Debaixo de duas cidades existem 3.500 salas cavadas na pedra e algumas viraram pombais, banhos, estábulos, túmulos e esconderijos
Complexos subterrâneos revelam como antigas pedreiras foram reutilizadas para trabalho, armazenamento, culto, defesa e sepultamentos
Sob Maresha e Bet-Guvrin, nas terras baixas da Judeia, existe uma verdadeira cidade escavada no subsolo. Aproximadamente 3.500 câmaras formam os complexos de cavernas de Maresha, abertos em calcário calcário macio e reutilizados durante mais de dois mil anos. Muitas começaram como pedreiras e depois ganharam funções completamente diferentes, incluindo cisternas, lagares de azeite, pombais, banhos, estábulos, espaços religiosos, esconderijos e áreas funerárias.
Por que as cavernas de Maresha foram tão fáceis de escavar?
O subsolo da região combina uma camada superficial mais resistente com espessas formações de giz macio abaixo dela. Essa composição permitia abrir uma pequena passagem através da cobertura e ampliar grandes salas no material mais fácil de cortar, mantendo parte do teto naturalmente protegida.
A mesma característica geológica explica a densidade extraordinária de cavidades. Em vez de transportar pedra de pedreiras distantes, moradores retiravam material diretamente sob ou perto das construções e aproveitavam posteriormente os vazios criados pela extração.
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Como pedreiras viraram pombais, banhos e estábulos?
Depois que a retirada de pedra terminava, muitas câmaras podiam ser adaptadas. Algumas receberam nichos para criação de pombos, outras foram transformadas em cisternas, prensas de azeite, armazéns, banhos ou estábulos. Nas periferias urbanas, cavidades também foram utilizadas como túmulos.
Os usos mudaram conforme população, economia e períodos históricos se sucediam. Isso criou complexos nos quais diferentes fases de escavação e reutilização podem aparecer praticamente lado a lado.
- Pedreiras para extração de pedra;
- Cisternas e canais de água;
- Prensas subterrâneas de azeite;
- Pombais e estábulos;
- Túmulos e esconderijos.
Quantas estruturas realmente existem sob as antigas cidades?
A área inscrita como Patrimônio Mundial reúne cerca de 500 cavernas ou complexos contendo aproximadamente 3.500 compartimentos subterrâneos. Elas estão distribuídas sob Maresha, Bet-Guvrin e setores próximos, formando o que a UNESCO descreve como uma “cidade sob uma cidade”.
Pesquisas arqueológicas recentes continuam refinando esse mapa. Um levantamento publicado pela Autoridade de Antiguidades de Israel em 2025 documentou 152 complexos apenas na cidade helenística de Maresha, mostrando como novas análises ainda conseguem reconstruir funções, reformas e abandono das câmaras.
O que os arqueólogos descobriram sobre a reutilização das cavernas?
Uma grande parte das câmaras começou realmente como espaço de extração, mas os arqueólogos identificaram centenas de instalações posteriores. Levantamentos em Maresha registraram cisternas, dezenas de prensas de azeite, pombais, banhos e estábulos, além de silos, espaços cultuais e áreas de armazenamento.
A publicação arqueológica da Autoridade de Antiguidades de Israel mostra como esses ambientes subterrâneos foram modificados conforme as necessidades da população helenística. Inscrições, nichos e elementos religiosos também revelam a diversidade cultural dos habitantes que utilizaram os espaços.

Por que algumas câmaras acabaram transformadas em esconderijos?
Períodos de conflito levaram habitantes a conectar e adaptar algumas cavidades. Túneis estreitos criaram redes mais difíceis de atravessar, permitindo esconder pessoas e suprimentos em momentos de instabilidade.
A Autoridade de Parques de Israel relaciona parte desses sistemas à resistência judaica contra Roma durante a revolta de Bar Kokhba, no século II d.C. Isso não significa que todas as cavernas fossem abrigos: esconderijos representam apenas uma das muitas fases e funções da infraestrutura subterrânea.
Por que Maresha e Bet-Guvrin viraram Patrimônio Mundial?
A UNESCO inscreveu as Cavernas de Maresha e Bet-Guvrin na Lista do Patrimônio Mundial em 2014. O reconhecimento considera a excepcional densidade de estruturas, a diversidade de usos e a continuidade de escavação e reutilização desde a Idade do Ferro até o período das Cruzadas.
O conjunto preserva, portanto, mais do que salas subterrâneas impressionantes. Ele mostra como diferentes sociedades aproveitaram a mesma geologia durante cerca de dois milênios, transformando antigas pedreiras em infraestrutura econômica, doméstica, religiosa, defensiva e funerária.
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