Com dezenas de metros de comprimento, vários eixos esterçantes e capacidade para transportar centenas de passageiros, este ônibus consegue fazer curvas mesmo tendo uma carroceria maior que muitos caminhões articulados
Articulações, distribuição de peso e sistemas direcionais permitem que veículos de quase 30 metros operem em corredores urbanos de alta capacidade
Nas cidades que utilizam corredores de alta capacidade, o ônibus biarticulado leva ao extremo uma característica normalmente associada aos ônibus comuns: conseguir circular sobre pneus mesmo com dimensões próximas às de pequenos trens urbanos. Modelos utilizados ou desenvolvidos para sistemas BRT chegam à faixa de 24 a 30 metros, enquanto versões de 28 metros podem transportar até 250 passageiros. Projetos experimentais ultrapassaram 30 metros utilizando direção controlada em vários eixos para manter a trajetória nas curvas.
Como um ônibus biarticulado consegue fazer curvas mesmo sendo tão comprido?
A carroceria não é uma peça rígida única. Dois pontos de articulação dividem o veículo em três seções, permitindo que a parte traseira acompanhe progressivamente a trajetória iniciada pelo primeiro módulo. Sem essas articulações, uma carroceria com quase 30 metros precisaria de um espaço lateral muito maior ao realizar curvas urbanas.
Alguns projetos utilizam ainda eixos direcionais ou sistemas eletrônicos de esterçamento para controlar melhor o caminho dos módulos posteriores. O AutoTram Extra Grand, protótipo alemão de 30,73 metros, recebeu quatro eixos esterçantes além do eixo motriz fixo e alcançou raio de giro próximo ao de veículos urbanos muito menores.
O que acontece nas duas articulações durante uma mudança de direção?
As articulações permitem movimentos angulares entre os módulos enquanto mantêm uma passagem interna contínua para os passageiros. Em uma curva, a primeira seção define a trajetória e as seguintes mudam gradualmente de ângulo. Sistemas mecânicos e eletrônicos precisam impedir movimentos excessivos que poderiam comprometer estabilidade ou fazer a traseira cortar demais a curva.
- Duas articulações dividem a carroceria em três módulos.
- Eixos adicionais distribuem a massa sobre o pavimento.
- Sistemas direcionais podem controlar a trajetória das seções traseiras.
- Sensores e controles ajudam a manter estabilidade e manobrabilidade.
- O desenho das curvas precisa considerar todo o envelope de passagem.
O vídeo abaixo mostra um Volvo BZRT biarticulado de 28 metros sendo testado nas canaletas de Curitiba, permitindo observar seu comportamento real em corredores urbanos e curvas.
Por que o ônibus biarticulado precisa distribuir o peso por vários eixos?
Quanto maior o veículo, maior tende a ser sua massa total e sua capacidade de passageiros. Concentrar todo esse peso em poucos eixos aumentaria excessivamente a carga aplicada sobre pneus, suspensão e pavimento. Por isso, modelos extralongos distribuem o peso ao longo de vários pontos de apoio.
O Volvo BZRT elétrico biarticulado, por exemplo, possui configuração de quatro eixos e peso bruto permitido de até 47 toneladas. Seu chassi alcança 27,6 metros, enquanto veículos encarroçados chegam aproximadamente a 28 metros e podem transportar até 250 passageiros.
Por que esses gigantes aparecem principalmente nos corredores BRT?
Um veículo desse tamanho aproveita melhor ambientes planejados para transporte coletivo de alta capacidade. Corredores segregados reduzem conflitos com automóveis, enquanto estações maiores permitem que várias portas sejam utilizadas simultaneamente. Isso diminui o tempo parado para embarque e desembarque quando centenas de pessoas precisam entrar ou sair.
Também é necessário dimensionar cruzamentos, curvas, plataformas e áreas de retorno para o comprimento e o raio de giro da frota. A própria Volvo classifica biarticulados de BRT na faixa aproximada de 24 a 30 metros, com capacidade que pode chegar a 300 passageiros dependendo da configuração.

Quanto um ônibus biarticulado pode transportar de uma só vez?
Curitiba oferece um exemplo concreto. O protótipo elétrico Volvo BZRT testado pela cidade possui 28 metros e capacidade declarada de até 250 passageiros. A mesma capacidade aparece nos biarticulados empregados no Ligeirão Norte/Sul, mostrando como um único veículo pode concentrar uma demanda equivalente à de vários ônibus convencionais.
| Veículo | Característica |
|---|---|
| Volvo BZRT biarticulado | Cerca de 28 m e até 250 passageiros |
| Van Hool ExquiCity 24 | 23,82 m de comprimento |
| AutoTram Extra Grand | 30,73 m e mais de 250 passageiros |
A capacidade real varia conforme quantidade de assentos, espaço para pessoas em pé, equipamentos internos e limites legais de cada operação. Por isso, comprimento sozinho não determina quantas pessoas cabem no veículo.
O que uma cidade precisa adaptar antes de colocar esses ônibus nas ruas?
Não basta comprar veículos maiores. Engenheiros precisam estudar raio das curvas, largura das faixas, cruzamentos, posição das plataformas, resistência do pavimento e espaço disponível nos terminais. Um pequeno erro geométrico pode fazer um módulo traseiro subir no meio-fio ou invadir uma faixa vizinha.
A grande vantagem aparece quando veículo e infraestrutura são planejados como um sistema. A Volvo explica que seus biarticulados são desenvolvidos especificamente para corredores BRT, nos quais alta capacidade, estações adequadas e prioridade operacional permitem aproveitar uma carroceria excepcionalmente longa sem transformar cada curva em um obstáculo.
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