Dois esqueletos de tubarão ficaram escondidos no giz por mais de 70 milhões de anos e preservaram cartilagem que quase nunca chega ao registro fóssil
O parente vivo mais próximo hoje habita o Indo-Pacífico, região muito distante de onde o fóssil foi encontrado

O que você vai ver
- Onde os dois esqueletos de Pararhincodon torquis foram encontrados.
- Por que cartilagem de tubarão quase nunca vira fóssil.
- Como tomografias revelaram detalhes do esqueleto tridimensional.
- Por que o parentesco com o tubarão-tapete atual chama atenção.
- O que essa descoberta muda no entendimento sobre tubarões antigos.
Dois esqueletos de tubarão ficaram escondidos dentro de camadas de giz por mais de 70 milhões de anos, preservando cartilagem, tecido que quase nunca sobrevive no registro fóssil por sua estrutura muito mais frágil do que a de ossos convencionais.
Onde os dois esqueletos de Pararhincodon torquis foram encontrados?
Segundo o Natural History Museum de Londres, o Pararhincodon torquis foi reconhecido a partir de fósseis tridimensionais encontrados no sul da Inglaterra, material preservado dentro de camadas de giz que mantiveram a estrutura corporal desse antigo tubarão-tapete intacta por mais de 70 milhões de anos.
A localização específica desses fósseis no sul da Inglaterra se soma a outros achados relevantes de paleontologia marinha documentados na mesma região, reforçando a importância dessa área para a compreensão da vida marinha durante períodos muito antigos da história da Terra.
A sketch of the recently published paper's describing of Pararhincodon torquis, a stem-parascylliid related to modern day collared carpetsharks, found in the Cretaceous Chalk of the UK.#paleoart pic.twitter.com/qYCJQlJ8tq
— CJSea (@CJSeaArt) May 14, 2025
Por que cartilagem de tubarão quase nunca vira fóssil?
Diferentemente do esqueleto ósseo da maioria dos vertebrados, o esqueleto dos tubarões é composto principalmente por cartilagem, tecido muito mais mole e menos resistente à decomposição, o que faz com que a grande maioria dos fósseis de tubarão se resuma normalmente a dentes, estrutura muito mais dura e resistente.
Por esse motivo, encontrar esqueletos de tubarão que preservam cartilagem, como os dois exemplares de Pararhincodon torquis, é um evento relativamente raro no registro fóssil, já que as condições necessárias para impedir a decomposição completa desse tecido mole antes da fossilização são pouco comuns.
Como tomografias revelaram detalhes do esqueleto tridimensional?
Tomografias aplicadas aos dois esqueletos de Pararhincodon torquis permitiram aos pesquisadores examinar detalhes internos da estrutura corporal do animal sem precisar danificar fisicamente o material fóssil, técnica essencial para analisar cartilagem preservada de forma tridimensional dentro do giz.
Esse tipo de análise por imagem foi particularmente importante nesse caso porque o material se manteve preservado em três dimensões, condição que normalmente não sobrevive em fósseis de tubarão e que permitiu aos pesquisadores reconstruir a anatomia do animal com um nível de detalhe raramente disponível para esse grupo.
Por que o parentesco com o tubarão-tapete atual chama atenção?
O Pararhincodon torquis foi identificado como um antigo tubarão-tapete, grupo cujos representantes vivos hoje se concentram numa região geográfica muito distante do local onde o fóssil foi encontrado, o Indo-Pacífico, em vez do sul da Inglaterra onde o animal antigo foi descoberto.
Essa distância geográfica entre o local de descoberta do fóssil e a distribuição atual de seus parentes vivos chama atenção porque indica uma mudança significativa na distribuição geográfica do grupo ao longo de mais de 70 milhões de anos, processo que os pesquisadores podem investigar com mais detalhe a partir desse novo registro fóssil.
Fósiles de Pararhincodon torquis, nueva especie de tiburón de hace 70 millones de años, descubiertos en el sur de Inglaterra
— CRCpaleos (@CRCpaleos) May 21, 2025
📷Royal Society Open Science, 2025#Cretácico pic.twitter.com/1bvr5fWgmZ
O que essa descoberta muda no entendimento sobre tubarões antigos?
A identificação do Pararhincodon torquis, com cartilagem preservada em três dimensões, amplia o conhecimento sobre a anatomia de tubarões antigos além do que normalmente é possível reconstruir a partir apenas de dentes fossilizados, tipo de material que domina o registro fóssil desse grupo.
Esse tipo de achado reforça o valor científico de fósseis excepcionalmente preservados, já que cada exemplar com tecido mole conservado, como os dois esqueletos encontrados no sul da Inglaterra, oferece informação anatômica que dificilmente seria recuperada a partir do registro fóssil mais comum de tubarões, composto majoritariamente por dentes isolados.
- O Pararhincodon torquis foi identificado a partir de dois esqueletos tridimensionais do sul da Inglaterra.
- Os fósseis preservaram cartilagem, tecido que raramente sobrevive no registro fóssil de tubarões.
- Tomografias permitiram examinar detalhes internos do esqueleto sem danificar o material.
- O animal é parente de um tubarão-tapete cujo grupo hoje vive no Indo-Pacífico.
Fósseis que preenchem lacunas raras no registro geológico também aparecem em outros relatos, como o caso do Macropoma gombessae, fóssil que fechou uma lacuna de 50 milhões de anos na história dos celacantos.
Mais detalhes sobre o Pararhincodon torquis estão disponíveis no site oficial do Natural History Museum de Londres.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)