Dona de várias marcas conhecidas de roupas entra em falência e coloca uma enorme rede de lojas em reestruturação

15.10.2026

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 14.08.2026 09:33 comentários
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Dona de várias marcas conhecidas de roupas entra em falência e coloca uma enorme rede de lojas em reestruturação

Controladora de várias marcas conhecidas de moda feminina entrou em falência em 2020. Entenda por que uma grande aquisição é apontada como o início do superendividamento

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O que você vai ver
  •  Qual dona de várias marcas de roupas entrou em falência.
  •  Por que a compra de uma grande concorrente é apontada como o início do problema.
  •  Se alguma marca do grupo já tinha desaparecido antes da falência.
  •  Quantas lojas e marcas ficaram em risco no processo.

A dona de um verdadeiro portfólio de marcas de roupa feminina, montado ao longo de anos de aquisições, entrou com pedido de recuperação judicial em 2020 colocando toda a sua enorme rede de lojas em processo de reestruturação de uma só vez.

Qual dona de várias marcas de roupas entrou em falência?

A empresa é a Ascena Retail Group, então controladora das marcas Ann Taylor, LOFT, Lane Bryant, Justice e Lou & Grey, que em julho de 2020 entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos listando cerca de R$ 68,75 bilhões em passivos totais, dos quais aproximadamente R$ 8,8 bilhões em dívida financeira propriamente dita.

O plano de reestruturação previa eliminar cerca de R$ 5,5 bilhões dessa dívida por meio de acordo com credores, ao mesmo tempo em que a empresa vendia praticamente todas as suas marcas operacionais como negócios separados dentro do próprio processo judicial.

Por que a compra de uma grande concorrente é apontada como o início do problema?

Em 2015, a Ascena pagou cerca de R$ 11 bilhões para comprar a ANN Inc., dona das marcas Ann Taylor e LOFT, numa aquisição apresentada na época como o passo decisivo para transformar a empresa na maior rede de moda feminina de shopping center dos Estados Unidos.

O negócio não trouxe o resultado esperado: entre o fechamento da aquisição e o fim de 2019, as ações da Ascena perderam cerca de 96% do valor, e a companhia acumulou prejuízos operacionais de aproximadamente R$ 13,2 bilhões desde meados de 2014, tendo apenas um único ano com lucro operacional positivo em cinco exercícios completos.

O tamanho da crise em números
Passivos totais listados~R$ 68,75 bi
Queda das ações desde 2015~96%
Prejuízo operacional acumulado~R$ 13,2 bi

Alguma marca do grupo já tinha desaparecido antes da falência?

Sim. Ainda em 2019, um ano antes do pedido de recuperação judicial que atingiu o restante do grupo, a Ascena já havia encerrado por completo a operação da Dressbarn, uma de suas marcas mais antigas voltadas à moda feminina de preço acessível, fechando todas as lojas da bandeira.

Esse fechamento antecipado de uma marca inteira já sinalizava que a companhia reconhecia internamente a inviabilidade de sustentar um portfólio tão grande de marcas simultâneas, movimento que se mostraria apenas o primeiro de vários cortes que culminariam na recuperação judicial do restante do grupo no ano seguinte.

Por que ter tantas marcas ao mesmo tempo virou um problema?

A estratégia da Ascena ao longo da década de 2010 foi reunir sob um mesmo grupo marcas voltadas a públicos bem diferentes, da moda adolescente da Justice à moda plus size da Lane Bryant, passando pelo segmento mais executivo da Ann Taylor, apostando que a diversidade de públicos protegeria o grupo de oscilações num nicho específico.

Dona de várias marcas conhecidas de roupas entra em falência e coloca uma enorme rede de lojas em reestruturação
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Na prática, administrar marcas tão distintas sob a mesma estrutura corporativa multiplicou a complexidade operacional e os custos fixos, sem que o grupo conseguisse extrair as sinergias de escala que justificavam, em teoria, todas as aquisições feitas nos anos anteriores.

Quantas lojas e marcas ficaram em risco no processo?

O pedido de recuperação judicial de 2020 colocou em xeque cerca de 1.600 das aproximadamente 2.800 lojas que a Ascena ainda mantinha no mundo todo, atingindo diretamente as marcas Ann Taylor, LOFT, Lane Bryant, Justice e Catherines, sendo que todas as unidades da Catherines acabaram fechadas por completo durante o processo.

  • Julho de 2020: pedido de recuperação judicial da Ascena Retail Group.
  • 2015: aquisição da ANN Inc. (Ann Taylor e LOFT) por cerca de R$ 11 bilhões.
  • 2019: fechamento total da marca Dressbarn, antes mesmo da falência do grupo.
  • Cerca de 1.600 das 2.800 lojas do grupo colocadas em risco no processo.

Assim como a Ascena se endividou tentando crescer por aquisições, o mesmo padrão apareceu na compra de uma concorrente que não resolveu os problemas de outra rede americana de roupas, como mostra o caso da dona de Men’s Wearhouse e Jos. A. Bank, que também foi à falência em 2020.

Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na CNBC.

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