar novas gerações.
Para quem se interessa por esse tipo de história, vale seguir explorando outras curiosidades sobre tradições artesanais ao redor do mundo, técnicas antigas que resistem ao tempo e artesãos que dedicam a vida a manter viva a cultura material de seus países.
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