Comissária de 23 anos caiu 10.160 metros sem paraquedas em 1972 após um DC-9 se partir sobre a Tchecoslováquia e Vesna Vulović sobreviveu presa dentro da fuselagem que caiu sobre uma encosta coberta de neve
Uma combinação excepcional de fuselagem, terreno, neve e resgate transformou a única sobrevivente do voo JAT 367 em recordista mundial
Em 26 de janeiro de 1972, o voo JAT 367 se desintegrou no ar sobre a então Tchecoslováquia. Entre as 28 pessoas a bordo, apenas Vesna Vulović sobreviveu. A comissária de bordo, de 23 anos, permaneceu presa numa seção da fuselagem durante uma queda oficialmente registrada em 10.160 metros. O Guinness World Records ainda reconhece o episódio como a maior queda sobrevivida sem paraquedas.
Como Vesna Vulović permaneceu dentro do avião durante a queda?
Segundo a reconstrução aceita pelo Guinness, uma explosão ocorreu no compartimento de bagagens cerca de 46 minutos após a decolagem de Copenhague. O McDonnell Douglas DC-9 se partiu em três grandes seções durante o voo, enquanto passageiros e outros tripulantes foram lançados para fora após a despressurização.
Vesna permaneceu na seção principal da fuselagem, presa por um carrinho de serviço. Essa circunstância provavelmente impediu que fosse ejetada do avião e fez com que ela chegasse ao solo ainda protegida parcialmente pelos destroços. O mecanismo exato de sua sobrevivência, porém, não pode ser reduzido a um único fator.
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Quais fatores podem ter reduzido a violência do impacto?
A seção da fuselagem caiu em uma região arborizada próxima a Srbská Kamenice e atingiu uma encosta coberta por neve. Segundo o Guinness, o ângulo favorável do terreno, a vegetação e a camada de neve provavelmente contribuíram para aumentar a distância de desaceleração e dissipar parte da enorme energia do impacto.
Isso não significa que a neve, sozinha, pudesse tornar segura uma queda dessa magnitude. O ponto decisivo é que Vesna não caiu livremente como um corpo isolado durante toda a trajetória: estava dentro de uma seção do avião, sujeita a uma combinação muito específica de orientação, deformação da fuselagem e características do terreno.
- Altitude oficial da queda: 10.160 metros.
- Data: 26 de janeiro de 1972.
- Pessoas a bordo: 28.
- Sobreviventes: Apenas uma.
- Aeronave: McDonnell Douglas DC-9 da JAT Yugoslav Airlines.
Este vídeo oficial do Guinness World Records reconstrói a queda e explica por que o caso continua reconhecido como recorde.
Que ferimentos Vesna Vulović sofreu depois do acidente?
A sobrevivência não significou escapar sem consequências graves. Vesna sofreu fratura no crânio, vértebras quebradas e outras lesões importantes. Ela passou 27 dias em coma e permaneceu hospitalizada por aproximadamente 16 meses, segundo o Guinness World Records.
Também apresentou paralisia temporária da cintura para baixo, mas recuperou a capacidade de caminhar. A recuperação prolongada tornou o caso ainda mais extraordinário, porque a sobrevivência ao impacto foi seguida por um processo médico complexo que permitiu que ela retomasse uma vida relativamente independente.
A queda de 10.160 metros é aceita sem nenhuma controvérsia?
O valor de 10.160 metros vem do relatório oficial do acidente e continua sendo a base do recorde reconhecido pelo Guinness. Em 2009, jornalistas levantaram a hipótese de que o avião poderia ter se desintegrado numa altitude muito menor após uma descida de emergência, mas a própria investigação foi baseada em evidências circunstanciais.
Por isso, o registro oficial não foi alterado. O Guinness World Records mantém Vesna como recordista da maior queda sobrevivida sem paraquedas, com 10.160 metros, realizada em 26 de janeiro de 1972.

Por que Vesna Vulović continua sendo reconhecida como recordista?
A altura registrada é maior que a altitude do Monte Everest e foi suficiente para que a aeronave estivesse viajando em ar muito rarefeito. Uma pessoa em queda livre alcançaria velocidade terminal muito antes de percorrer os 10 quilômetros completos, mas o caso de Vesna envolveu uma seção de fuselagem, tornando impossível aplicar diretamente uma estimativa simples de queda humana isolada.
O recorde permanece notável justamente porque depende de uma sequência extremamente incomum de circunstâncias. Ela precisou permanecer dentro dos destroços, sobreviver à desaceleração final e receber atendimento depois do impacto. Um morador chamado Bruno Honke, que possuía experiência médica da Segunda Guerra Mundial, encontrou Vesna viva entre os destroços.
| Dado | Informação |
|---|---|
| Queda reconhecida | 10.160 metros |
| Idade | 23 anos |
| Tempo em coma | 27 dias |
| Sobreviventes do voo | 1 entre 28 pessoas |
O que aconteceu com a comissária depois de sua recuperação?
Vesna voltou posteriormente a trabalhar para a companhia aérea, embora não mais como comissária em serviço de voo. Sua história tornou-se conhecida internacionalmente, e ela recebeu pessoalmente a certificação do Guinness relacionada à queda. Viveu até 2016, quando morreu aos 66 anos.
O episódio continua sendo lembrado não porque exista uma fórmula reproduzível para sobreviver a uma queda semelhante, mas exatamente pelo contrário. A combinação de permanecer presa dentro da fuselagem, atingir uma encosta arborizada e nevada num ângulo específico e receber socorro rápido produziu uma circunstância excepcional que não pode ser generalizada para outros acidentes.
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