Ela vive isolada em uma vila asturiana cujos últimos vizinhos partiram ainda no ano de 1991: “Tenho uma loja, mas é para mim”
Enquanto as antigas casas desaparecem sob a vegetação nas Astúrias, na Espanha, Tere mantém viva a memória de seus antepassados, cultiva os próprios alimentos e surpreende ao explicar por que não considera a solidão um problema.
Em uma pequena aldeia em uma vila isolada das Astúrias, na Espanha, uma mulher decidiu continuar vivendo onde quase todos foram embora há décadas. Tere é a única moradora de um povoado cujos últimos vizinhos partiram em 1991.
Cercada por casas em ruínas, pela natureza e por lembranças de outra época, ela construiu uma rotina própria e encontrou motivos para não abandonar o lugar que considera seu lar.
Por que Tere permaneceu em uma vila isolada que todos abandonaram?
Tere chegou ao povoado aos três anos, após a morte do avô, e cresceu ao lado da avó Flora e dos tios Pepe e Ricardo. A família vivia principalmente da criação de gado e do trabalho com a terra, em uma comunidade pequena, formada por poucas casas.
O esvaziamento começou na década de 1960, quando moradores passaram a buscar melhores condições de vida nas cidades próximas.
A falta de infraestrutura também pesou: a estrada só chegou à aldeia em 1978. No fim de 1991, os últimos familiares se mudaram, mas Tere decidiu preservar a casa e as lembranças de sua família.
Como a moradora consegue viver praticamente sem vizinhos?
Apesar do isolamento, Tere mantém uma rotina que combina trabalho, cultivo de alimentos e cuidados com os animais que resgata. Ela também sai para fazer compras quando necessário, mas procura produzir boa parte do que consome.
Entre as atividades que ajudam a sustentar sua vida na aldeia estão:
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Como Tere consegue viver praticamente sozinha?
Uma rotina de autonomia, tradições familiares e aproveitamento dos alimentos ajuda a explicar como ela mantém a vida na aldeia.
Cultivo de hortaliças
A horta fornece verduras e outros alimentos para o consumo diário, aproximando Tere de uma rotina de subsistência.
Conservação da colheita
Os potes de conservas ajudam a guardar ingredientes e aproveitar os excedentes da produção por mais tempo.
Armazenamento de provisões
O hórreo, construção tradicional das Astúrias usada para guardar alimentos, contribui para preservar parte da produção.
Preparo de receitas caseiras
Tere mantém hábitos culinários aprendidos com a família e utiliza ingredientes cultivados na própria propriedade.
A rotina mostra que viver em uma aldeia praticamente abandonada exige organização e trabalho constante. Ainda assim, a moradora encontrou maneiras de preservar costumes antigos e reduzir a dependência do comércio.
O que torna a vida de Tere em uma vila isolada diferente da solidão que muitos imaginam?
Para Tere, morar sem vizinhos não significa necessariamente viver infeliz. Ela afirma que poderia escolher outro lugar para morar, mas prefere a tranquilidade da aldeia e a ligação afetiva com a propriedade construída por seus antepassados.
A presença dos cães resgatados, o trabalho na terra e o contato com a natureza fazem parte dessa escolha. Sua experiência desafia a ideia de que uma vida sem convivência diária com outras pessoas precisa ser marcada pela tristeza.

Quais são os maiores desafios de manter viva uma aldeia em uma vila isolada?
A permanência de Tere também tem um lado difícil. Com o passar dos anos, as construções se deterioram e a vegetação avança sobre áreas antes ocupadas pelos moradores. A preservação do local depende de cuidados que exigem esforço e manutenção.
Entre os problemas que preocupam a moradora estão:
- Casas em ruínas: antigos imóveis desapareceram ou estão sendo consumidos pelo tempo e pela vegetação.
- Manutenção dos acessos: a limpeza da estrada depende de solicitações ao poder público.
- Riscos na propriedade: árvores próximas da residência e do hórreo exigem atenção.
- Estruturas deterioradas: uma antiga ponte de pedra apresenta sinais preocupantes de degradação.
Esses obstáculos reforçam a fragilidade de uma comunidade que perdeu seus habitantes. Mesmo assim, Tere mantém a esperança de que seu filho Pablo, que gosta da vida rural asturiana, ajude a preservar o lugar no futuro.
O que pode acontecer com a aldeia quando Tere não estiver mais lá?
O futuro do povoado é a principal preocupação da moradora. Enquanto permanece na casa da família, ela mantém uma parte da história local viva, preservando recordações dos antigos vizinhos e os costumes que aprendeu durante a infância.
A possibilidade de que tudo desapareça com o tempo, porém, provoca tristeza. Tere não permanece ali apenas por hábito: sua decisão está ligada às raízes familiares, à memória de quem viveu naquele lugar e à vontade de impedir que a aldeia seja completamente esquecida.
Sua história revela o drama silencioso do despovoamento rural, mas também mostra como o vínculo com um lugar pode superar as dificuldades do isolamento. Para Tere, continuar ali significa preservar muito mais do que uma casa: significa manter viva uma parte de sua própria história.
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