Descoberta arqueológica revela impressão digital mais antiga já registrada
Achado ocorreu no Sítio Arqueológico do Abrigo de Molino e São Lázaro, localizado próximo à cidade de Segovia, no centro da Espanha.
Em junho de 2025, uma equipe de arqueólogos espanhóis revelou uma descoberta que pode alterar significativamente o entendimento sobre os neandertais: a possível impressão digital humana mais antiga já identificada, datada de aproximadamente 43 mil anos.
O achado ocorreu no Sítio Arqueológico do Abrigo de Molino e São Lázaro, localizado próximo à cidade de Segovia, no centro da Espanha. Desde 2012, esse local tem sido alvo de pesquisas coordenadas por universidades e institutos científicos espanhóis.
A marca foi encontrada em uma pedra de granito de 21 centímetros, coberta por ocre, um mineral frequentemente utilizado em pinturas rupestres.
A análise detalhada da peça envolveu tecnologias avançadas, como escaneamento em 3D, microscopia eletrônica e ressonância multiespectral, permitindo aos pesquisadores confirmar a presença de uma impressão digital preservada ao longo de milênios.
O que a impressão digital revela sobre os neandertais?
O estudo realizado pelos arqueólogos aponta que a impressão digital apresenta características anatômicas compatíveis com as mãos humanas, mais especificamente de um neandertal do sexo masculino.
Esse detalhe reforça a ideia de que os neandertais possuíam habilidades cognitivas e motoras avançadas, capazes de criar marcas intencionais em objetos. A análise forense, baseada em padrões das linhas das mãos, foi fundamental para essa identificação.
Além disso, a pedra onde a impressão foi registrada não possui origem local, tendo sido transportada do rio Eresma, situado a cerca de cinco quilômetros do sítio arqueológico. Esse fato sugere que houve uma escolha deliberada do material, indicando planejamento e intenção por parte do indivíduo responsável pela marcação.
Impressão digital neandertal: arte, símbolo ou acaso?
Os resultados das análises estatísticas realizadas pelos especialistas indicam que a impressão digital não foi resultado de um simples contato acidental.
Segundo o estudo, trata-se de um “design intencional”, ou seja, a marcação foi feita de propósito, sem fins utilitários ou ritualísticos.
Actualité > ⚡ Cette empreinte digitale a 43 000 ans 🖐️ https://t.co/UuHeTztERv
— Techno-Science.net (@TechnoScience) June 6, 2025
Os pesquisadores classificam o objeto como simbólico, sugerindo que o neandertal buscava deixar uma espécie de assinatura pessoal ou expressão individual.
- Objeto simbólico: a marcação vai além do uso prático, indicando intenção artística ou comunicativa.
- Única pintura neandertal: até o momento, não há registros de outras impressões digitais neandertais pintadas em objetos portáteis na Europa.
- Transporte de materiais: a escolha da pedra demonstra mobilidade e planejamento dos grupos neandertais.
Como a descoberta impacta o estudo da pré-história?
A identificação da impressão digital mais antiga do mundo amplia o conhecimento sobre o comportamento simbólico dos neandertais. Até recentemente, a capacidade desses hominídeos para criar arte ou símbolos era tema de debate entre especialistas.
O achado reforça a hipótese de que os neandertais eram capazes de produzir manifestações culturais complexas, semelhantes às dos humanos modernos.
O governo espanhol destacou a importância do objeto, classificando-o como o artefato portátil mais antigo pintado na Europa e a única evidência conhecida de pintura neandertal em um item desse tipo.
Essa descoberta contribui para a revisão de conceitos sobre a evolução cultural e cognitiva dos hominídeos que habitaram o continente europeu há dezenas de milhares de anos.
Quais são os próximos passos para a pesquisa?
Com a divulgação dos resultados, novas investigações devem ser realizadas para compreender melhor o contexto em que a impressão digital foi criada.
Entre as possibilidades estão estudos sobre a circulação de materiais, a função simbólica dos objetos e a comparação com outras manifestações artísticas pré-históricas.
O uso de tecnologias como escaneamento 3D e análises químicas continuará sendo fundamental para desvendar detalhes sobre o cotidiano e as capacidades dos neandertais.
O achado em Segovia representa um marco para a arqueologia europeia e amplia as perspectivas sobre a complexidade dos grupos humanos que habitaram a região durante o Paleolítico.
A cada nova descoberta, o entendimento sobre a origem e o desenvolvimento das expressões simbólicas na pré-história se torna mais abrangente e detalhado.
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