Duas plataformas de pedra marcavam o caminho do Sol e revelaram um observatório de mais de 2.500 anos
Em Puebla, arqueólogos confirmaram um observatório solar pré-hispânico com duas plataformas ligadas ao calendário agrícola.
Duas plataformas de pedra em Teteles de Ávila Castillo, na Serra Norte de Puebla, no México, foram identificadas como parte de um observatório solar de mais de 2.500 anos. O Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) confirmou que a disposição das estruturas permitia acompanhar o nascer do Sol e estabelecer referências para o calendário agrícola.
Como duas plataformas permitiam acompanhar o nascer do Sol?
No conjunto chamado Grupo E, ou Tetelihtic, um pátio quadrangular separa dois basamentos posicionados a leste e a oeste. Da plataforma ocidental, usada como ponto de observação, a construção oriental oferecia referências para acompanhar o deslocamento aparente do nascer do Sol durante o ano.
O anúncio do INAH, publicado em outubro de 2026, associa a descoberta à análise do planejamento urbano e à verificação dos alinhamentos solares. A interpretação considera a posição das duas estruturas e a relação entre a arquitetura e o horizonte.

Quais medidas e elementos foram identificados no observatório?
Localizado a leste da Grande Praça cerimonial, o complexo apresenta uma organização que favorecia a observação do horizonte. As medidas divulgadas pelos arqueólogos ajudam a compreender sua escala:
- A plataforma oriental mede 90 por 40 metros.
- A ocidental possui 46 por 27 metros.
- Um pátio quadrangular separa os dois basamentos.
- A estrutura oeste funcionava como ponto de observação.
Que momentos do ano podiam ser reconhecidos pelo alinhamento?
O calendário interpretado pelos pesquisadores não segue exatamente o padrão de outros conjuntos semelhantes. O centro do basamento alongado não assinalava os equinócios.
Por que o observatório é datado de mais de 2.500 anos?
O INAH situa esse tipo de conjunto no Pré-Clássico Médio, aproximadamente entre 1000 e 600 a.C., o que sustenta a antiguidade anunciada. O antigo centro cerimonial esteve em funcionamento desde cerca de 900 a.C. até aproximadamente 100 d.C., segundo a cronologia divulgada pelos arqueólogos.
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A disposição lembra o Grupo E de Uaxactún, na Guatemala, embora o exemplar mexicano seja maior. O instituto o considera o primeiro observatório desse tipo registrado fora da área maia, sem afirmar que toda a astronomia mesoamericana teve a mesma origem.
O que ainda se investiga sobre os antigos moradores?
A função solar das plataformas foi confirmada pelo projeto, mas a identidade dos construtores permanece em estudo. Escavações anteriores documentaram oferendas posteriores e alimentam hipóteses sobre vínculos culturais:
- Possíveis vínculos entre populações huastecas e ancestrais maias.
- Hipóteses sobre origens da cultura totonaca na região.
- Alinhamento de outra pirâmide com a estrela Canopo.
- Oferendas posteriores ao abandono parcial do assentamento.
O observatório mostra como astronomia e agricultura se conectavam
O conjunto de Tetelihtic demonstra que observar o horizonte fazia parte do planejamento arquitetônico mesoamericano há mais de dois milênios. Os marcos de fevereiro e outubro sugerem uma ligação entre conhecimento astronômico e organização das atividades agrícolas, num espaço também dedicado a cerimônias.
Pesquisas anteriores do projeto arqueológico em Teteles já apontavam orientações astronômicas. A confirmação de 2026 amplia esse quadro, mas não permite reconstruir rituais específicos nem definir, sem outras evidências, a identidade de todos os seus habitantes.
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