Como um grupo de apenas quatro orcas consegue criar ondas poderosas para derrubar focas de blocos de gelo
Os predadores avançam em formação e transformam o próprio oceano em uma ferramenta precisa de ataque
Uma foca isolada sobre um bloco de gelo parece estar fora do alcance de qualquer predador que permaneça na água. O cenário muda quando várias sombras negras surgem lado a lado e avançam com uma precisão difícil de associar a um ataque improvisado, transformando o próprio oceano em uma ferramenta de caça.
Por que a foca não está segura mesmo fora da água?
Subir em uma placa de gelo é uma estratégia eficiente para escapar temporariamente de predadores marinhos. Então, a foca consegue respirar, descansar e observar a água enquanto mantém o corpo distante das mandíbulas que circulam abaixo. O problema aparece quando o bloco é pequeno, fino ou cercado por águas abertas, pois o animal fica sem uma rota terrestre para fugir.
As orcas antárticas especializadas nesse tipo de caça não atacam o gelo de maneira aleatória. Assim, elas observam o tamanho da plataforma, identificam a posição da presa e podem até empurrar o bloco para longe de placas maiores. Porém, antes de iniciar o ataque principal, o grupo precisa se organizar para que todos os corpos produzam movimento na mesma direção.
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Como a caça coordenada das orcas cria uma onda artificial?
A técnica é conhecida como wave washing, expressão que pode ser entendida como lavagem por ondas. As orcas aceleram em formação, frequentemente lado a lado, aproximando-se da superfície. Então, pouco antes de alcançar o gelo, mergulham de maneira sincronizada e movimentam as caudas, deslocando uma grande massa de água contra a plataforma onde a foca está.
- Localizam a foca sobre uma placa isolada
- Avaliam o tamanho e o formato do gelo
- Posicionam-se lado a lado na mesma direção
- Aceleram próximas à superfície
- Mergulham quase simultaneamente diante da placa
- Direcionam a onda contra a presa
- Repetem o ataque quando a foca permanece no gelo
No vídeo “Killer Whales Working Together to Hunt Seals on Ice”, o canal BBC Earth mostra orcas antárticas agindo em formação para produzir ondas, quebrar parte da plataforma e tentar retirar uma foca do gelo.
Por que a caça coordenada das orcas exige tanta precisão?
Uma onda fraca pode apenas molhar a foca, enquanto uma aproximação fora de ângulo pode empurrar o gelo para uma posição mais segura. Então, as orcas ajustam velocidade, distância, direção e momento do mergulho. O grupo também pode atacar por lados diferentes quando percebe que uma borda elevada está bloqueando a passagem da água.
Assim, a primeira onda nem sempre tenta derrubar imediatamente a presa. Em alguns casos, ela serve para quebrar a placa, reduzir sua área ou empurrá-la para águas abertas. Porém, quando o gelo fica menor, as ondas seguintes conseguem atravessar a superfície com mais força e deixam a foca cada vez mais próxima da borda.
O que os cientistas observaram durante esses ataques?
Pesquisadores que acompanharam orcas do tipo B na Península Antártica registraram 120 ondas durante 22 sequências de ataque. Então, entre as focas-de-weddell perseguidas, 12 de 16 foram capturadas, representando sucesso de aproximadamente 75%. O número médio foi de 4,1 ondas por ataque bem-sucedido, mas algumas tentativas exigiram até 10 ondas.
| Dado observado | Resultado registrado | O que revela | Importância para a caça |
|---|---|---|---|
| Ondas produzidas | 120 em 22 ataques | A técnica é repetida e controlada | Permite ajustar cada nova tentativa |
| Focas capturadas no gelo | 12 de 16 perseguidas | A estratégia apresenta alta eficiência | Transforma o refúgio em área vulnerável |
| Média por sucesso | 4,1 ondas | Uma única investida nem sempre basta | O grupo mantém a perseguição coordenada |
| Duração dos ataques | De 15 a 62 minutos | A caçada pode exigir persistência | As orcas reavaliam o gelo e a presa |
O estudo publicado na Marine Mammal Science também mostrou uma preferência marcante por focas-de-weddell, embora outras espécies fossem mais abundantes na área. Porém, isso não significa que todas as populações de orcas cacem da mesma maneira, pois diferentes grupos desenvolvem dietas, vocalizações e técnicas próprias.
Como a caça coordenada das orcas é ensinada aos filhotes?
Essa estratégia é complexa demais para depender apenas de um movimento instintivo e idêntico em todos os indivíduos. Então, os filhotes acompanham os adultos, observam as formações e participam de investidas que nem sempre parecem buscar uma captura imediata. Em algumas situações, as orcas adultas prolongam o contato com a presa, criando oportunidades para que os jovens pratiquem aproximação e controle.
Assim, o conhecimento pode ser transmitido socialmente entre gerações de uma mesma família. Porém, aprender não significa apenas copiar a velocidade dos adultos. O jovem precisa reconhecer espécies de focas, interpretar o formato do gelo, sincronizar o mergulho e entender como a presa provavelmente reagirá depois de cair na água.

Por que as orcas são consideradas golfinhos gigantes e não baleias?
As orcas pertencem à família Delphinidae, a mesma dos golfinhos oceânicos, e representam o maior membro desse grupo. Então, o nome “baleia-assassina” é popular, mas não descreve corretamente sua posição zoológica. Machos podem ultrapassar 8 metros e pesar várias toneladas, combinando dimensões impressionantes com cérebros grandes e estruturas sociais duradouras.
Porém, chamar esses animais de monstros que atacam tudo o que encontram apaga justamente sua característica mais extraordinária. Assim, grupos distintos podem especializar-se em peixes, tubarões, raias, mamíferos marinhos ou outras presas, usando técnicas diferentes. Nas águas geladas da Antártida, algumas famílias transformaram velocidade, aprendizagem e cooperação em uma onda planejada capaz de retirar uma foca de seu único refúgio.
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