Durante anos cientistas acharam que ele eliminava resíduos pela boca até encontrarem poros minúsculos na outra extremidade
Partículas indigestíveis podem sair por poros posteriores, em vez de retornar obrigatoriamente pela boca

O que você vai ver
- Por que se acreditava que o ctenóforo eliminava resíduos pela boca.
- Como os poros posteriores foram identificados.
- O que passa por esses poros minúsculos.
- Por que ter uma saída separada da boca é uma vantagem digestiva.
- Por que essa descoberta muda o entendimento sobre o grupo.
Durante anos, cientistas acreditaram que os ctenóforos eliminavam resíduos digestivos pela própria boca, até pesquisadores encontrarem poros minúsculos numa extremidade oposta do corpo desses animais marinhos.
Por que se acreditava que o ctenóforo eliminava resíduos pela boca?
Segundo o Smithsonian, a hipótese tradicional sobre o sistema digestivo dos ctenóforos previa que tanto a entrada de alimento quanto a saída de resíduos indigestíveis ocorreriam pela mesma abertura, a boca, padrão observado em diversos outros grupos de invertebrados marinhos mais simples.
Essa suposição se manteve por bastante tempo porque a estrutura interna dos ctenóforos, animais gelatinosos e translúcidos, dificultava a observação direta de qualquer estrutura alternativa de saída localizada na extremidade oposta do corpo do animal.
Este es un Ctenóforo peine abisal, un depredador que anda por todos lados al acecho de otros ctenóforos peine. Cuando encuentra a uno de ellos, una gran boca se abre para darle una “mordida” o incluso, para tragárselo por completo pic.twitter.com/bKdPMo7HGZ
— S૯ცค (@sebastia_me) June 23, 2023
Como os poros posteriores foram identificados?
Estudos mais detalhados com ctenóforos permitiram aos pesquisadores identificar pequenos poros localizados na extremidade posterior do corpo desses animais, estruturas que haviam passado despercebidas em análises anteriores menos detalhadas do sistema digestivo do grupo.
Essa identificação exigiu observação cuidadosa da anatomia interna dos ctenóforos, já que os poros em questão são consideravelmente pequenos e não se destacam visualmente na superfície transparente característica desses animais marinhos.
O que passa por esses poros minúsculos?
Segundo o Smithsonian, partículas indigestíveis presentes no interior do ctenóforo podem sair especificamente por esses pequenos poros posteriores, em vez de retornarem obrigatoriamente pela boca, caminho inverso ao percorrido pelo alimento no momento da ingestão.
Essa separação entre a via de entrada e a via de saída de material não digerido representa uma diferença estrutural significativa em relação ao que se presumia anteriormente sobre o funcionamento do sistema digestivo simples atribuído a esses animais marinhos gelatinosos.
Por que ter uma saída separada da boca é uma vantagem digestiva?
Contar com uma abertura posterior distinta da boca permite ao ctenóforo continuar capturando e ingerindo novas presas enquanto resíduos de refeições anteriores ainda estão sendo eliminados, em vez de depender de um único orifício que precisaria alternar entre as duas funções.
Essa possível vantagem evolutiva sugere que o sistema digestivo dos ctenóforos pode ser mais sofisticado do que o presumido anteriormente, já que a separação entre entrada e saída reduz conflitos funcionais que existiriam caso ambos os processos dependessem exclusivamente da mesma abertura bucal.
Mira cómo este ctenóforo (animal marino) se traga a otro de su especie. Vía https://t.co/TOvWwunH8h pic.twitter.com/cUCWP7qWqy
— Enrique Coperías (@CienciaDelCope) August 2, 2019
Por que essa descoberta muda o entendimento sobre o grupo?
Encontrar poros posteriores funcionais nos ctenóforos reposiciona esse grupo de animais dentro do entendimento mais amplo sobre a evolução de sistemas digestivos entre invertebrados marinhos, já que a presença de uma saída distinta da boca era associada principalmente a grupos considerados mais complexos.
Essa reavaliação reforça como características anatômicas aparentemente simples podem esconder complexidade adicional, descoberta que incentiva pesquisadores a reexaminar com mais cuidado outros aspectos da biologia dos ctenóforos que até então eram tratados como bem estabelecidos na literatura científica.
- Cientistas acreditavam que ctenóforos eliminavam resíduos pela mesma boca usada para se alimentar.
- Estudos mais detalhados identificaram pequenos poros na extremidade posterior do corpo.
- Partículas indigestíveis podem sair por esses poros, em vez de retornar pela boca.
- Essa separação sugere um sistema digestivo mais sofisticado do que se presumia.
Achados que corrigem entendimentos científicos consolidados há tempo também aparecem em outros relatos, como o caso do Mount Michael, vulcão remoto do Atlântico Sul monitorado por satélites em janelas raras de céu aberto.
Mais detalhes sobre os ctenóforos estão disponíveis no site oficial do Smithsonian.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)