Depois de 96 anos, símbolo das lojas de luxo entra em falência e começa a despedida de quase toda a rede
Símbolo do varejo de luxo americano começou com o fundador penhorando a aliança de noivado da esposa e, 96 anos depois, foi vendido por cerca de R$ 1,5 bilhão na falência

O que você vai ver
- Qual símbolo do varejo de luxo entrou em falência.
- Como a rede começou quase um século antes.
- Por quanto a marca foi vendida na falência.
- O que sobrou da marca depois disso.
Uma rede de lojas que se tornou sinônimo de moda de luxo nos Estados Unidos começou quase um século antes com uma quantia modesta, obtida quando o fundador penhorou a própria aliança de noivado da esposa. Em 2019, depois de 96 anos, a empresa entrou em falência e anunciou o fechamento de quase toda a rede física.
Qual símbolo do varejo de luxo entrou em falência?
A rede é a Barneys New York, que pediu Chapter 11 em agosto de 2019, depois de trimestres seguidos de vendas em queda, pressionada pelo crescimento do comércio eletrônico, redução de movimento nas lojas físicas e custos de aluguel cada vez mais altos em suas principais localizações.
O plano inicial de reestruturação já previa o fechamento de 15 das 22 lojas então em operação, mas a operação física acabaria encerrada por completo meses depois, com a venda dos ativos da marca a outro comprador.
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Como a rede começou quase um século antes?
A Barneys foi fundada em 1923 por Barney Pressman, que usou uma quantia modesta obtida ao penhorar a aliança de noivado da própria esposa para abrir uma loja de roupas masculinas com desconto na Sétima Avenida, em Manhattan.
Ao longo das gerações seguintes da mesma família, o pequeno negócio de roupas masculinas populares se transformou num dos principais destinos de moda de luxo dos Estados Unidos, responsável por introduzir marcas europeias de grife como Armani, Comme des Garçons e Christian Louboutin ao público americano.
1923
ano de fundação da Barneys, 96 anos antes do pedido de falência protocolado em agosto de 2019.
Por quanto a marca foi vendida na falência?
Uma juíza federal aprovou uma oferta de cerca de R$ 1,5 bilhão apresentada em conjunto pela Authentic Brands Group e pela B. Riley Financial, negócio que encerrou o capítulo da Barneys como loja de departamentos física independente.
- 1923: fundação da Barneys, em Manhattan.
- Agosto de 2019: pedido de Chapter 11.
- Plano inicial previa fechar 15 das 22 lojas então em operação.
- Venda da marca por cerca de R$ 1,5 bilhão à Authentic Brands Group e B. Riley Financial.
- Fevereiro de 2020: encerramento total das lojas físicas remanescentes.
O que sobrou da marca depois disso?
A Authentic Brands Group manteve apenas a propriedade intelectual da Barneys, sem qualquer loja física própria, e passou a licenciar o nome para departamentos especiais dentro de lojas da rede Saks Fifth Avenue a partir de 2021.
Mais recentemente, a Authentic Brands Group e a Saks Global formaram uma joint venture batizada de Authentic Luxury Group, que inclui a Barneys entre suas marcas, permitindo que o nome continue existindo comercialmente, ainda que numa estrutura completamente diferente da rede de lojas físicas que a família Pressman construiu ao longo de quase um século.

Um desfecho parecido, de marca sobrevivendo apenas como licenciamento depois do fim das lojas originais, também apareceu no caso de Brooks Brothers, outra grife tradicional americana vendida na falência em 2020.
Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na WWD.
Por que o contraste entre fundação e falência chama tanta atenção?
A distância entre a quantia modesta usada para abrir a primeira loja em 1923 e o valor bilionário da venda dos ativos em 2019 resume, de certa forma, toda a trajetória da marca: quase um século de construção de prestígio e reconhecimento, seguido por um colapso financeiro que nada teve a ver com falta de reputação, e sim com mudanças estruturais no próprio setor de varejo físico de luxo.
Esse tipo de contraste entre origem modesta e desfecho financeiro de grande porte é parte do que transforma casos como o da Barneys em histórias comentadas muito além do círculo de moda, funcionando quase como uma parábola sobre os limites do prestígio de marca diante de mudanças de mercado que nenhuma reputação histórica consegue conter sozinha.
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