Depois de levar um choque elétrico, tocar diretamente na pessoa enquanto ela ainda estiver em contato com a corrente pode transformar uma vítima em duas antes mesmo de alguém conseguir pedir socorro
Interromper a energia antes de tocar na vítima é a primeira medida para prestar socorro sem criar uma segunda emergência
Um choque elétrico pode provocar queimaduras, alterações cardíacas, contrações musculares, perda de consciência e lesões internas mesmo quando quase nada aparece na pele. A primeira regra do socorro é proteger quem pretende ajudar: enquanto a vítima permanecer ligada à fonte elétrica, tocá-la diretamente pode fazer a corrente atingir também o socorrista.
O que fazer primeiro diante de um choque elétrico?
Antes de tocar na pessoa, tente interromper a eletricidade pelo disjuntor, chave geral ou outro comando seguro. A Mayo Clinic orienta desligar a fonte sempre que possível e nunca encostar diretamente em alguém que ainda esteja recebendo corrente. Água, superfícies molhadas e objetos metálicos aumentam ainda mais o perigo.
Em instalações domésticas de baixa tensão, se não for possível desligar imediatamente a energia, orientações de primeiros socorros admitem afastar a fonte usando um objeto seco e não condutor, como madeira, plástico ou papelão. Isso não se aplica a fios de alta tensão ou redes externas: nesses casos, mantenha distância e espere profissionais desligarem o circuito.
Quando não se deve tocar na vítima?
Enquanto houver possibilidade de a pessoa continuar conectada ao circuito, não toque nela com as mãos nem tente puxá-la pelas roupas. Também não entre em locais molhados próximos à fonte elétrica. Cabos de alta tensão caídos representam risco mesmo sem contato direto e exigem isolamento da área e atendimento especializado.
A ordem inicial deve ser simples.
- Observe se o ambiente ainda está energizado.
- Desligue a eletricidade quando isso puder ser feito com segurança.
- Não toque na vítima antes de eliminar o risco elétrico.
- Acione o SAMU pelo 192 em situações de choque elétrico.
- Chame o Corpo de Bombeiros pelo 193 quando houver risco elétrico, incêndio ou necessidade de resgate.
- Depois de eliminar a corrente, verifique consciência e respiração.
Brigadistas da Câmara Municipal do Rio mostram como interromper o contato com a fonte elétrica e prestar os primeiros cuidados sem transformar o socorrista em outra vítima.
O que fazer depois que o choque elétrico foi interrompido?
Somente depois de confirmar que não existe mais contato com a eletricidade é seguro avaliar a vítima. Se ela estiver inconsciente e não respirar normalmente, é necessário acionar imediatamente o serviço de emergência e iniciar ressuscitação cardiopulmonar conforme treinamento disponível, utilizando um desfibrilador externo automático se houver acesso ao equipamento.
Se estiver respirando, evite movimentá-la desnecessariamente, especialmente se houve queda provocada pelo choque. Queimaduras podem ser cobertas suavemente com gaze estéril ou tecido limpo apropriado, sem arrancar roupas aderidas à pele. Perda de consciência, convulsões, dificuldade respiratória, confusão, queimaduras importantes ou alterações cardíacas exigem atendimento emergencial.
Por que alguém aparentemente bem ainda pode precisar de avaliação?
A aparência externa não revela necessariamente a extensão da lesão elétrica. A corrente pode atravessar tecidos internos e interferir no coração, músculos e sistema nervoso sem produzir uma queimadura grande na pele. A gravidade varia conforme tensão, tipo de corrente, duração do contato e trajeto percorrido pelo corpo.
Por esse motivo, a Mayo Clinic recomenda que pessoas lesionadas por contato com eletricidade sejam avaliadas por profissional de saúde. O Ministério da Saúde inclui choque elétrico entre as situações para acionamento do SAMU 192, principalmente quando existe risco de morte, sequela ou sofrimento intenso.

Quais sinais depois de um choque elétrico exigem atenção imediata?
Perda de consciência, dificuldade para respirar, convulsões, confusão, contrações ou dores musculares importantes e sinais de alteração do ritmo cardíaco estão entre as situações que justificam atendimento de emergência. Queimaduras elétricas também podem esconder danos mais profundos do que sua aparência superficial sugere.
Mesmo depois que a pessoa desperta, observe se surgem tontura, fraqueza, dificuldade respiratória ou outros sintomas anormais enquanto o atendimento é providenciado. Não ofereça comida ou bebida a uma vítima gravemente ferida ou com alteração de consciência.
| Situação | Conduta inicial | Risco |
|---|---|---|
| Vítima energizada | Não tocar | Segundo choque |
| Energia desligada | Avaliar consciência e respiração | Parada cardiorrespiratória |
| Fio de alta tensão | Manter distância | Arco elétrico |
| Pessoa aparentemente bem | Buscar avaliação | Lesão interna oculta |
Como reduzir o risco de um novo choque elétrico durante o socorro?
Nunca improvise aproximando-se de fios caídos, equipamentos molhados ou instalações danificadas. Em alta tensão, até chegar perto demais pode ser perigoso. A prioridade é afastar outras pessoas, acionar os responsáveis pela rede e esperar a confirmação de que a energia foi interrompida.
Em casa, saber onde fica o disjuntor geral pode encurtar uma emergência. O princípio permanece o mesmo em qualquer situação: primeiro eliminar a fonte elétrica, depois prestar assistência. Um socorrista que entra em contato com uma vítima ainda energizada pode sofrer o mesmo choque elétrico e impedir que qualquer um dos dois receba ajuda rapidamente.
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