Debaixo de duas cidades antigas existem 3.500 câmaras escavadas na rocha que viraram cisternas, estábulos, oficinas e esconderijos durante 2 mil anos
As câmaras começaram como pedreiras para extração de material de construção antes de ganharem outros usos

O que você vai ver
- O que são Maresha e Bet-Guvrin.
- Como começou a escavação dessas 3.500 câmaras.
- Que usos as câmaras ganharam ao longo do tempo.
- Como essa cidade subterrânea se manteve ativa por 2 mil anos.
- Por que esse sítio é considerado uma verdadeira cidade sob a cidade.
Em Israel, debaixo de duas cidades antigas, existem cerca de 3.500 câmaras escavadas diretamente na rocha, espaços que ao longo de 2 mil anos foram usados como cisternas, estábulos, oficinas e até esconderijos em momentos de necessidade.
O que são Maresha e Bet-Guvrin?
Maresha e Bet-Guvrin são duas cidades antigas situadas em Israel que, juntas, formam um complexo arqueológico reconhecido pela extensa rede de câmaras subterrâneas escavadas sob a superfície onde as cidades se desenvolveram ao longo dos séculos.
Essas duas localidades, embora distintas entre si, compartilham uma característica geológica comum que tornou possível a escavação em larga escala de espaços subterrâneos: uma camada de rocha calcária relativamente macia e fácil de trabalhar, presente em profundidade acessível abaixo da superfície das cidades.
En el siglo XX, los arqueólogos descubrieron que hace más de 2.500 años los hebreos de Maresha y Bet Guvrin empezaron a horadar el suelo bajo sus ciudades creando cisternas, templos, refugios y valiosas necrópolis que aún conservan frescos pic.twitter.com/xLMhNg43qa
— Viaje al Patrimonio (@viajepatrimonio) April 25, 2018
Como começou a escavação dessas 3.500 câmaras?
Segundo a UNESCO, as câmaras subterrâneas de Maresha e Bet-Guvrin começaram como pedreiras, escavadas inicialmente com o objetivo prático de extrair blocos de rocha calcária usados na construção das estruturas de superfície das próprias cidades.
Depois de esgotado o propósito original de extração de material de construção, muitos desses espaços vazios deixados pela escavação passaram a ser reaproveitados para outras finalidades, processo gradual que se estendeu ao longo de gerações e resultou no acúmulo impressionante de cerca de 3.500 câmaras distintas sob as duas cidades.
Que usos as câmaras ganharam ao longo do tempo?
Ao longo de sua história de utilização, as câmaras de Maresha e Bet-Guvrin foram adaptadas para uma variedade impressionante de funções, incluindo prensas de azeite, pombais usados para criação de aves, banhos, túmulos e espaços de refúgio usados em momentos de necessidade específica.
Essa diversidade de usos reflete diretamente como as comunidades que habitaram as duas cidades ao longo dos séculos souberam adaptar continuamente o espaço subterrâneo já disponível às necessidades práticas de cada período histórico específico, em vez de simplesmente abandonar as câmaras depois que seu propósito original de extração de rocha havia sido esgotado.
Entre todas las cuevas bajo la ciudad hebrea de Maresha, hoy territorio israelí, destacan las dos necrópolis sidonias datadas en el siglo III aC: la de Músicos y Apolofanes. Repletas de cámaras y nichos, en sus paredes se descubrieron frescos que simbolizan el paso a otra vida pic.twitter.com/atsYsx12a4
— Viaje al Patrimonio (@viajepatrimonio) November 12, 2019
Como essa cidade subterrânea se manteve ativa por 2 mil anos?
A reutilização contínua e a adaptação constante das câmaras subterrâneas para novas funções permitiram que o complexo de Maresha e Bet-Guvrin permanecesse relevante e ativamente utilizado por um período de aproximadamente 2 mil anos, intervalo excepcionalmente longo para uma mesma estrutura escavada.
Essa longevidade de uso contrasta diretamente com o padrão mais comum de abandono de estruturas antigas depois que seu propósito original deixa de ser necessário, reforçando o quanto a flexibilidade funcional dessas câmaras subterrâneas foi decisiva para sua permanência ativa ao longo de tantos séculos de história.
#AmphitheatreSaturday – The Eleutheropolis amphitheatre, located within Beit Guvrin-Maresha National Park in Israel, is a well-preserved 2nd-century AD Roman arena built by the Roman army. It was designed to accommodate 3,500 spectators for gladiatorial contests and venationes… pic.twitter.com/qzRA7tg1rx
— Following Hadrian (@carolemadge) April 18, 2026
Por que esse sítio é considerado uma verdadeira cidade sob a cidade?
A escala e a diversidade funcional das 3.500 câmaras escavadas sob Maresha e Bet-Guvrin justificam a descrição do complexo como uma verdadeira cidade sob a cidade, já que o espaço subterrâneo reproduzia, em boa parte, a mesma variedade de funções urbanas encontradas na superfície das duas cidades.
Essa comparação direta com uma cidade paralela, situada logo abaixo da superfície habitada, ajuda a ilustrar a complexidade real do complexo arqueológico, que vai muito além de um simples conjunto de túneis, representando uma extensão funcional completa da vida urbana das duas antigas cidades israelenses.
- Maresha e Bet-Guvrin, em Israel, preservam cerca de 3.500 câmaras escavadas na rocha.
- Câmaras começaram como pedreiras para extração de material de construção.
- Foram reaproveitadas como cisternas, estábulos, oficinas, pombais e esconderijos.
- Complexo permaneceu em uso contínuo por cerca de 2 mil anos.
Escalas que surpreendem por sua dimensão real também aparecem em outros relatos, como o caso dos bristlemouths, peixes minúsculos que podem somar cerca de um quatrilhão de indivíduos nos oceanos.
Mais detalhes sobre Maresha e Bet-Guvrin estão disponíveis no site oficial da UNESCO.
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