Dono do Manchester United manda parar 3 fábricas no Reino Unido e dispara contra preço do gás
Presidente da Ineos atribuiu a medida ao custo do gás natural, que tornou a operação europeia incapaz de competir com Estados Unidos e China.
O bilionário Sir Jim Ratcliffe, fundador e presidente da Ineos e coproprietário do Manchester United, decidiu suspender a produção de três fábricas químicas em Hull, no Reino Unido.
A empresa atribui a medida ao custo do gás natural, que, segundo Ratcliffe, tornou a operação europeia incapaz de competir com Estados Unidos e China.
O que aconteceu nas fábricas da Ineos em Hull?
As três unidades de acetilas da Ineos, localizadas em Saltend, na região de Humberside, estão sendo colocadas em estado de paralisação, conhecido no setor como mothballing. Duas já interromperam a produção e a terceira deve parar nos próximos dias.
O complexo emprega cerca de 245 pessoas diretamente e sustenta quase 4 mil postos de trabalho na região quando são considerados fornecedores e atividades relacionadas.
Por que o preço do gás levou as fábricas da Ineos a parar?
Segundo Ratcliffe, o gás no Reino Unido chegou a níveis muito superiores aos encontrados em grandes concorrentes industriais.
Ele afirmou que os preços britânicos estavam cerca de 12 vezes acima dos Estados Unidos e oito vezes acima dos praticados na China.
Dados citados pela Ineos apontavam aproximadamente US$ 23,51 por MMBtu no Reino Unido, contra US$ 2,84 no benchmark americano Henry Hub. Para a empresa, a combinação entre energia cara e impostos sobre carbono agravou a perda de competitividade.
BBC reports that Ineos is pausing production at its three plants in Hull, blaming high UK gas prices
— ECIU (@ECIU_UK) September 22, 2026
"If the goal is greater energy security and more stable bills, then the obvious solution is reducing our exposure to gas altogether where we can through renewables and… pic.twitter.com/tNLBGgFw5j
Quais produtos podem ser afetados pela paralisação?
As unidades de Hull fabricam produtos químicos usados como matérias-primas em diferentes cadeias industriais. A interrupção atinge uma estrutura considerada estratégica para diversos setores, incluindo:
A Ineos afirma que a paralisação representa a perda das últimas unidades europeias de acetilas em escala mundial, aumentando a dependência do continente de fornecedores externos.
O que Jim Ratcliffe diz que pode acontecer agora?
Ratcliffe afirmou que as fábricas poderão voltar a operar caso os preços do gás natural retornem a níveis considerados acessíveis e haja condições mais favoráveis para a tributação do carbono.
A decisão coloca ainda mais pressão sobre o debate envolvendo energia e indústria no Reino Unido. Para a Ineos, o cenário atual acelera a transferência de produção para regiões onde energia e custos regulatórios permitem maior competitividade.
Por que o caso ganhou tanta atenção?
A decisão ganhou repercussão também pela figura de Ratcliffe, um dos empresários mais conhecidos do Reino Unido e coproprietário do Manchester United. O episódio expõe um problema que vai além de uma única fábrica: o custo da energia pode influenciar onde grandes indústrias conseguem continuar produzindo.
Se os preços permanecerem elevados, outras operações industriais europeias também podem enfrentar decisões semelhantes, enquanto governos são pressionados a reduzir custos energéticos e preservar setores considerados estratégicos.
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