Dezoito fósseis reforçaram a presença do Homo erectus no sul da África há cerca de 2 milhões de anos
Fragmento craniano de um adulto amplia as evidências da presença de Homo erectus na África do Sul e revela mudanças em outros hominínios
Uma coleção de 18 fósseis encontrados em uma caverna sul-africana ajudou a reconstruir um capítulo decisivo da evolução humana. Entre os materiais está um fragmento craniano de um Homo erectus adulto, associado a depósitos de aproximadamente 2 milhões de anos. Publicada em setembro de 2026, a pesquisa reforça evidências apresentadas em 2020 de que essa espécie já habitava o sul da África cerca de 200 mil anos antes do que indicavam algumas referências anteriores.
Como os fósseis de Homo erectus mudaram a cronologia africana?
A descoberta ocorreu em Drimolen Main Quarry, um sítio arqueológico situado na região conhecida como Berço da Humanidade, aproximadamente 40 quilômetros a nordeste de Joanesburgo. O local preserva fósseis de diferentes hominínios que viveram durante o início do Pleistoceno.
Em 2020, pesquisadores já haviam identificado o crânio DNH 134, pertencente a uma criança de aproximadamente dois a quatro anos. O novo estudo acrescentou um fragmento de adulto, denominado DNH 127, fortalecendo a interpretação de que Homo erectus estava presente na região entre 2,04 milhões e 1,95 milhão de anos atrás.
O que os 18 fósseis revelaram sobre Homo erectus?
A equipe liderada por Jesse Martin, da Universidade La Trobe, na Austrália, examinou materiais escavados entre 1992 e 2019. Embora esses fósseis já estivessem disponíveis em coleções científicas, muitos ainda não tinham recebido descrições anatômicas completas.
Dos 18 exemplares examinados, apenas um foi atribuído provisoriamente a Homo erectus. Outros 14 pertencem a Paranthropus robustus, enquanto três permaneceram sem identificação taxonômica precisa.
Os principais resultados incluem:
- 18 fósseis cranianos e mandibulares descritos;
- Um fragmento atribuído a Homo erectus adulto;
- 14 fósseis identificados como Paranthropus robustus;
- Três exemplares sem classificação específica;
- Evidências de hominínios com aproximadamente 2 milhões de anos.
O vídeo do Museu Nacional de História Natural Smithsonian apresenta as descobertas de Drimolen com David Strait, um dos autores da pesquisa. A palestra antecede a publicação de 2026.
Como os cientistas determinaram a idade dos fósseis?
A idade dos materiais foi estabelecida considerando o contexto geológico dos depósitos de Drimolen. Pesquisas anteriores utilizaram diferentes métodos de datação, incluindo análises paleomagnéticas e técnicas aplicadas a formações minerais das cavernas.
O fragmento DNH 127 foi encontrado em um bloco de brecha associado a uma estrutura fossilífera conhecida como DNH 7 Pinnacle. Sua posição geológica indica que provavelmente pertence ao mesmo intervalo cronológico de outros fósseis do sítio. Portanto, a idade apresentada corresponde ao contexto dos depósitos, não a uma datação direta do próprio osso.
Por que o novo Homo erectus adulto é importante?
O crânio DNH 134, identificado anteriormente, pertencia a uma criança. Como indivíduos jovens apresentam características anatômicas diferentes das observadas em adultos, existiam limitações para compreender a aparência dessa população antiga.
O estudo publicado na revista Annals of Human Biology descreveu o DNH 127, preservado parcialmente na região temporal do crânio. Sua classificação como Homo erectus é provisória, mas acrescenta evidências importantes. A descoberta não estabelece definitivamente onde a espécie surgiu nem representa sua primeira identificação em Drimolen.

Quais outros ancestrais humanos viveram ao lado do Homo erectus?
Os fósseis também revelaram detalhes de Paranthropus robustus, espécie caracterizada por dentes molares grandes e estruturas cranianas associadas a músculos mastigatórios poderosos. Esses hominínios compartilhavam a paisagem com representantes antigos do gênero Homo.
A comparação entre materiais de Drimolen e de sítios posteriores, como Swartkrans, sugere mudanças graduais na anatomia de P. robustus. Os pesquisadores identificaram diferenças relacionadas à região facial e ao aparelho mastigatório, compatíveis com processos de microevolução ao longo de aproximadamente 200 mil anos.
| Evidência | Importância científica |
|---|---|
| DNH 134 | Crânio infantil associado a Homo erectus |
| DNH 127 | Fragmento craniano atribuído a um adulto |
| 14 fósseis de Paranthropus | Ampliam a documentação da variação anatômica |
| Depósitos de Drimolen | Indicam idades entre 2,04 e 1,95 milhão de anos |
O que essa descoberta muda na história da evolução humana?
Durante muito tempo, fósseis africanos mais recentes e exemplares encontrados em Dmanisi, na Geórgia, com aproximadamente 1,8 milhão de anos, ajudaram a estabelecer referências cronológicas para Homo erectus. Os materiais de Drimolen demonstram que sua presença no sul africano era mais antiga.
Entretanto, os novos ossos não representam uma mudança cronológica descoberta exclusivamente em 2026. Eles reforçam uma interpretação apresentada em 2020, acrescentando um indivíduo adulto ao registro conhecido. A importância está em ampliar a amostra anatômica e documentar a coexistência de diferentes linhagens humanas durante uma fase crucial de sua evolução.
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