Debaixo de antigos reservatórios considerados sem fundo, moradores descobriram espaços subterrâneos com até 18 metros de altura, paredes inteiras cobertas por marcas paralelas e pilares deixados estrategicamente para sustentar toneladas de rocha acima
Paredes com menos de dois metros entre grandes câmaras e pilares preservados na própria rocha revelam o planejamento subterrâneo de Longyou
Em 1992, moradores de Longyou, na província chinesa de Zhejiang, começaram a drenar reservatórios cuja profundidade intrigava a população local. Debaixo da água apareceram enormes câmaras escavadas manualmente em siltito, algumas com vãos superiores a 30 metros e alturas de até 18 metros nas cinco cavernas mais estudadas. A engenharia das Cavernas de Longyou chama atenção porque câmaras muito próximas foram abertas sem se encontrar, enquanto pilares, paredes inclinadas e tetos acompanhando as camadas da rocha contribuíram para a estabilidade do conjunto.
Como as Cavernas de Longyou foram abertas tão próximas sem romper umas nas outras?
As cinco grandes câmaras inicialmente drenadas ocupam uma área subterrânea relativamente compacta, e estudos posteriores identificaram dezenas de cavidades na região. Em alguns pontos, a separação entre cavernas vizinhas fica abaixo de um metro. Entre as cavernas 1 e 2, pesquisadores mediram uma parede comum com apenas 0,55 a 1,3 metro de espessura, aproximadamente 16,5 metros de comprimento e 5 metros de altura.
Esse detalhe é particularmente importante porque os trabalhadores escavavam sem instrumentos modernos capazes de localizar precisamente outra cavidade através da rocha. Pesquisadores que analisaram o complexo consideram a disposição das câmaras uma evidência de levantamento subterrâneo e planejamento cuidadoso, embora o método exato usado para transferir medidas da superfície permaneça desconhecido.
O que os pilares revelam sobre a engenharia das Cavernas de Longyou?
Os escavadores não removeram todo o maciço. Partes da própria rocha foram deliberadamente preservadas como pilares para sustentar os tetos. Nas cinco cavernas estudadas em detalhes, cada câmara possui entre um e quatro desses apoios, enquanto os tetos acompanham aproximadamente a inclinação natural das camadas geológicas.
- Os maiores vãos analisados chegam a aproximadamente 34 metros.
- As alturas das cinco principais cavernas variam entre 8 e 18 metros.
- A cobertura de rocha sobre alguns tetos chega a apenas 0,6 metro.
- Os pilares foram deixados no próprio siltito durante a escavação.
- Paredes e tetos inclinados acompanham características geológicas do terreno.
O vídeo abaixo percorre diferentes câmaras de Longyou e mostra os pilares, tetos inclinados e extensas superfícies cobertas pelas marcas de ferramentas preservadas no interior.
Por que algumas cavernas possuem tão pouca rocha sobre o teto?
Uma das características mais incomuns é a pequena profundidade de determinadas áreas. Na caverna número 1, por exemplo, a cobertura entre o teto e a superfície varia de cerca de 0,6 a 6,9 metros. Mesmo assim, grandes partes da escavação sobreviveram por séculos sem colapso completo.
Pesquisas geotécnicas indicam que a escolha da rocha foi decisiva. As câmaras preservadas possuem siltito relativamente íntegro e menor presença de finas camadas argilosas, que representam pontos de fraqueza. Há inclusive pequenos túneis exploratórios abandonados em locais onde essas camadas desfavoráveis foram encontradas, sugerindo que os construtores avaliavam a qualidade da rocha antes de continuar.
O que as marcas paralelas podem revelar sobre a organização do trabalho?
Paredes, pilares e tetos apresentam milhares de sulcos repetitivos deixados por ferramentas manuais. Eles formam faixas relativamente regulares e aparecem mesmo em superfícies que não precisariam de acabamento tão uniforme apenas para manter a estabilidade estrutural. Pesquisadores propõem que martelos e cinzéis foram utilizados para retirar progressivamente o siltito.
| Característica | Dado observado |
|---|---|
| Maior vão estudado | 34 m |
| Altura das cavernas 1–5 | 8 a 18 m |
| Menor cobertura conhecida | 0,6 m |
| Parede entre cavernas 1 e 2 | 0,55 a 1,3 m |
A uniformidade não permite calcular quantos trabalhadores participaram ou afirmar que todos seguiram exatamente um padrão centralizado. Ainda assim, a repetição dos sulcos em áreas extensas é compatível com um processo organizado de escavação, no qual equipes provavelmente utilizavam técnicas semelhantes durante a retirada da rocha.
Como as Cavernas de Longyou continuaram estáveis por tanto tempo?
A estabilidade não depende apenas dos pilares. Tetos inclinados, paredes levemente inclinadas, seleção de rocha relativamente intacta e drenagem fazem parte do conjunto identificado pelos estudos. As cinco câmaras completas também apresentam poucos sistemas de fraturas importantes em comparação com setores que sofreram desabamentos.
Isso não significa que o complexo tenha permanecido perfeito. Pesquisadores documentaram fissuras, deformações e áreas que precisam de reforço moderno. A água que preencheu as cavernas por longos períodos também alterou as condições internas depois da drenagem, tornando monitoramento e conservação necessários para evitar novos danos.

O que a engenharia das Cavernas de Longyou ainda não consegue explicar?
Os estudos conseguem reconstruir parte do processo: escolha do terreno, possíveis galerias de reconhecimento, cinzelamento manual, preservação de pilares e controle cuidadoso da posição das câmaras. Um estudo técnico publicado no Journal of Rock Mechanics and Geotechnical Engineering reúne essas evidências e propõe como diferentes etapas da construção podem ter funcionado.
O que permanece desconhecido é quem coordenou uma obra dessa escala, quanto tempo ela exigiu e qual era sua finalidade original. A ausência de um registro histórico inequívoco mantém essas perguntas abertas, mas a própria geometria das cavernas mostra que seus escavadores possuíam experiência prática suficiente para trabalhar grandes volumes subterrâneos sem perfurar acidentalmente as câmaras vizinhas.
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