Diretor da Pixar critica excesso de telas e admite comportamento que adultos precisam rever
Jay Ward afirma que pais e filhos podem aproveitar exposição sem dispositivos e relaciona proposta presencial à discussão apresentada em Toy Story 5
A Pixar aposta em experiências presenciais para aproximar famílias de seus personagens, sem exigir interação constante com celulares e tablets. Jay Ward, diretor criativo de franquias do estúdio, afirmou durante a D23 que esse é um dos principais aspectos do Mundo Pixar. Em entrevista à CNN Brasil, o executivo defendeu que pais e filhos guardem os aparelhos para entrar fisicamente nos universos das animações e aproveitar juntos a exposição.
“É muito bom ver que as pessoas não precisam ficar presas ao celular para aproveitar a experiência da Pixar. Pais e filhos podem ir juntos. Você não precisa ficar com o celular ou o iPad na mão, pode guardá-los. Claro, pode até tirar uma selfie, mas não precisa do telefone para curtir a Pixar. Acho que o mundo já tem coisas digitais demais”, afirmou Ward durante a entrevista.
Executivo da Pixar explica proposta de Toy Story 5
Para Jay Ward, a proposta recupera uma característica que considera fundamental no entretenimento: transportar o público para universos imaginários sem depender de dispositivos eletrônicos. “Essa experiência é fantástica porque resgata a verdadeira essência do entretenimento: entrar em um mundo que não existe. Entro em um mundo onde quero estar, sem precisar de celular, computador ou tablet para isso”, explicou o diretor criativo de franquias do estúdio de animação.
A discussão sobre a presença das telas também aparece em Toy Story 5 (2026). No filme, Bonnie começa a se sentir deslocada por ainda preferir brinquedos diante do interesse de outras crianças por tablets. A menina pede aos pais uma Lilypad, dispositivo que coloca os antigos brinquedos de Andy diante de outro desafio. Ward relacionou o conflito apresentado pela animação ao comportamento dos adultos diante dos filhos no cotidiano.
“Adoro aquela mensagem, que vale tanto para nós quanto para as crianças, sobre como servimos de exemplo para o comportamento delas. Mandamos nossos filhos largarem o iPad enquanto nós mesmos estamos sentados usando o nosso”, afirmou. Assim, a abordagem do longa se conecta à proposta defendida pelo executivo para o Mundo Pixar, que oferece ao público uma experiência física baseada nos cenários e personagens das produções do estúdio.
O Mundo Pixar estreou em São Paulo, em 2022, com ambientes inspirados nas animações, personagens e elementos audiovisuais. Posteriormente, a exposição passou pelo Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza, além de alcançar mercados europeus e asiáticos. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 2027. Segundo Ward, a relação dos brasileiros com os filmes do estúdio motivou a escolha do país para receber a primeira edição da experiência presencial.
“Tenho que dar crédito à nossa equipe, porque eles vieram até mim e disseram: ‘O Brasil realmente adora os filmes da Pixar’. Os fãs brasileiros são muito apaixonados pela Pixar, mas não havia nada aqui para eles. Eles não têm um parque da Disney e disseram: ‘Queremos levar esse amor pela Pixar ao Brasil’”, contou o executivo.
Estúdio decidiu investir no Brasil
Além da origem brasileira, o projeto preservou seu nome em português durante a expansão internacional. Ward explicou que houve preocupação sobre a compreensão da expressão em mercados de língua inglesa, principalmente quando a exposição chegou à Inglaterra. A equipe, contudo, decidiu testar a recepção antes de qualquer alteração. Segundo o diretor, a reação encontrada permitiu conservar a identidade original do Mundo Pixar também nas diferentes edições realizadas fora do Brasil.
“Houve um certo zelo em manter Mundo Pixar, porque, para nós, sempre foi Mundo. Nós sabemos o que significa, mas havia uma preocupação. Quando fomos para a Inglaterra, que foi o primeiro mercado de língua inglesa em que atuamos, perguntaram: ‘Será que vão entender ‘Mundo’?’ Então decidimos deixar as pessoas ouvirem o nome e ver se fazia sentido para elas. Disseram: ‘Não importa o que significa, é um nome legal’”, relatou. “Para nós, foi muito especial poder manter o nome; chama-se ‘Mundo’ onde quer que você vá no mundo”, completou.
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